Mostrando postagens com marcador Estranhos Animais Humanos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Estranhos Animais Humanos. Mostrar todas as postagens

22.12.09

Estranhos animais humanos e suas muletas emocionais

1. Últimos minutos com Oden

Como qualquer dica que venha do Peele é sempre uma coisa boa, assisti ao (micro) documentário Last Minutes with Oden, do diretor californiano Eliot Rausch. Rausch trabalha com video, e já fez trabalhos para diversas marcas. Eventualmente faz experimentações cinematográficas, seja em vídeo ou animação. Esse documentário é uma dessas explorações dele em narrativas não-comerciais.

O vídeo começa tenso, bem tenso. Conhecemos a figura ansiosa de Jason Wood, um cara que, aparentemente, passou a vida dentro e fora de prisões por causa de drogas. Rausch filma os minutos anteriores ao momento em que Jason terá que botar seu cachorro Oden para adormecer. Doente, o cachorro terá que dormir para sempre, e cabe a Jason acompanhar o amigo nessa jornada.



Percebe-se claramente o desespero de todos. O cachorro, com olhar assustado percebe seu fim, mas tem uma resignação nobre. Assim como todo animal não-humano, Oden preservou sua sensibilidade e integridade.

Oden foi a ponte e o elo de Jason com a realidade, em especial com a realidade dos afetos, de gostar e ser retribuído. Foi Oden quem resgatou e conectou Jason às suas emoções e à espiritualidade, coisas até então perdidas por conta do vício.

O (micro) documentário é apenas o registro de um adeus, uma fração de história, mas forte o suficiente para emocionar.

2. Cãopanheiro

De maneira semelhante, encontramos o olhar de Oden nesse cachorro de Curitiba. Um jovem foi assassinado no Bairro Boqueirão, em Curitiba, em frente a uma lan house. Seu cachorro chegou minutos depois e ficou ali a seu lado até a chegada do IML.



Trêmulo, o cachorro velava e protegia o corpo do rapaz morto. O seu desespero quando o camburão chega e leva o jovem sem vida é devastador.

O "cãopanheiro" e o rapaz curitibano foram filmados por acaso, e os papéis estão invertidos. Ainda sim, tanto quanto Oden, é tão forte que dói.

Todos nós de alguma forma fomos impactados por vídeos e histórias assim, onde, humanizados, os animais subvertem a ridícula lógica judaico-cristã de subserviência, e tornam-se nossos melhores - se não únicos - amigos. E assim são, com certeza.

Os animais são acolhidos pelos seres humanos porque o relacionamento com animal é mais fácil do que com outro ser humano: o animal está sempre disponível, o animal é tolerante e expressa uma amizade incondicional, o animal supre a carência de afeto da pessoa desinteressadamente e o animal é acrítico: Nossos bichos de estimação são fonte segura e previsível de afetos. Até Freud citou o quanto a relação com bichos é reconfortante e compensatória.

Um artigo na revista Psique destaca que "Os arranjos sociais favorecem os laços com os bichos: a demografia está caindo, as famílias são menores e estão sendo modificadas, com mais pessoas morando sozinhas. A sociedade ocidental parece enfatizar a individualidade, a racionalidade, o controle, o livre-arbítrio e o materialismo, diferentemente de sociedades tradicionais, que priorizam os valores comunitários, a expressão emocional e a espiritualidade. Essas diferenças afetam as crenças e atitudes das pessoas. Assim, o hábito de possuir animais de estimação pode ser muito acentuado no Ocidente talvez pelo preenchimento de necessidades emocionais que os animais proporcionam, supridas de outras maneiras em outras sociedades."

O mais bizarro de tudo é pensar que hoje em dia cabe a um bichinho de estimação a tarefa de manter nossa sanidade, quando não nos salvar emocionalmente. Cabe a eles serem nossos agentes de interação social, psíquica e emocional. Acho que isso é exigir demais deles. Só precisamos ama-los, já é o bastante.

Que espécie é irracional mesmo?

