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3.12.09

Jornalismo Mítico-Apocalíptico

Eros e Tânatos para as massas. Capa do G1 em 03Dez09.

Será que existe alguma outra maneira, menos apocalíptica, de se fazer jornalismo? Os deuses, tristes, se vingam.

23.11.09

Estupidez humana

Mother, a agência mais transgressora do mundo, criou um filme (para mim pelo menos pesado demais) para a ONG Plane Stupid. Neles, ursos polares caem do céu, relacionando à quantidade de gases. Cada passageiro presente em voos dentro da Europa é responsável pela emissão de 400 kg de gases que contribuem para o efeito estufa. 4oo kg é o peso médio de um urso polar adulto.

A metáfora:



Levamos pouco mais de 100 anos para destruir milhões de anos de evolução no planeta. Não temos planos de reverter isso - seja pela extensão dos estragos, seja pelas consequencias economicas e financeiras. Tudo o que se fala é em amenizar ou protelar os problemas.

Será que, sinceramente, alguém aqui queira pagar o preço de abrir mão dos confortos que essa destruição trouxe para nossas vidas? Me pergunto o que cada um de nós poderia fazer para mudar isso, mas não encontro respostas.

Aquele urso branco é uma metáfora nossa: todos estamos solitários e impotentes, e sempre à mercê das decisões de outrem. Na verdade, com as evidências do fim do mundo como conhecíamos, é estranha nossa inconsciência ursina - simplesmente ignoramos que estamos acelerando nosso próprio fim.

Como diria Hobbes: Homo homini lupus



Via Comunicadores

29.10.09

A moça e os moralistas imorais



Nesse caso da moça e os estudantes da Uniban, existem algumas coisas que Contardo Calligaris definiu muito bem em outros assuntos, em suas colunas na Folha de S. Paulo, mas que vale para esse. Contardo, como bom observador do humano moderno, tem insights interessantes do ponto de vista psicanalítico. Como opinião de blogueiro não pode valer nesse caso - desculpem-me, mas é questão de estofo intelectual mesmo -, resolvi entender isso à luz da psicanálise. Nesse lamentável episódio, temos duas figuras que ajudam a entender o contexto do alvoroço em torno da moça, em especial o lamentável comportamento dos envolvidos, que gritavam "puta, puta", como se isso sequer fosse algo ruim:

(...)Afinal, depois de um bom século de psicologia e psiquiatria dinâmicas, estamos certos disto: o moralizador e o homem moral são figuras diferentes, se não opostas. 1) O homem moral se impõe padrões de conduta e tenta respeitá-los; 2) O moralizador quer impor ferozmente aos outros os padrões que ele não consegue respeitar.

(...)Quem coloca ruidosamente a caça aos marajás no centro de sua vida está lidando (mal) com sua própria vontade de colocar a mão no pote de marmelada. Quem esbraveja raivosamente contra "veados" e travestis está lidando (mal) com suas fantasias homossexuais. Quem quer apedrejar adúlteros e adúlteras está lidando (mal) com seu desejo de pular a cerca ou (pior) com seu sadismo em relação a seu parceiro ou sua parceira.

O exemplo da adúltera, aliás, serve para lembrar que a psicologia dinâmica, no caso, confirma um legado da mensagem cristã: o apedrejador sempre quer apedrejar sua própria tentação ou sua culpa.

Como toda manifestação passional, o desenrolar das coisas é obscuro. Fala-se em tentativa de estupro por parte de alguns machos de plantão, além dos gritos de puta, por parte de algumas fêmeas. Em alguns casos, ouvimos falar que ela, a moça que ousou demonstrar sua feminilidade de forma mais clara, de certa forma teria que arcar com as consequências de sua libido. Afinal, como qualquer morador de país pobre, somos moralistas e, consequentemente, somos hipócritas. Nos agarramos ao nosso moralismo como forma de controlarmos o que há de mais animalesco em nós. Adjetivamos a moça como puta, por não sabermos o que fazer com nossa liberdade. Somos ovelhinhas nervosas.

