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18.12.09

Viva: já é o suficiente!

Eu não sei o que me fascinou mais. A capacidade particular dessa espécie de polvo em encontrar motivos para sobreviver, ou pensar isso de uma forma mais geral, enxergar essa adaptação como a alma da própria natureza. O habitat onde eles se encontram é incrivelmente perigoso para esses animais, com poucas opções de esconderijo. Ficar embaixo da areia não é suficiente para eles se protegeram dos predadores.

Eles sondam o terreno com os tentáculos, afastam a areia e levantam o coco com uma rotação. Depois de colocar o lado aberto da casca para cima, eles agarram a peça e vão embora. Quando são duas metades, o animal consegue colocar uma dentro da outra.



O uso de ferramentas é algo que se acreditava ser uma habilidade exclusiva dos humanos, mas recentemente esse comportamento tem sido cada vez mais observado entre primatas, outros mamíferos e aves. É fofo, mas ao mesmo tempo cruel, ver um polvo utilizar restos de consumo humano como proteção. O simpático bicho nos ensina uma lição torta: o sentido da vida é apenas viver. Atribuir significado é problema seu, uma vez que o sentido é manter-se vivo. E entre os animais estranhos, somos apenas os humanos.

Fonte: BBC Brasil; Arnaldo Antunes (Entre os animais estranhos,/ eu escolho os humanos)

4.12.09

Os Novos Psicóticos? - Parte 3

Por mais que se tente, ninguém sente (ou talvez jamais sentirá) a dor do outro. E isso vale, principalmente, para a dor com raízes na mente humana, como é o caso da depressão e da ansiedade – dois distúrbios responsáveis pela metade (740 milhões de pessoas) das doenças mentais estimadas no mundo. Esses males causam um sofrimento terrível. Geram angústia e desespero, suas origens não são muito claras e as sensações que provocam – por mais que produzam sintomas identificáveis por um especialista – beiram o intraduzível. A dor causada pela depressão e pela ansiedade é diferente de uma dor de cabeça ou de uma dor decorrente, por exemplo, de um tombo: ela dói, metaforicamente, lá no fundo da alma. E o pior é que essa dor, de acordo com especialistas e com a Organização Mundial de Saúde (OMS), só tende a aumentar. No próximo milênio a mente vai estar mais doente do que nunca. “As doen-ças mentais tendem a proliferar como resultado de múltiplos e complexos fatores sociais, biológicos e psicológicos. Elas são respostas já esperadas de doenças físicas graves e da guerra e do trauma. Mas também de condições sociais adversas, como as altas taxas de desemprego, a educação precária e a pobreza”, afirmou a OMS num relatório publicado este ano. E mais: “Nas próximas décadas tudo indica que as doenças decorrentes de distúrbios mentais e de problemas neurológicos serão ainda maiores.”

(...)

Além de trazer um sofrimento emocional maior é certo que o aumento da depressão e da ansiedade também vai elevar os seus custos sociais. Cinco das dez principais causas de incapacitação profissional no mundo são problemas mentais. Entre eles, a depressão, o transtorno bipolar e o transtorno obsessivo-compulsivo. Só nos Estados Unidos os gastos (incluindo os indiretos) com a depressão chegam a US$ 80 bilhões por ano. Em 2020, a OMS prevê que ela será a segunda doença que mais roubará anos de vida útil da população (a primeira continuará sendo problemas cardiovasculares). Fora isso, a chance de um deprimido cometer suicídio é 35 vezes maior do que a de uma pessoa saudável. Em relação à ansiedade, um estudo feito nos EUA, publicado a partir de 1984, constatou que 68% das mulheres e 60% dos homens que tinham transtorno do pânico estavam desempregados na época e que pessoas com este distúrbio procuram atendimento médico sete vezes mais do que a população comum.


Fonte: Revista Isto É - Nº 1571 – 10 de novembro de 1999

(A partir do twitt do André)

3.12.09

Os Novos Psicóticos?







Renata Salecl, "Sobre a felicidade — Ansiedade e Consumo na Era do Hipercapitalismo", Editora Alameda.

Neste ensaio, que apresenta ao leitor brasileiro sua autora, Salecl faz uso do imenso arsenal disponível na história da cultura, da psicanálise à filosofia de Walter Benjamin, dos mais recentes estudos sobre a ansiedade e o consumo ao fenômeno dos livros de auto-ajuda, a fim de colocar o atual momento da história (e as rápidas e crescentes mudanças na ordem da economia, da tecnologia e da sociedade) em um imaginário divã. Após a leitura de Sobre a felicidade, será difícil continuar acreditando que a democracia representativa faz as pessoas livres, ou que a simples visita a um supermercado é um ato inocente.

A autora: A socióloga e filósofa eslovena Renata Salecl, pertencente ao grupo do filósofo Slavoj Zizek, estuda os fenômenos com-portamentais no atual momento do capitalismo. Professora na London School of Economics e na University of Cambridge, na Inglaterra, ela é autora de On Anxiety (Routledge, 2004) e Perversions of Love and Hate (Verso, 2000).


Via reader do Julio Coutinho, a partir de post do Ricardo Lombardi.

15.7.09

Marcas, pessoas e tattoos

Em nossa sociedade contemporânea, nós somos o que consumimos. Nós usamos o consumo em geral, e marcas e seus produtos em particular, para definir, formar e manter nossas identidades. O que a gente compra e usa tem um duplo significado simbólico: auto-definição e auto-expressão.

Agora, e as marcas que tatuamos?