18.12.09

Viva: já é o suficiente!

Eu não sei o que me fascinou mais. A capacidade particular dessa espécie de polvo em encontrar motivos para sobreviver, ou pensar isso de uma forma mais geral, enxergar essa adaptação como a alma da própria natureza. O habitat onde eles se encontram é incrivelmente perigoso para esses animais, com poucas opções de esconderijo. Ficar embaixo da areia não é suficiente para eles se protegeram dos predadores.

Eles sondam o terreno com os tentáculos, afastam a areia e levantam o coco com uma rotação. Depois de colocar o lado aberto da casca para cima, eles agarram a peça e vão embora. Quando são duas metades, o animal consegue colocar uma dentro da outra.



O uso de ferramentas é algo que se acreditava ser uma habilidade exclusiva dos humanos, mas recentemente esse comportamento tem sido cada vez mais observado entre primatas, outros mamíferos e aves. É fofo, mas ao mesmo tempo cruel, ver um polvo utilizar restos de consumo humano como proteção. O simpático bicho nos ensina uma lição torta: o sentido da vida é apenas viver. Atribuir significado é problema seu, uma vez que o sentido é manter-se vivo. E entre os animais estranhos, somos apenas os humanos.

Fonte: BBC Brasil; Arnaldo Antunes (Entre os animais estranhos,/ eu escolho os humanos)

23.11.09

Estupidez humana

Mother, a agência mais transgressora do mundo, criou um filme (para mim pelo menos pesado demais) para a ONG Plane Stupid. Neles, ursos polares caem do céu, relacionando à quantidade de gases. Cada passageiro presente em voos dentro da Europa é responsável pela emissão de 400 kg de gases que contribuem para o efeito estufa. 4oo kg é o peso médio de um urso polar adulto.

A metáfora:



Levamos pouco mais de 100 anos para destruir milhões de anos de evolução no planeta. Não temos planos de reverter isso - seja pela extensão dos estragos, seja pelas consequencias economicas e financeiras. Tudo o que se fala é em amenizar ou protelar os problemas.

Será que, sinceramente, alguém aqui queira pagar o preço de abrir mão dos confortos que essa destruição trouxe para nossas vidas? Me pergunto o que cada um de nós poderia fazer para mudar isso, mas não encontro respostas.

Aquele urso branco é uma metáfora nossa: todos estamos solitários e impotentes, e sempre à mercê das decisões de outrem. Na verdade, com as evidências do fim do mundo como conhecíamos, é estranha nossa inconsciência ursina - simplesmente ignoramos que estamos acelerando nosso próprio fim.

Como diria Hobbes: Homo homini lupus



Via Comunicadores

17.11.09

Agora você é um hamster

Nada mais parece permanecer no underground, longe da possibilidade de ser produtizado.

Um hotel em Nantes, na França, oferece a seus hóspedes a oportunidade de viverem um dia como um hamster. Por 99 euros, você terá a oportunidade de ser enjaulado.



De acordo com um dos hóspedes: "The hamster in the world of children is that little cuddly animal. Often, the adults who come here have wanted or did have hamsters when they were small".

Quando li isso, achei impossível não imaginar esse tipo de coisa como uma apropriação da subcultura furry, que escrevemos outras vezes aqui no blog:

Oi! Eu sou um Furry
A hora e a vez dos furries


Não achei criativo... Na verdade achei um tanto débil. Mas é curioso perceber o quanto as pessoas estão desesperadamente em busca de vivência de novas identidades. Nesse caso, é mais que um cospobre - é um arremedo de RPG. Mas um RPG bem #FAIL, vamos combinar.

10.10.09

A volta do homem arquetípico? Demorou...

Bom, primeiro: o que é um arquétipo?

