Nada mais parece permanecer no underground, longe da possibilidade de ser produtizado.
Um hotel em Nantes, na França, oferece a seus hóspedes a oportunidade de viverem um dia como um hamster. Por 99 euros, você terá a oportunidade de ser enjaulado.
De acordo com um dos hóspedes: "The hamster in the world of children is that little cuddly animal. Often, the adults who come here have wanted or did have hamsters when they were small".
Quando li isso, achei impossível não imaginar esse tipo de coisa como uma apropriação da subcultura furry, que escrevemos outras vezes aqui no blog:
Não achei criativo... Na verdade achei um tanto débil. Mas é curioso perceber o quanto as pessoas estão desesperadamente em busca de vivência de novas identidades. Nesse caso, é mais que um cospobre - é um arremedo de RPG. Mas um RPG bem #FAIL, vamos combinar.
Como proferiu Yann Arthus-Bertrand : é tarde demais para ser pessimista. Na verdade, mesmo que você queira fazer alguma coisa para tentar consertar o mundo, você será tomado por uma preguiça monstruosa. E até entendemos o motivo.
Nesse mundo hiper-individualista que vivemos, nem faz muito sentido se revoltar. Muito menos se unir a outros dissidentes, criando assim uma insurgência contra o sistema, contra a China, contra o aquecimento global ou Deus. Pra que, afinal? Quem vai reconhecer isso?
Essa preguiça, que é mais discurso que ação, mais revolta angustiada em cima da cama que revolução nas ruas, e mais opinião do que fatos é chamada FauxPunk. E leve em consideração que, esteticamente, o punk nunca morreu. Anarquia pode ser um valor interessante a ser usado nos próximos meses.
O caminho já está aberto, só falta ser trilhado:
Existe um buzz enorme em torno da primeira temporada da série Sons of Anarchy, e repercute no mundo todo:
De acordo com o blog Poltrona, Sons of Anarchy foi criada por Kurt Sutter (The Shield), e retrata um grupo de motociclistas que importa ilegalmente armas do grupo terrorista IRA (Exército Republicano Irlandês) para revender para mafiosos chineses e italianos, além de gangues formadas por latinos e africanos.
Baseada em Hamlet, de William Shakespeare, a série mostra o conflito de Jax Teller (Charlie Hunnam) com o padrasto Clay Morrow (Ron Perlman, de Hellboy), suspeito de matar seu pai em aliança com sua mãe, Gemma Teller Morrow (Katey Sagal, de Um Amor de Família).
Ou até mesmo a exposição Né Dans La Rue, da fundação Cartier:
Dizem que até vão a fundo na história dessa ferramenta da contracultura, antiacadêmica e visceral. Alçada ao status de arte contemporânea, é engolida pela Cartier, que a devolve como snacks para uma elite entediada, pois qualquer sinal de revolta e contestação foi sanitizado, minimizado e não provoca medo.
Para terminar, um forte indício de que o FauxPunk vai ser mais que tendência, e se tornará um estilo de vida, é no clipe que reúne 3 dos maiores popstar da música negra norteamericana: da música nova "Run This Town", junta-se a JayZ, o Kanye West e a Rihanna, numa mistura indigesta (e cafona pra caralho) de BladeRunner, MadMax e Warriors:
Todos os caminhos nos levam à anarquia: estética, ética, mental e espiritual. Só escolher e seguir adiante. Inspirado em D.Planneur:-)