Mostrando postagens com marcador Alienação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alienação. Mostrar todas as postagens

19.12.09

Alexander McQueen Spring 2010 (Avatar feelings?)







O desfile

Parte 1:



Parte 2 (com direito a Lady Gaga no final):

29.10.09

A moça e os moralistas imorais



Nesse caso da moça e os estudantes da Uniban, existem algumas coisas que Contardo Calligaris definiu muito bem em outros assuntos, em suas colunas na Folha de S. Paulo, mas que vale para esse. Contardo, como bom observador do humano moderno, tem insights interessantes do ponto de vista psicanalítico. Como opinião de blogueiro não pode valer nesse caso - desculpem-me, mas é questão de estofo intelectual mesmo -, resolvi entender isso à luz da psicanálise. Nesse lamentável episódio, temos duas figuras que ajudam a entender o contexto do alvoroço em torno da moça, em especial o lamentável comportamento dos envolvidos, que gritavam "puta, puta", como se isso sequer fosse algo ruim:

(...)Afinal, depois de um bom século de psicologia e psiquiatria dinâmicas, estamos certos disto: o moralizador e o homem moral são figuras diferentes, se não opostas. 1) O homem moral se impõe padrões de conduta e tenta respeitá-los; 2) O moralizador quer impor ferozmente aos outros os padrões que ele não consegue respeitar.

(...)Quem coloca ruidosamente a caça aos marajás no centro de sua vida está lidando (mal) com sua própria vontade de colocar a mão no pote de marmelada. Quem esbraveja raivosamente contra "veados" e travestis está lidando (mal) com suas fantasias homossexuais. Quem quer apedrejar adúlteros e adúlteras está lidando (mal) com seu desejo de pular a cerca ou (pior) com seu sadismo em relação a seu parceiro ou sua parceira.

O exemplo da adúltera, aliás, serve para lembrar que a psicologia dinâmica, no caso, confirma um legado da mensagem cristã: o apedrejador sempre quer apedrejar sua própria tentação ou sua culpa.

Como toda manifestação passional, o desenrolar das coisas é obscuro. Fala-se em tentativa de estupro por parte de alguns machos de plantão, além dos gritos de puta, por parte de algumas fêmeas. Em alguns casos, ouvimos falar que ela, a moça que ousou demonstrar sua feminilidade de forma mais clara, de certa forma teria que arcar com as consequências de sua libido. Afinal, como qualquer morador de país pobre, somos moralistas e, consequentemente, somos hipócritas. Nos agarramos ao nosso moralismo como forma de controlarmos o que há de mais animalesco em nós. Adjetivamos a moça como puta, por não sabermos o que fazer com nossa liberdade. Somos ovelhinhas nervosas.

A forma da moralidade moderna não é o veredicto, mas a pergunta. Para nós, é moral quem passa constantemente pelos impasses insolúveis de questões morais concretas. E é propriamente imoral o moralista, que declara saber de antemão o que é o bem e o que é o mal. O moralista é imoral porque, julgando o próximo segundo um sistema de regras instituídas, ele evita o rigor da exigência moral moderna. Castigar os outros é, para ele, o melhor jeito de desconhecer seus desejos menos confessáveis. Ou seja, o moralista condena para se absolver.

Hipocrisia sustenta pessoas assim, com vidas sexuais frágeis, que gozam mal e descontam em alguém que ousa ser diferente da manada. A sexualidade do brasileiro, além de hipócrita, é pobre também. Entendem sexualidade como função dos órgãos genitais, deixando de lado o simbólico do que somos feitos. Ainda temos um longo caminho a percorrer.

A distinção entre homem moral e moralizador tem alguns corolários relevantes. Primeiro, o moralizador é um homem moral falido: se soubesse respeitar o padrão moral que ele se impõe, ele não precisaria punir suas imperfeições nos outros. Segundo, é possível e compreensível que um homem moral tenha um espírito missionário: ele pode agir para levar os outros a adotar um padrão parecido com o seu. Mas a imposição forçada de um padrão moral não é nunca o ato de um homem moral, é sempre o ato de um moralizador.
Em geral, as sociedades em que as normas morais ganham força de lei (os Estados confessionais, por exemplo) não são regradas por uma moral comum, nem pelas aspirações de poucos e escolhidos homens exemplares, mas por moralizadores que tentam remir suas próprias falhas morais pela brutalidade do controle que eles exercem sobre os outros. A pior barbárie é isto: um mundo em que todos pagam pelos pecados de hipócritas que não se agüentam.