No Houaiss diz que, de acordo com Jung, discípulo de Freud e criador da psicologia analítica, arquétipo é todo conteúdo imagístico e simbólico do inconsciente coletivo, compartilhado por toda a humanidade, evidenciável nos mitos e lendas de um povo ou no imaginário individual, especialmente em sonhos, delírios, manifestações artísticas etc.. Um arquétipo é uma imagem primordial, que é NECESSARIAMENTE coletiva, e existem por muitas e muitas gerações. O sensacional site Saindo da Matrix fala isso de uma forma bem interessante, mas dá uma pista mais exata quando questiona:

"Se deixarem de acreditar em um Deus, ele desaparece? Provavelmente sim. Mas o Arquétipo que o originou fará que sua função seja ocupada, em outra mitologia, por algum outro conceito substituto."

Pode-se entender que os arquétipos são espécies de respostas típicas a situações típicas, que têm como objetivo maior nos humanizar, querendo dizer com isso que aprendemos o que é ser humanos através dos arquétipos.

Depois disso, posso entrar no assunto desse post, que é algo que há tempos discutimos aqui dentro da CUBOCC: a volta do homem com barba como representação masculina para a publicidade. Isso acontece desde 2006, conforme matéria do NYTimes, onde a barba invadiu os rostos de alguns sex symbols de Hollywood. Mas só agora em 2009 é que se materializa como arquétipo, pois vai além de elementos isolados e criam narrativas completas.

Assumimos isso como um mea culpa da publicidade, que sempre foi pródiga em replicar estereótipos, ou seja, uma idéia ou convicção classificatória preconcebida sobre alguém ou algo, resultante de expectativa, hábitos de julgamento ou falsas generalizações.

Quando falamos em arquétipos masculinos, embora existam classicamente, vemos alguns deles representados em campanhas de grandes marcas mundo afora. Exemplificamos algumas campanhas de outono e inverno para 2009/2010 onde eles aparecem de forma gritante.

Existem uma série de arquétipos que servem como matrizes de imagem para o homem desde que nos tornamos animais simbólicos (na verdade, quando deixamos de ser caçadores e passamos a ser agricultores - trilênios atrás). Essas matrizes de imagem ou, conforme dissemos acima, imagens primordiais, ajudam ao homem a definir o que é ser homem, masculino, e entender os atributos da masculinidade.

Todos ele são descendentes do arquétipo masculino maior - O Grande Pai. Eis alguns exemplos dentre muitos:

  • O caçador / trabalhador
  • O herói
  • O guerreiro
  • O padre / pastor , ou aquele que guia espiritualmente
  • O rei

O homem comum de hoje em dia passa por uma enorme crise de identidade pois esses arquétipos foram corroídos pela convulsão em nossas estruturas sociais, as drásticas alterações nos papéis dos gêneros, e o desaparecimento de modelos masculinos fortes. Nunca, em toda a história humana, nós enfrentamos esse tipo de conflito que os machos da espécie estão passando. Hoje, os homens são forçados a se redefinir, ainda mais pela ascensão de estereótipos como os (blergh!) metrossexuais.

O estresse que esse tipo de coisa causa ajuda a piorar ainda mais a vida do consumidor. Não adianta publicitários tirarem o c* da reta e dizerem que nada tem a ver com isso, por apenas refletirem a "realidade do consumidor". Não! É mentira, pois todos sabem o valor civilizatório dessa área que a gente ganha o pão, assim como o poder legitimador/formador de opinião que a gente tem.

Um exemplo brazuca sensacional é o da Schincariol, com a campanha "Pega Leve". Nele, um sujeito deixa-se influenciar pelos estereótipos e no final acaba cedendo ao arquétipo:



Não apenas atitude, mas percebemos que cenários tornam-se arquetípicos:






  • A clássica maison Hermès vem se alimentando dessa visão arquetípica há umas duas estações. Mas é na atual que isso se faz mas claro:

  • Por meio do cenário:



  • Por meio da caracterização do modelo Patrick Petit Jean, que se configura como um homem que pastoreia:



  • Aliás, Patrick Petit Jean (e sua barba rebelde) parece ser o cara a trazer a imagem do homem arquetípico de volta à moda:






  • Update: assim como Sebastien Chabal, jogador de rugby francês




  • A barba tem sido metáfora essencial e eficiente do simbolico masculino, e está presente em muitas campanhas, funcionando como um convite ao homem a viver seus arquétipos:
  • Na Aether Apparel:



  • Na Moncler, por meio da figura do fotógrafo hirsuto Bruce Weber, que também reflete a figura de um trabalhador que pastoreia, mas sem rebanho, apenas ele e sua matilha:



  • Louis Vuitton também enobrece os homens por meio do arquétipo do rei:



  • E também a marca inglesa Hackett:



  • Patek Phillipe, a marca de relógios, faz um blend de arquétipos há anos, em campanhas simples, porém geniais. Vemos em todas a figura do Grande Pai, do Rei, com alguma coisa do guerreiro e do pastor:


  • Mas é a campanha da Go Forth, da Levi's, que melhor soube atualizar os mitos e os arquétipos, transformando-os em algo inteligível para todo mundo:






Quando tudo parece confuso, perdido e previsível, nada mais natural que um retorno às raízes para reencontrarmos nossas identidades. Felizmente, num tiro que dou no meu próprio pé, não é por meio de produtos ou marcas que isso acontece. Nenhuma marca, em hipótese alguma, tem o poder de nos definir. E, se o faz, é de forma pobre e estereotipada. Um espelho velho e embaçado, que tenta nos imitar.

Elas podem até dar o início a um processo de autodescoberta, mas depois são deixadas de lado, pois não há, apesar de todas as nossas falhas, algo mais fascinante que a noção de humanidade - nossas singularidades, nossas possibilidades e o mistério de sermos assim tão únicos.

16.7.09

Aproveita que você está sonhando e pede um pônei

Em 1917, duas garotas inglesas, Elsie Wright (16), e a prima Frances Griffiths (10), fizeram uma traquinagem que enganou muitas pessoas durante anos, inclusive o criador de Sherlock Holmes, Sir Arthur Conan Doyle. Enquanto brincavam em Cottingley Glen, logo atrás da casa de Wright, as garotas fizeram uma sapequice: tiraram fotos close up de si mesmas, onde apareciam cercadas da maneira mais arquetípica possível quando falamos de teens: com fadinhas por todos os lados. Rapidamente as fotos se popularizaram. Os experts em fotografia da época foram consultados para tentar explicar esse fenômeno. Eles constataram que os negativos não foram alterados, nem as fotos manipuladas. Depois de anos, a safadeza foi finalmente revelada: as meninas confessaram que posaram com toscos desenhos recortados de fadinhas para fazer a foto mais "autêntica" possível.






E eis a carta que o Sir Wright enviou pra sapeca Elsie:



June 30 1920
Dear Miss Elsie Wright

I have seen the wonderful pictures of the fairies which you and your cousin Frances have taken, and I have not been so interested for a long time. I will send you tomorrow one of my little books for I am sure you are not too old to enjoy adventures. I am going to Australia soon, but I only wish before I go that I could get to Bradford and have half an hours chat with you, for I should like to hear all about it. With best wishes

Yours sincerely

Arthur Conan Doyle

Fonte: Bebe Le Strange

14.5.09

Woolies

O fetiche deles é a lã e, nos fóruns onde discorrem sobre as suas vontades, trocam algumas promessas, como "quero ver você vestido com aquele suéter...", entre outras fissuras do gênero.


Update (Keid)

Intuo que os woolies sejam uma variante dos furries. Em tempos de superhumanidade, desejar o que há na superfície - lã, pelos ou pelúcia - é uma consequência natural. Sem julgamentos: cada um ama o que e como pode.

16.4.09

Homens que são mulheres

De todas as discriminações sociais, a mais pérfida é a dirigida contra os travestis. Se fosse possível juntar os preconceitos manifestados contra negros, índios, pobres, homossexuais, garotas de programa, mendigos, gordos, anões, judeus, muçulmanos, orientais e outras minorias que a imaginação mais tacanha fosse capaz de repudiar, a somatória não resvalaria os pés do desprezo virulento que a sociedade manifesta pelos travestis.

