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17.12.09

Nada é real. N-A-D-A.

Stargate Studios Reel from RAWworks on Vimeo.



UPDATE:

Sabe-se lá Deus pq, mas o vídeo não está mais disponível no Vimeo. Mas acabo de fazer upload no nosso canal no YouTube.

27.9.09

Como vencer um tabu

Na década de 1920, George Hill, presidente da American Tobacco Company, pediu ajuda ao sobrinho de Freud, Edward Bernays, RP em Nova Iorque, e iniciado nas teorias psicanalíticas do tio, para converter a atitude das mulheres perante o tabaco. Na época era inaceitável mulheres fumando em público, e o desafio era mudar essa percepção. Mais que isso, fazer com que mulheres fumantes fossem vistas como atraentes e desejadas socialmente.

Bernays descobriu que cigarros eram um dos símbolos do pênis. O brief de Bernays então foi transformar o ato de fumar pelas mulheres em um ato de contestação ao poder e autoridade masculinos. Se mulheres fumassem, então elas teriam seus próprios pênis, logo, teriam a sensação de poder.

O resultado criativo foi um PR Stunt criado na famosa New York City Parade. No desfile, um grupo de mocinhas ricas de Nova Iorque apareceram fumando em público. Não apenas fumando, mas criou-se uma performance dramática em torno do acendimento do cigarro, como um desfile à parte.

Bernays, usando sua influência junto à imprensa nova-iorquina, cantou a bola sobre o protesto que esse grupo de garotas faria a favor do ato de fumar em público, onde os cigarro acendidos representavam tochas da liberdade. Todos os veículos de comunicação foram lá ver o que era. O "protesto" acabou na primeira página do New York Times. Debates permearam a imprensa e tomaram conta da sociedade americana na época.

Se as mulheres tornaram-se fumantes foi porque o zeitgeist era perfeito. Foi uma época de intensas conquistas para as mulheres. O voto feminino estava dando seus primeiros passos, já que foi institucionalizado no início da década de 1920. Mulheres começavam a entrar como uma força relevante num mercado de trabalho então predominantemente masculino. Mulheres mudaram e queriam mais mudanças. Tudo o que se relacionasse, ou melhor, resolvesse essa tensão, seria altamente lucrativo e convertido em comportamento de massa. Bingo para Bernays, que fez algo melhor que propor um estilo de vida: deu motivos para que as mulheres mudassem e a sociedade aceitasse. Quem questionaria a alma americana: a liberdade, ainda que transformada em ícone por meio de um cigarro?

Depois de tudo isso, em menos de dois anos, a indústria do tabaco norte-americana aumentou seu (já rentável) mercado em 100%.

Isso e muito mais em The Century of the Self:

2.5.09

Esse post começou a ser redigido no aeroporto de Guarulhos, exatamente à 01h11min do dia 1 de maio. Um dia, quem sabe, histórico para o país. Afinal, ninguém tem coragem de apostar as suas fichas no impossível desembarque de um passageiro com um monte de vírus H1N1 nas suas mucosas bucal e nasal. Até então, depois de quase uma hora no aeroporto, vi apenas uma passageira e três funcionários do aeroporto utilizando máscaras. Por conseqüência, recebi também um telefonema da minha digníssima explicando que assistiu o Jornal da Globo e achou conveniente sugerir que eu usasse uma máscara. A mídia está cumprindo o seu papel com êxito. Se a intensão é instaurar o caos, está no caminho certo. Pelo menos assim, por enquanto, os piratas somalis ficam distantes da mídia. Mas apenas da brasileira.


Quando chego no aeroporto, a primeira coisa que faço é ir até a banca de revistas. Hoje, tive a sorte de me deparar com o último exemplar da Monocle (May/09) que existia na prateleira. Um dos destaques da revista são os esquecidos somalis. Os caras que assustaram todo o mundo. Não por brutalidade, mas pelo primitivismo da prática. Por óbvio: um mundo acostumado com megaoperações motivadas pela pedofilia online em que ações integradas enchem de orgulho qualquer secretário de segurança e delegado, jamais contaria com a necessidade de voltar as forças dos seus exércitos e polícias para enfrentar os destemidos terroristas africanos armados de barcos espelunquentos e fuzis enferrujados. E por conta disso, a Monocle construiu a sua reportagem em cima do aparato montado pela UE para conter os ataques. Quer dizer: mostrou o lado impotente.


