Tem gente que celebra o fim das coisas. Outras as fazem renascer, sob outros significados. Esse é o trabalho de Nick Georgiou, que faz esculturas a partir de papel e livros - supostamente mídias em extinção. Nick se define como alguém que faz arte no século 21, e inspira-se na morte do mundo e da palavra impressa, colapsos econômicos, incertezas ambientais e políticas.
O mais interessante no trabalho dele é o choque entre os objetos vs. lugar, uma vez que ele os distribui pelas ruas de Nova Iorque - são, no mínimo, 4 camadas de significados que as pessoas terão que ler ao ver os trabalhos.
Particularmente percebo o vigor expressionista de Munch, mas numa versão contemporânea e ao ar livre, que pode ser apreciada em 3D.
O 420, diferente dos seriados tradicionais, é mais amplo do que apenas um episódio seguido do outro. A história toda vai ser desenvolvida nas várias formas de comunicação que temos hoje.
Você pode ficar um tempão sem ver alguém, mas sabe tudo que tá rolando com ele (pelo Facebook, pelo Twitter). E por isso no 420 o espectador vira "seguidor", como acontece com as novas ferramentas de comunicação, acompanhando a vida das personagens assim como acompanham a dos amigos. Estes seguidores participam do 420 ativamente. Indo atrás de quem querem, onde querem e como querem.
O 420 não tem formato certo, é open source, novos sites e ferramentas podem aparecer, para ajudar a contar as histórias. E o que vai amarrar tudo isso são as personagens. Reagindo e agindo com o que esta acontecendo por aí.
A narrativa nunca para. Por isso é difícil definir o que ele é, mas sim como ele está. O que chamamos de "episódio" é um fragmento da vida deles (personagens) mostrado em vídeo. Assim, o "episódio" não é o ponto principal, mas só mais uma parte da narrativa toda.
Tudo é contado com muita naturalidade, como as pessoas contariam, afinal são as próprias personagens que estão contando tudo isso. E essa essência está também na forma que temas considerados polêmicos são tratados; drogas, sexo, política, sociedade, comportamento, são discutidos sem a pretensão de ensinar ou dar lição de moral.
PerSonare (para sonar/soar. As máscaras do teatro grego que auxiliavam a projetar a voz).
Seriam as máscaras que sobrepomos hoje em nossos corpos (telas 1024 x 768, cores no rosto e panos pelo corpo) ferramentas para fazer com que o mundo nos escute?
Imagine a cena: um sujeito entra no lugar onde você se encontra, vestido com um terno. Agora imagine que, sobre esse terno, existe a pele de um alce, cuja cabeça coroa esse sujeito, e o cobre até os pés, num arremedo bizarro de lobo em pele de cordeiro. Para completar, ele costuma carregar uma ou duas lebres empalhadas. Às vezes, sem a pele de alce, ele coloca uma dessas lebres na cabeça. Esse é o mundo de Marcus Coates, artista contemporâneo que também se intitula um xamã.
A esfera onde Coates atua é a arte pública, interagindo pessoal e diretamente com o público e construindo seus conceitos artísticos com eles. Antes de ser xamã e artista, ele é também ornitólogo e naturalista, o que o credencia a falar sobre e por meio da natureza.
Ele afirma ter contato com o "lower world" para responder a perguntas específicas como todo bom xamã. Historicamente o xamanismo se propõe a resolver os problemas e dilemas de uma comunidade. Sendo essas figuras de autoridade espiritual, eles se conectam com a natureza para obter as respostas necessárias. Marcus Coates vale-se do antropomorfismo para voltar à natureza, e vai a cidades mundo afora conversando com as pessoas para ajuda-las na solução de seus problemas.
Ele também dá workshops onde coloca as pessoas no lugar dos animais. Isso pode incluir, por exemplo, colocar alguém em cima de uma montanha, e fazê-la imaginar ser uma águia - com sons, bater de asas e tudo o mais - que busca sua presa. Ele sabe que tudo o que faz provoca o riso, mas esse é o maior truque dele. Apesar do ceticismo das pessoas, que podem acha-lo até ingênuo e ridículo, a arte de Marcus Coates cumpre sua função: ele nada mais faz que tirar as pessoas do conhecido, do cotidiano e do convencional, e assim as ajuda a se verem de outra forma, por meio de uma experiência objetiva, porém única.