A forma da moralidade moderna não é o veredicto, mas a pergunta. Para nós, é moral quem passa constantemente pelos impasses insolúveis de questões morais concretas. E é propriamente imoral o moralista, que declara saber de antemão o que é o bem e o que é o mal. O moralista é imoral porque, julgando o próximo segundo um sistema de regras instituídas, ele evita o rigor da exigência moral moderna. Castigar os outros é, para ele, o melhor jeito de desconhecer seus desejos menos confessáveis. Ou seja, o moralista condena para se absolver.

Hipocrisia sustenta pessoas assim, com vidas sexuais frágeis, que gozam mal e descontam em alguém que ousa ser diferente da manada. A sexualidade do brasileiro, além de hipócrita, é pobre também. Entendem sexualidade como função dos órgãos genitais, deixando de lado o simbólico do que somos feitos. Ainda temos um longo caminho a percorrer.

A distinção entre homem moral e moralizador tem alguns corolários relevantes. Primeiro, o moralizador é um homem moral falido: se soubesse respeitar o padrão moral que ele se impõe, ele não precisaria punir suas imperfeições nos outros. Segundo, é possível e compreensível que um homem moral tenha um espírito missionário: ele pode agir para levar os outros a adotar um padrão parecido com o seu. Mas a imposição forçada de um padrão moral não é nunca o ato de um homem moral, é sempre o ato de um moralizador.
Em geral, as sociedades em que as normas morais ganham força de lei (os Estados confessionais, por exemplo) não são regradas por uma moral comum, nem pelas aspirações de poucos e escolhidos homens exemplares, mas por moralizadores que tentam remir suas próprias falhas morais pela brutalidade do controle que eles exercem sobre os outros. A pior barbárie é isto: um mundo em que todos pagam pelos pecados de hipócritas que não se agüentam.

Intuo que essas universidades deveriam ter jaulas, e todos os alunos deveriam ser adestrados ou arrebanhados, como boas ovelhas moralistas que são. Cara, recomeça tudo, pois vai ser daqui pra pior... Que merda.

24.7.09

Death wishers também são consumidores

E existem milhares de produtos para satisfazê-los por aí.





22.7.09

This is America

2 anos atrás a Economist fez uma matéria sobre os EUA. Nela, eles falavam sobre a identidade do país, assim como a Americana. O maior conselho que eles deram foi: esqueça Nova Iorque - quer conhecer os EUA? vá para os estados do meio-oeste e sul norte-americanos.

Esse carro, da Georgia, nos diz - de uma maneira perversamente sutil, mas suficientemente eloquente - o que é a America.

15.7.09

Marcas, pessoas e tattoos

Em nossa sociedade contemporânea, nós somos o que consumimos. Nós usamos o consumo em geral, e marcas e seus produtos em particular, para definir, formar e manter nossas identidades. O que a gente compra e usa tem um duplo significado simbólico: auto-definição e auto-expressão.

Agora, e as marcas que tatuamos?
















Kodak: naïf, simples e encantador. Mas nos anos 60.

Nos anos 60, quando ainda tínhamos a ilusão de previsibilidade em várias áreas de nossas vidas, creio que a Kodak teve um pensamento muito simples. A pessoa que cuidava de comunicação deve ter feito a seguinte pergunta para a agência:

Como posso dar ao meu consumidor novos motivos para ele usar o meu produto?

O resultado provável: Kodak Poster Pak.

Hoje em dia provavelmente a resposta é que guiaria a pergunta: isso é engagement? isso é branding? isso é activation? isso é btl/atl? é 360?

Bring it back to simple, assholes.

Update:

Esqueci de uma: isso é transmedia?











17.4.09

O Google é um parasita?

"O Google é um portal para a audiência de massa. Ou você concorda com seus termos ou sente o peso de sua bota na traqueia."

"A despeito de sua aura jovial e heroico empreendedorismo, que milagrosamente consegue conectar toda a internet, o que vemos é um modelo tóxico e ultrapassado de capitalismo - o clássico cartel que destrói indústrias e iniciativas individuais em busca por lucros cada vez maiores. Apesar de sua diversificação, o Google é, em última análise, um parasita que não cria nada, oferecendo simplesmente um método de listagem, agregação e ordenação de informações geradas por pessoas que investiram capital, trabalho e tempo nesse processo."

"As pessoas percebem no Google elementos sociopatas e delinquentes, talvez a personalidade de um atemorizante menino de 11 anos.