Liberar as embarcações não sai abaixo de milhões. Como bem sabemos (nós, da CUBOCC), um navio parado representa alguns milhares de dólares perdidos por hora e surte um efeito no mercado de distribuição global como o de um parafuso solto na engrenagem de uma esteira de produção de qualquer megaindústria.

Então que depois de processar essas duas informações e resgatar fatos do dia que pudessem construir algum raciocínio a partir do que passou pela cabeça desde que cheguei no aeroporto, lembrei de uma reportagem do G1, onde o acadêmico norte-americano Jerome Corsi explica as entrelinhas do seu livro Obama Nation e justifica a sua tese: nas mãos do Barack, o EUA caminha para o socialismo. Misturando as três coisas, cheguei a conclusão de que não vivemos o caos e muito menos uma crise financeira ou sanitária. São todas, obviamente, noções de descontrole que criamos para especular a possibilidade de que, antes, estávamos no controle. Bullshit.


Nunca a precariedade logística, sanitária, econômica e ideológica do mundo estiveram tão evidentes quanto agora. O espanto de Jerome diante da postura de Obama, que é a de estatizar a economia, representa melhor esse cenário. Pois, nem o campo teórico, que sempre deu conta dos confrontos ideológicos e da complexidade social do mundo amparado por Barthes, Bordieu e Mafesoli, consegue fugir dos estereótipos do século passado para pensar no novo.

Não podemos nem contar como novo. Mas apenas um reload em algumas coisas desgatadas. E socialismo... Não, creio que não.

Tamanha é a insegurança que chegamos ao ponto de o general Chávez convidar o excelentíssimo professor de direito da Universidade de Chicago a fazer frente pelo socialismo mundo afora. Isso parece aquele momento em que a família descobre que a menina de 15 anos engravida do namorado e, pela fragilidade da situação e da moça, confere a si o alvará de antropóloga do baixo clero e passa adiante dicas extraídas de interpretações equivocadas de casos de vizinhos, amigos e colegas de serviço. O Chávez é a tia gorda que insiste para a menina dormir na casa dela até que a poeira abaixe. Todos querem opinar na vida do Obama. Mesmo ninguém sabendo o que a menina parirá depois e quem é de fato o pai da criança.

E como a gripe suína é só um vírus e não é de ninguém, resta ter medo mesmo e instituir o estado de terror. Que não tem nada a ver com o de direito, mas que se serve dele como base para a construção do terror. Nesses casos de "inimigo invisível", lembro bastante das histórias inventadas sobre a invasão dos et's em algum planeta com formato e com pessoas parecidas com a terra que já se viu muito no cinema (desculpe, mas eu não vi). Eles são silenciosos e assustadores. Mas no final todo mundo descobre que, na real, eles só são verdes e, eureka, ignorantes somos nós de acreditar que eles tem a mesma vontade de dominar tudo (dominar no sentido de conquistar e de controlar coisas e seres).

Encerro o texto aqui reivindicando o meu direito de ser aleatório.

22.3.09

Netbook

Uma nova perspectiva ao hype do netbook: Pra que fetichizar a tecnologia se você pode rir dela?

20.3.09

Yo tampoco lo usaba

Às vezes, certas mensagens precisam se reinventar para fazer algum efeito nas pessoas. Questões de segurança no trânsito, por exemplo.

11.2.09

Autenticidade por minuto

Assim como as imagens que simulam fragmentos de autenticidade momentânea, sejam elas congelamentos de fenômenos ou montagens de pixels, para o pensamento de final de tarde deixo um fragmento do fotógrafo Alison Jackson sobre o virtual e o atual (e por que não o real, como diz Deleuze).


Photobucket

Abre aspas:

Thus we are continually being seduced away from the “truth” into a world which has no “real” grounds of integrity and authenticity.
At best, a photograph of a celebrity reproduces something authentic only at the very moment the shutter clicks.
We have been teased and seduced into giving tiny fragments of “reality” an absolute authenticity. Images are by nature titillating and “of fantasy,” aiding this process.

The photograph has become more real than the real.

Creating a clone or a copy of the “real” on paper. It is not a fake, it takes the place of the “real” for a moment, whilst looking at the image. The aim is to create likenesses of icons, where in the image, the simulations of icons, threatens the difference between “true” and “false,” between “real” and “imaginary”. The “real” subject becomes not necessary.

Photobucket

The photographs reflect what really exists in the public imagination. They highlight the difference between what we see and what we imagine. This is bound up in our inherent greedy voyeurism and our need to believe.