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1.12.09

Lima 3.0

"Lima colou tantos post-its sobre seu texto que, agora, é um livro só de post-its. É uma nova narrativa!"

Photobucket

Essa a afirmação do coletivo arquitetônico Supersudaca é parte de um estudo sobre a apropriação urbana da cidade nos últimos anos. Ao mesmo tempo, Lima 3.0 se mostra um estudo sobre pessoas na medida que compara a urbanização tardia com movimentos imigratórios.

Mais de 80% da área urbana de Lima tem menos que 40 anos e nesse mesmo período a população imigrante (e seus filhos) passaram a representar mais de 80% dos habitantes (influenciador óbvio na quadruplicação da população total, no mesmo período).

Mais do que o caos urbano exemplificado pela repetição da construção desorganizada de pequenos blocos habitacionais que seriam a princípio temporários, Lima é caracterizada por uma mescla de pessoas e culturas vivendo juntas e, por sua vez, formando uma outra cultura.

Alguns dirão que é a Cultura Chicha. Outros dirão que é como qualquer cidade latino-americana alvo de colonização, com seus bairros típicos. Eu direi que é a construção de um povo único.

pic by anaisanais

30.11.09

Floresta Urbana

Os visionários da MAD Architects criaram um projeto de prédio comercial que valoriza a inclusão de vastas áreas verdes. A intenção deles é replicar a irregularidade de regiões de florestas montanhosas. Para isso, desenharam andares quase abstratos, ligeiramente desnivelados, para passar essa impressão.

O mais legal é a tentativa de quebrar a monotonia do concreto com elementos visuais "naturais". Que os clientes aprovem esse projeto, pois é fantástico. É uma outra interpretação na volta da natureza para espaços urbanos, indo até um pouco além do conceito puramente utilitário da agricultura vertical.

A inspiração:


Visualização do projeto:





Via Design Boom.

2.11.09

iCobertor


Ann Oren é uma artista israelense baseada em Nova Iorque que, durante um intenso dia de inverno no bairro do Brooklyn, resolveu usar a tecnologia que a cercava para se aquecer. Para se manter aquecida, ela colocou um macbook em seu colo e um projetor próximo, para se aproveitar do calor que emanava dele. Segundo ela o resultado foi "absurdamente acolhedor".

Nasceu a partir disso o projeto iBlanket, em tradução applês, iCobertor. No site, Ann Oren descreve o projeto:

iBlanket é um projeto de arte pública. O conceito de iBlanket foi inspirado tanto pela nossa dependência da tecnologia quanto pelo fato de que os computadores laptop fornecerm calor físico quando eles estão em uso. Esta combinação é tomada pelo conceito iBlanket em uma esfera absurda com um anúncio para este produto impraticável. Gostaria de contactar com o público e abrir uma discussão sobre esta imagem problemática, liderado por qualquer um que tenha uma visão sobre o conceito. Por conseguinte, os cartazes serão penduradas nas ruas de Tel-Aviv, Paris, Nova York e Berlim. Os pôsteres convidam o público para ir a este local e iniciar uma discussão ou simplesmente comentar.
  • iBlanket em Tel-Aviv:




















  • iBlanket em Nova Iorque, tapando uma obra do superexposto Shepard Fairey :

iBlanket é ao mesmo tempo uma crítica à onipresença do gênero "i" começado pela Apple, correlacionado à situação dos sem-teto em Nova Iorque nessa época de outono/inverno. Mas acredito que, com o passar do tempo, se o projeto ficar famoso, fãs da maçã talvez não venham a gostar muito. Afinal, não é todo mundo que gosta de ver suas indulgências criticadas. Muito menos a maçonaria Apple.

iBlanket pode ser seguido no Facebook:
http://www.facebook.com/pages/iBlanket/130407008036
e no Twitter:
http://www.twitter.com/iblanket/

17.9.09

Enquanto isso em São Paulo...


Essa plantinha na traseira do carro pode ser um lembrete do valor positivo do inesperado na vida da gente, ainda que no meio do caos de São Paulo. Eu dei meu melhor sorriso ao ver essa cena, e tive a sorte de conseguir registrá-la. Achei linda e subversiva.

5.6.09

Né?




"Toda a seriedade da vida advém de nossa liberdade. Os sentimentos que aprimoramos, as paixões que nutrimos, as ações por nós deliberadas, assentadas, executadas, enfim, o que vem de nós e o que é só nosso, isso é o que confere à vida seu aspecto às vezes dramático e geralmente grave."

Bergson, em O riso.

Quando falamos de liberdade, não sobre ela, confundimos com valor. Por exemplo: só percebemos o valor da nossa liberdade quando a perdemos. O que não tem nada a ver com a tendência do humano civilizado de capitalizar o efêmero. Mas tem a ver com os medos. A única coisa da qual a liberdade deixa livre é do medo. O medo sim tem valor, pois é moeda social. A abdicação ou abolição dos medos civiliza, insere. Ou seja: liberta.

Logo, quem tem cú, tem medo.

12.5.09

The Lost Tribes of New York City

Brilhante observação de como objetos podem ajudar a definir a urbe.

The Lost Tribes of New York City from Carolyn London on Vimeo.



Dica do Thiago Frias.