Esse menino de 11 anos não conhece nada além do sucesso e não entende os riscos, esforços e fracassos da criação de um conteúdo original, nem os delicados relacionamentos, além de seus desejos e suas experiências. Naturalmente ele não está preparado para entender que o Google Street View não apenas invade a privacidade de milhões e facilita a vida de assaltantes, mas também acaba com os espaços cívicos."
Henry Potter (o tio do Harry?), The Observer 05/04/09

P.S.: Google é a nova Microsoft da era pós-Obama?

22.3.09

Netbook

Uma nova perspectiva ao hype do netbook: Pra que fetichizar a tecnologia se você pode rir dela?

21.3.09

Smarties: a ascenção das drogas DIY?

O mais legal em comportamentos adolescentes é a capacidade que eles têm de reinventar a realidade. Em alguns casos, especialmente, de buscar não uma nova realidade, mas o efeito, o simulacro de realidade. Algo que, depois de um tempo, deixa de ter importância, pois algo novo sempre será buscado e encontrado. 

A nova preocupação das associações de pais e mestres nos EUA são o ato de Smokin' Smarties. Essa nova mania acontece há pelo menos um ano. Crianças e adolescentes pegam uma espécie de bala chamada Smarties, cuja composição faz com que os drops soltem uma espécie de poeira fina, e amassam, até ficar bem pózinho. Daí elas ou colocam em um papel e enrolam para parecer cigarro, ou "fumam" na própria embalagem. O pó é aspirado, fica na boca e então, quando solto, fica idêntico a fumaça de cigarro. Alguns teens vão mais além, e soltam pelas narinas.

Médicos, pedagogos, padres e pais-de-santo já se pronunciam a respeito: é um incentivo ao consumo de cigarro ou, quem sabe, maconha. Tem também a questão dos fungos que essa bala pode criar em mucosas, como as do nariz, além de complicações médicas diversas.

A questão é que, como mostram diversos vídeos no YouTube, fumar smarties já é algo que cool kids fazem. E, na boa, quem percebeu isso, foi bem criativo.

Será que, depois do i-Doser, esse hábito de emular o uso de drogas não vai se tornar mainstream? Talvez, pois Smokin' Smarties está ganhando atenção na mídia. E todos sabemos que quando algo ainda está embrionário, e ganha atenção midiática nacional com o carimbo de NÃO PODE, isso vai atiçar ainda mais a vontade de usar por quem não conhecia. Se isso se alastrar, a culpa será de quem?

Eu acho que podemos chamar isso de DIY (do-it yourself) drugs. Soa mais democrático, menos pedante e infinitamente menos perigoso que designer drugs.




15.3.09

Fobia como antídoto para incertezas



No G1 - dica do Amaral:

Cansados dos cabelos pretos e castanhos, um bom número de jovens cariocas aderiu aos cabelos loiros, obtidos graças a mistura de descolorante e água oxigenada. Eles advertem que o preço pode ser alto porque enfrentam a má vontade policial e o preconceito dos empregadores.

Os adeptos do estilo dizem que os cabelos descoloridos representam ousadia e atitude, fatores que segundo eles, agradam as mulheres.

Seguir o estilo não custa caro. O servente Angelo Castro, de 22 anos, gosta R$ 10 para descolorir os cabelos. É preciso, porém, retocar a raiz a cada três semanas, ensina Angelo. Ele informa que os fios dourados fazem sucesso com as mulheres, principalmente no verão, porque o sol potencializa o efeito dourado dos cabelos.

“Acho que as mulheres gostam de caras que tem estilo diferente. Eu estou sempre mudando a cor do meu cabelo, mas no verão gosto de deixá-los loiros” diz o servente.


Uma coisa tem me preocupado muito: essa polaridade das pessoas em relação a comportamentos não normativos. Ou é ame ou odeie, mas, a principio, o odeie ganha força. Parece que, mais e mais, o mundo abre mão de um acordo, para promulgar o extremo odeie, e em especial o ANTI. Tudo o que é anti expressão e escolha pessoais parece ser a melhor escolha.

O que é isso? Medo da liberdade? Ou medo de perceber que todas as nossas certezas são falácias que nos apegamos para não enlouquecermos?

O mundo tá se tornando insuportavel, porra.