Quem são esses jovens travestidos de mulheres fatais, que expõem o corpo com ousadia nas esquinas da noite e na beira das estradas?

Apesar da diversidade que os distingue, todos têm em comum a origem: são filhos das camadas mais pobres da população.

A homossexualidade é tão velha quanto a humanidade, sempre existiu uma minoria de homens e mulheres homossexuais em qualquer classe social; caracteristicamente, no entanto, travestis só aparecem nas famílias humildes.

Na infância, foram meninos com jeito afeminado que, se tivessem nascido entre gente culta e com posses, poderiam ser profissionais liberais, artistas plásticos, empresários, costureiros, atores de sucesso. Mas, como tiveram o infortúnio de vir ao mundo no meio da pobreza e da ignorância, experimentaram toda a sorte de abusos: foram xingados nas ruas, ridicularizados na escola, violentados pelos mais velhos, ouviram cochichos e zombarias por onde passaram, apanharam de pais e irmãos envergonhados.

Em ambiente tão hostil poucos conseguem concluir os estudos elementares. Na adolescência, com a autoestima rebaixada, despreparados intelectualmente, saem atrás de trabalho. Quem dá emprego para homossexual pobre?

Se para os mais ricos com diploma universitário não é fácil, imagine para eles. O máximo que conseguem é lugar de cozinheiro em botequim, varredor de salão de beleza na periferia ou atividade semelhante sem carteira assinada.

Vivendo nessa condição, o menino aprende com os parceiros de sina que bastará hormônio feminino, maquiagem para esconder a barba, uma saia mínima com bustiê, sapato alto e um bom ponto na avenida para ganhar numa noite mais do que o salário do mês.

Uma vez na rua, todo travesti é considerado marginal perigoso, sem nenhuma chance de provar o contrário. Pode ser preso a qualquer momento, agredido ou assassinado por algum psicopata, que nenhum transeunte moverá um dedo em sua defesa. "Alguma ele deve ter feito para merecer", pensam todos.

Levado para a delegacia irá parar numa cadeia masculina. Como conseguem sobreviver de sainha e bustiê em celas com 20 ou 30 homens, numa situação em que o mais empedernido machão corre perigo, é para mim um dos mistérios da vida no cárcere, talvez o maior deles.

A condição de saúde dos travestis é precária. Não existe um serviço de saúde com endocrinologistas para orientá-los a respeito dos hormônios femininos que tomam por conta própria.

Muitos injetam silicone na face, nas nádegas, nas coxas, mas sem dinheiro para adquirir o de uso médico, fazem-no com silicone industrial comprado em casa de materiais de construção, injetado por pessoas despreparadas, sem qualquer cuidado de higiene. Com o tempo, esse silicone impróprio escorre entre as fibras musculares dando origem a inflamações dolorosas, desfigurantes, difíceis de debelar.

Ainda os portadores do vírus da Aids encontram algum apoio e assistência médica nos centros especializados, locais em que os funcionários estão mais preparados para aceitar a diversidade sexual. Nos hospitais gerais, entretanto, poucos conseguem passar da portaria, barrados pelo preconceito generalizado, praga que não poupa médicos, enfermeiras e pessoal administrativo.

Os hospitais públicos deveriam ser obrigados a criar pelo menos um posto de atendimento especializado nos problemas médicos mais comuns entre os travestis. Um local em que pudessem ser acolhidos com respeito, para receber orientações sobre uso e complicações de hormônios femininos e silicone industrial, prevenção e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis e práticas de sexo seguro.

A saúde pública não pode continuar dando as costas para essa minoria de homens, só porque eles decidiram adotar a identidade feminina, direito de qualquer um. Quem somos nós para condená-los?

Que autoritarismo preconceituoso é esse que lhes nega acesso à assistência médica, direito mínimo garantido pela Constituição até para o criminoso mais sanguinário?

-- Drauzio Varella
(originalmente publicado na Folha de S. Paulo em 11/04/2009.)