Afinal, humanos nada mais são que criaturas que tentam negar sua animalidade, submetendo a natureza à sua prepotência.
A dinâmica da sociedade de consumo é uma das coisas mais perversas desses tempos hipermodernos. Assim como Danilo Martuccelli, eu acredito na evidência de que os problemas que a sociedade não consegue resolver, as questões que não consegue elucidar, voltam para o indivíduo, e assim ele terá a responsabilidade de responder e solucionar sozinho - sem ajuda, sem repertório e sem tecnologia pra isso.
É algo do tipo:
"Olha só, inventamos um monte de realidades mentirosas e alternativas, e incutimos uma série de idéias em vocês, mas fodeu... Se deu tudo errado, não prevíamos isso, logo, não saberemos resolver. Seremos obrigados a nos eximir de responsabilidade pelos efeitos nocivos, contrários e colaterais. Desculpaê."
Como profissional de planejamento (e co-criação), tenho algumas regras morais muito claras em relação a isso. São diretrizes pessoais e intransferíveis, e estão inseridas no contexto de uma agência challenger e libertária como a CUBOCC, mas me dão tranquilidade de, no final do dia, não foder a psique e a realidade do consumidor com idéias impossíveis. Eu nunca falo o que as pessoas querem ouvir para escapar à dureza da vida, nem as iludo com motivos para preencher lacunas existenciais. O que me proponho a fazer é dar subsídios, por meio de estratégias de comunicação, para as pessoas resolverem criativamente a questões que meus produtos podem ser parte da solução. 50% depende de esforço pessoal, onde o consumidor é agente indispensável para a mudança.
Se criamos imagens e ideários impossíveis para pessoas que buscam fazer parte deles, algo está muito errado. Falar sem ter espaço para o discurso acontecer é patético. Felizmente parece que vários segmentos de indústrias que se baseiam no imagético para existir estão questionando isso. Artistas, estilistas e revistas também estão aderindo a isso, mostrando o poder da diversidade como elemento de questionamento e, consequentemente, de mudança.
Quando surgem iniciativas como Britain's Missing Top Model, temos uma bela oportunidade para questionarmos esses padrões e ideais utópicos que envenenam nossa individualidade e espontaneidade. 8 garotas lindas, mas com o detalhe de serem portadoras de algum tipo de deficiência, estão numa disputa para um ensaio fotográfico e capa para a Marie Claire britânica pelas lentas do mestre Rankim. Kelly Knox foi a vencedora:
Tá mais que na hora de criarmos imagens que nos ajudem na libertação de conceitos nefastos como esses que vivemos atualmente. É possível mudar... é só querer.
O Transformer criado por Rem Koolhaas and AMO para Prada irá sediar, a partir de março até julho desse ano, quatro eventos em Seul, na Coreia do Sul.
A obra arquitetônica tem lados que podem rotar e virar base.
Para cada evento, uma nova rotação e um novo formato. É um pavilhão que não possui uma única identidade e que muda conforme o conteúdo que abriga em seu interior naquele determinado momento. As noções de espaço mudam, assim como a relação com o tempo.
(Não sei se Keid e Amaral concordam comigo, mas eu diria que é uma construção fundamentada não em cimento, mas em calda).
O projeto:
Rotando em Seul (a base parece um logo que eu conheço):
O nome da festa é uma homenagem ao Yuri Gagarin e representa a celebração daquilo que um dia já foi o projeto para um futuro voador, tecnológico e espacial.
Mais divertido do que isso é fazer sarro com toda aquela baboseira de corrida espacial e guerra fria que a URSS e o EUA protagonizaram por causa de uma coisa tão inútil para a vida do humano como a conquista do espaço.
Nunca consegui descobrir o que eles tanto queriam (e ainda querem, pelo menos a NASA) revelar sobre as galáxias.
Bonito é ver a China seguir o mesmo script para confirmar o status de grande potência.
Exemplo inspirador que acontece no Reino Unido. Com o boom de lojas vazias no centro comercial de Stroud, a duas horas de Londres, as vitrines agora servem como galerias, onde artistas expõem seus trabalhos.
Em constante renovação, as ruas do centro comercial da cidade atraem mais pessoas, que invariavelmente ajudam o comércio local comprando alguma coisa, que mantém empregos, que mantém a economia da cidade aquecida, num ciclo virtuoso criativamente mantido pela arte.