Intuo que essas universidades deveriam ter jaulas, e todos os alunos deveriam ser adestrados ou arrebanhados, como boas ovelhas moralistas que são. Cara, recomeça tudo, pois vai ser daqui pra pior... Que merda.

12.9.09

O que sobrou do corpo



The Final Inch é um documentário sobre os esforços mais recentes de ONGs e seus voluntários no combate a poliomelite em diversas partes do mundo.

(Tão incomum quanto o tema, é o perfil de quem apoia o lançamento, que rola semana que vem nos EUA: Google, Karmaloop e Antenna Mag. Os dois últimos, um e-shop fashionzinho e uma revista de cultura urbana e tendências).

Mais interessante ainda é que esse documentário não é o primeiro a abordar uma doença e o que implica sua causa. Em janeiro, o XDR-TB veio ao mundo através das lentes de alguns fotógrafos para mostrar o surto silencioso e esquecido de tuberculose. Uma doença que, a princípio, está controlada e não incomoda ninguém.



Os argumentos desses filmes chamam mais atenção do que os patrocinadores e as próprias doenças. O da polio, por exemplo: a vacina contra a polio foi criada há 50 anos, mas ainda hoje existem pessoas que não tem acesso ao antídoto e muitos governos argumentam que as campanhas de vacinação são impedidas por "conflitos locais", como guerras civis e confrontos entre etnias, o que não passa de uma grande mentira e uma desculpa absurda para fazer nada.

Vejo que o boom científico dos anos 70, 80 e 90, que trouxe a descoberta de doenças e a cura para tantas outras, agora, não faz mais sentido se o acesso é limitado. Com os custos de produção mais baixos e a qualificação das redes de distribuição, não tem sentido a inexistência de uma empresa com o espírito "free" na indústria farmacêutica para contornar esse cenário. Talvez seja essa a mensagem. Talvez seja esse o propósito a ser levado adiante. (Mesmo que enfrentar a proteção de patentes seja uma guerra quase impossível de ser vencida e o tenham perseverado com os medicamentos para tratamento da Aids).

Nos últimos 10 anos criaram a ilusão de que o acesso à informação transformaria a realidade de muitas comunidades. A última campanha do Criança Esperança abordou o assunto com muita força e as últimas edições do Globo Repórter sobre Amazônia desconhecida desvelaram que a ocorrência de PCs na floresta tropical é tão grande quanto a de araras, onças e sucuris. O barulho em cima dos princípios de aldeia global que a internet fez ressuscitar sufocou o invisível.

Os reports decretam a morte do corpo. Mas enquanto que os gadgets transformam cabeça, tronco e membros em paisagem, a gripe suína, a polio, a tuberculose, a febre amarela e a dengue (só para dar exemplos mais próximos) mostram que ele está bem vivo.

Há espanto quando crianças chegam de volta das férias e não beijam o rosto uma da outra por causa do invisível.

A invisibilidade é uma desculpa para fazer nada.

Talvez seja essa a reflexão que deva ser desencadeada, bem antes de qualquer propósito ser levado adiante.

2.5.09

Esse post começou a ser redigido no aeroporto de Guarulhos, exatamente à 01h11min do dia 1 de maio. Um dia, quem sabe, histórico para o país. Afinal, ninguém tem coragem de apostar as suas fichas no impossível desembarque de um passageiro com um monte de vírus H1N1 nas suas mucosas bucal e nasal. Até então, depois de quase uma hora no aeroporto, vi apenas uma passageira e três funcionários do aeroporto utilizando máscaras. Por conseqüência, recebi também um telefonema da minha digníssima explicando que assistiu o Jornal da Globo e achou conveniente sugerir que eu usasse uma máscara. A mídia está cumprindo o seu papel com êxito. Se a intensão é instaurar o caos, está no caminho certo. Pelo menos assim, por enquanto, os piratas somalis ficam distantes da mídia. Mas apenas da brasileira.


Quando chego no aeroporto, a primeira coisa que faço é ir até a banca de revistas. Hoje, tive a sorte de me deparar com o último exemplar da Monocle (May/09) que existia na prateleira. Um dos destaques da revista são os esquecidos somalis. Os caras que assustaram todo o mundo. Não por brutalidade, mas pelo primitivismo da prática. Por óbvio: um mundo acostumado com megaoperações motivadas pela pedofilia online em que ações integradas enchem de orgulho qualquer secretário de segurança e delegado, jamais contaria com a necessidade de voltar as forças dos seus exércitos e polícias para enfrentar os destemidos terroristas africanos armados de barcos espelunquentos e fuzis enferrujados. E por conta disso, a Monocle construiu a sua reportagem em cima do aparato montado pela UE para conter os ataques. Quer dizer: mostrou o lado impotente.