2.4.09

Só isso


"O que verdadeiramente importa é a aptidão para captar o abstrato; a possibilidade de um pensamento sem imagem (...)"

22.3.09

Netbook

Uma nova perspectiva ao hype do netbook: Pra que fetichizar a tecnologia se você pode rir dela?

21.3.09

Smarties: a ascenção das drogas DIY?

O mais legal em comportamentos adolescentes é a capacidade que eles têm de reinventar a realidade. Em alguns casos, especialmente, de buscar não uma nova realidade, mas o efeito, o simulacro de realidade. Algo que, depois de um tempo, deixa de ter importância, pois algo novo sempre será buscado e encontrado. 

A nova preocupação das associações de pais e mestres nos EUA são o ato de Smokin' Smarties. Essa nova mania acontece há pelo menos um ano. Crianças e adolescentes pegam uma espécie de bala chamada Smarties, cuja composição faz com que os drops soltem uma espécie de poeira fina, e amassam, até ficar bem pózinho. Daí elas ou colocam em um papel e enrolam para parecer cigarro, ou "fumam" na própria embalagem. O pó é aspirado, fica na boca e então, quando solto, fica idêntico a fumaça de cigarro. Alguns teens vão mais além, e soltam pelas narinas.

Médicos, pedagogos, padres e pais-de-santo já se pronunciam a respeito: é um incentivo ao consumo de cigarro ou, quem sabe, maconha. Tem também a questão dos fungos que essa bala pode criar em mucosas, como as do nariz, além de complicações médicas diversas.

A questão é que, como mostram diversos vídeos no YouTube, fumar smarties já é algo que cool kids fazem. E, na boa, quem percebeu isso, foi bem criativo.

Será que, depois do i-Doser, esse hábito de emular o uso de drogas não vai se tornar mainstream? Talvez, pois Smokin' Smarties está ganhando atenção na mídia. E todos sabemos que quando algo ainda está embrionário, e ganha atenção midiática nacional com o carimbo de NÃO PODE, isso vai atiçar ainda mais a vontade de usar por quem não conhecia. Se isso se alastrar, a culpa será de quem?

Eu acho que podemos chamar isso de DIY (do-it yourself) drugs. Soa mais democrático, menos pedante e infinitamente menos perigoso que designer drugs.




15.3.09

Fobia como antídoto para incertezas



No G1 - dica do Amaral:

Cansados dos cabelos pretos e castanhos, um bom número de jovens cariocas aderiu aos cabelos loiros, obtidos graças a mistura de descolorante e água oxigenada. Eles advertem que o preço pode ser alto porque enfrentam a má vontade policial e o preconceito dos empregadores.

Os adeptos do estilo dizem que os cabelos descoloridos representam ousadia e atitude, fatores que segundo eles, agradam as mulheres.

Seguir o estilo não custa caro. O servente Angelo Castro, de 22 anos, gosta R$ 10 para descolorir os cabelos. É preciso, porém, retocar a raiz a cada três semanas, ensina Angelo. Ele informa que os fios dourados fazem sucesso com as mulheres, principalmente no verão, porque o sol potencializa o efeito dourado dos cabelos.

“Acho que as mulheres gostam de caras que tem estilo diferente. Eu estou sempre mudando a cor do meu cabelo, mas no verão gosto de deixá-los loiros” diz o servente.


Uma coisa tem me preocupado muito: essa polaridade das pessoas em relação a comportamentos não normativos. Ou é ame ou odeie, mas, a principio, o odeie ganha força. Parece que, mais e mais, o mundo abre mão de um acordo, para promulgar o extremo odeie, e em especial o ANTI. Tudo o que é anti expressão e escolha pessoais parece ser a melhor escolha.

O que é isso? Medo da liberdade? Ou medo de perceber que todas as nossas certezas são falácias que nos apegamos para não enlouquecermos?

O mundo tá se tornando insuportavel, porra.