Liberar as embarcações não sai abaixo de milhões. Como bem sabemos (nós, da CUBOCC), um navio parado representa alguns milhares de dólares perdidos por hora e surte um efeito no mercado de distribuição global como o de um parafuso solto na engrenagem de uma esteira de produção de qualquer megaindústria.

Então que depois de processar essas duas informações e resgatar fatos do dia que pudessem construir algum raciocínio a partir do que passou pela cabeça desde que cheguei no aeroporto, lembrei de uma reportagem do G1, onde o acadêmico norte-americano Jerome Corsi explica as entrelinhas do seu livro Obama Nation e justifica a sua tese: nas mãos do Barack, o EUA caminha para o socialismo. Misturando as três coisas, cheguei a conclusão de que não vivemos o caos e muito menos uma crise financeira ou sanitária. São todas, obviamente, noções de descontrole que criamos para especular a possibilidade de que, antes, estávamos no controle. Bullshit.


Nunca a precariedade logística, sanitária, econômica e ideológica do mundo estiveram tão evidentes quanto agora. O espanto de Jerome diante da postura de Obama, que é a de estatizar a economia, representa melhor esse cenário. Pois, nem o campo teórico, que sempre deu conta dos confrontos ideológicos e da complexidade social do mundo amparado por Barthes, Bordieu e Mafesoli, consegue fugir dos estereótipos do século passado para pensar no novo.

Não podemos nem contar como novo. Mas apenas um reload em algumas coisas desgatadas. E socialismo... Não, creio que não.

Tamanha é a insegurança que chegamos ao ponto de o general Chávez convidar o excelentíssimo professor de direito da Universidade de Chicago a fazer frente pelo socialismo mundo afora. Isso parece aquele momento em que a família descobre que a menina de 15 anos engravida do namorado e, pela fragilidade da situação e da moça, confere a si o alvará de antropóloga do baixo clero e passa adiante dicas extraídas de interpretações equivocadas de casos de vizinhos, amigos e colegas de serviço. O Chávez é a tia gorda que insiste para a menina dormir na casa dela até que a poeira abaixe. Todos querem opinar na vida do Obama. Mesmo ninguém sabendo o que a menina parirá depois e quem é de fato o pai da criança.

E como a gripe suína é só um vírus e não é de ninguém, resta ter medo mesmo e instituir o estado de terror. Que não tem nada a ver com o de direito, mas que se serve dele como base para a construção do terror. Nesses casos de "inimigo invisível", lembro bastante das histórias inventadas sobre a invasão dos et's em algum planeta com formato e com pessoas parecidas com a terra que já se viu muito no cinema (desculpe, mas eu não vi). Eles são silenciosos e assustadores. Mas no final todo mundo descobre que, na real, eles só são verdes e, eureka, ignorantes somos nós de acreditar que eles tem a mesma vontade de dominar tudo (dominar no sentido de conquistar e de controlar coisas e seres).

Encerro o texto aqui reivindicando o meu direito de ser aleatório.

2.4.09

Só isso


"O que verdadeiramente importa é a aptidão para captar o abstrato; a possibilidade de um pensamento sem imagem (...)"

1.4.09

Irã: Uma nação de blogueiros



"Em qualquer país, blogueiros podem te dar uma boa idéia sobre o que a juventudade está pensando – e no Irã, onde 70% da população pode ser considerada muito jovem, a blogosfera se torna muito importante".

"Eles representam uma geração de jovens da classe média urbana, para quem a internet é o território da liberdade, ou pelo menos o lugar onde melhor se pode exercê-la".

"Eles têm um papel político maior do que no Brasil, pois no Irã não há tantos atores explícitos na sociedade civil quanto em meu país (liberdade de imprensa, fortes ONGs, muitos partidos políticos, etc.) Os blogs iranianos podem funcionar como boas pesquisas de opinião, ou termômetros sobre o que pensa grande parte do Irã urbano".

Raul Lores, chefe do escritório da Folha de S. Paulo em Pequim.

Um exemplo bem interessante da experiência que o Raul teve em sua viagem ao Irã:

Vodkas e minissaias em Teerã

Algo me diz que não podemos comparar com a blogosfera brasileira. Pois, afinal, no Brasil, diferentemente da opressão iraniana, somos livres. Logo, nossos blogueiros não têm inimigos pra lutar contra, né? Ou não?