6.3.09

The 5 Litres Experiment

O Vinicius, que trampa aqui no concept da CUBOCC, nos enviou um link deveras curioso: The 5 Litres Experiment. É algo como um concurso.

Reza a lenda que 2 estudantes ingleses (Oxford) começaram um desafio que se materializou nesse site. O desafio é ver qual o primeiro homem que consegue encher um garrafão de 5 litros com... esperma.

Pra participar é simples: cadastre-se, receba a garrafa em casa e vá enchendo o garrafão. Quem encher primeiro, além da - digamos - glória, vai ganhar 50 litros de leite durante 1 ano inteiro.


Tem até vídeo explicativo:




Algumas curiosidades:

1) Tem cara, jeito e intenção de viral. Logo, deve ser viral;
2) Aparecem dois endereços que não funcionam no video: Ejaculated Inc. e EAA. Ajudarão a explicar alguma coisa;
3) Tá muito bem produzido para não ser fake, além da lendinha de "começou com dois estudantes...", blablabla...;
4) O site é hospedado na Espanha, e alguns itens no código fonte do site estão em espanhol também;
5) Os videos estão disponiveis em 5 idiomas, incluindo o... romeno. (O_o)

Se for mesmo mais um - urgh - viral, a coisa pega um pouco, pois começa a ficar chato. Não faz mais sentido insistir em teaser numa época em que, cada dia mais, os consumidores assumem postura cinica quanto a esse tipo de estratégia. Se for só um experimento artsy, do genero PostSecret, é uma idéia muito legal.

Vamos ver o que o tempo nos diz.

3.3.09

As Damas de Xochiquetzal

Documentário brilhante da Vice sobre um asilo para prostitutas no México, chamado Casa Xochiquetzal. O doc mostra um pouco das histórias dessas damas da noite velhas de guerra, mas algumas ainda na ativa.

Em 3 partes:





2.3.09

Passado

Interessados podem entrar em contato aqui.

27.2.09

Oi! Eu sou um Furry - q


Se existe algo que eu gostaria de hypar atualmente são os furries. Aos poucos eles já vão se incorporando à cultura pop - eles já apareceram nas séries Entourage, CSI e foram pauta da classuda revista Vanity Fair. Até a Coca-Cola, em seu comercial Avatar, deu espaço para várias dessas manifestações comportamentais:




Mas WTF é um Furry? Podemos defini-los como um grupo de pessoas fãs de Furry Art e colecionadores de artigos ou publicações Furries. Ou, mais especificamente, segundo o site Abando:

"(Furries) são pessoas que participam de uma subcultura focada na natureza e amantes de personagens imaginários dos autores de desenhos animados onde seres das mais variadas raças, mitológicas ou não tomam vida e agem em uma sociedade paralela à humana.

Existem vários tipos de Furries, tal como aqueles que cultuam valores que remetem ao druidismo e reverência ao espírito da natureza, cartoon furries que são os genuínos amantes de desenhos animados até aos antropomorfos e theriantropos cuja sociedade é semelhante à sociedade humana nos vários períodos da história, lembrando muitas vezes, a era vitoriana: só com a diferença de que os avatares (ou fursonas) são humanos com características animais, tais como patas, caudas, cabeça (semelhante aos seres mitológicos de todas as sociedades como o anubis na cultura egípcia, a sereia, capelobo ou ipupiara)."

Existem alguns muitos subgrupos, e cada um mais peculiar que o outro. Nos EUA convenções atraem cerca de 3 mil entusiastas, além de inúmeros sites, foruns e comunidades dedicadas.

No Brasil ainda não se tem notícia de convenções, mas o tema é conversado em diversos foruns, assim como em uma comunidade exclusiva para o assunto: Furry Brasil.

O mais legal disso é a capacidade que algumas pessoas tem de inventar outras realidades, em universos paralelos à vida real. Isso não apenas é possível, mas intuo que até certo ponto, seja saudável: não há nada pior que viver entricheirado em suas fantasias, sem espaço para expressa-las. Furries são o oposto disso.

Hype Já!