16.4.09

In The Butt

Hilário projeto de intervenção anarquista open source que prega "Because everything's funnier. In The Butt". Um sticker disponibilizado no tumblr do projeto, te ajuda a participar, recriando mensagens publicitárias.

Subversão inteligente.



Homens que são mulheres

De todas as discriminações sociais, a mais pérfida é a dirigida contra os travestis. Se fosse possível juntar os preconceitos manifestados contra negros, índios, pobres, homossexuais, garotas de programa, mendigos, gordos, anões, judeus, muçulmanos, orientais e outras minorias que a imaginação mais tacanha fosse capaz de repudiar, a somatória não resvalaria os pés do desprezo virulento que a sociedade manifesta pelos travestis.

Quem são esses jovens travestidos de mulheres fatais, que expõem o corpo com ousadia nas esquinas da noite e na beira das estradas?

Apesar da diversidade que os distingue, todos têm em comum a origem: são filhos das camadas mais pobres da população.

A homossexualidade é tão velha quanto a humanidade, sempre existiu uma minoria de homens e mulheres homossexuais em qualquer classe social; caracteristicamente, no entanto, travestis só aparecem nas famílias humildes.

Na infância, foram meninos com jeito afeminado que, se tivessem nascido entre gente culta e com posses, poderiam ser profissionais liberais, artistas plásticos, empresários, costureiros, atores de sucesso. Mas, como tiveram o infortúnio de vir ao mundo no meio da pobreza e da ignorância, experimentaram toda a sorte de abusos: foram xingados nas ruas, ridicularizados na escola, violentados pelos mais velhos, ouviram cochichos e zombarias por onde passaram, apanharam de pais e irmãos envergonhados.

Em ambiente tão hostil poucos conseguem concluir os estudos elementares. Na adolescência, com a autoestima rebaixada, despreparados intelectualmente, saem atrás de trabalho. Quem dá emprego para homossexual pobre?

Se para os mais ricos com diploma universitário não é fácil, imagine para eles. O máximo que conseguem é lugar de cozinheiro em botequim, varredor de salão de beleza na periferia ou atividade semelhante sem carteira assinada.

Vivendo nessa condição, o menino aprende com os parceiros de sina que bastará hormônio feminino, maquiagem para esconder a barba, uma saia mínima com bustiê, sapato alto e um bom ponto na avenida para ganhar numa noite mais do que o salário do mês.

Uma vez na rua, todo travesti é considerado marginal perigoso, sem nenhuma chance de provar o contrário. Pode ser preso a qualquer momento, agredido ou assassinado por algum psicopata, que nenhum transeunte moverá um dedo em sua defesa. "Alguma ele deve ter feito para merecer", pensam todos.

Levado para a delegacia irá parar numa cadeia masculina. Como conseguem sobreviver de sainha e bustiê em celas com 20 ou 30 homens, numa situação em que o mais empedernido machão corre perigo, é para mim um dos mistérios da vida no cárcere, talvez o maior deles.

A condição de saúde dos travestis é precária. Não existe um serviço de saúde com endocrinologistas para orientá-los a respeito dos hormônios femininos que tomam por conta própria.

Muitos injetam silicone na face, nas nádegas, nas coxas, mas sem dinheiro para adquirir o de uso médico, fazem-no com silicone industrial comprado em casa de materiais de construção, injetado por pessoas despreparadas, sem qualquer cuidado de higiene. Com o tempo, esse silicone impróprio escorre entre as fibras musculares dando origem a inflamações dolorosas, desfigurantes, difíceis de debelar.

Ainda os portadores do vírus da Aids encontram algum apoio e assistência médica nos centros especializados, locais em que os funcionários estão mais preparados para aceitar a diversidade sexual. Nos hospitais gerais, entretanto, poucos conseguem passar da portaria, barrados pelo preconceito generalizado, praga que não poupa médicos, enfermeiras e pessoal administrativo.

Os hospitais públicos deveriam ser obrigados a criar pelo menos um posto de atendimento especializado nos problemas médicos mais comuns entre os travestis. Um local em que pudessem ser acolhidos com respeito, para receber orientações sobre uso e complicações de hormônios femininos e silicone industrial, prevenção e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis e práticas de sexo seguro.

A saúde pública não pode continuar dando as costas para essa minoria de homens, só porque eles decidiram adotar a identidade feminina, direito de qualquer um. Quem somos nós para condená-los?

Que autoritarismo preconceituoso é esse que lhes nega acesso à assistência médica, direito mínimo garantido pela Constituição até para o criminoso mais sanguinário?

-- Drauzio Varella
(originalmente publicado na Folha de S. Paulo em 11/04/2009.)

30.3.09

Alô?

Nem a Paulista barulhenta e movimentada impediu um carinha de bater um bom de um papo no orelhão. A conversa devia estar tão interessante - e com previsão de ser longa - que ele simplesmente sentou-se na calçada.

23.3.09

Spike Jonze + Unkle + Lakai

Heaven was used in the acclaimed skate film Fully Flared directed by Spike Jonze and Ty Evans. The collaboration inspired the directors to take footage and re-edit a sequence of shots that shows the Lakai skateboarding team demonstrating their considerable skills as they navigate through and around various exploding obstacles. With Heaven from Unkle as the musical backdrop, the resulting marriage of sound to picture is quite extraordinary.



Update:
E eis que dentro de casa, surge um incrível mashup feito por Mr. Peele Lemos, ao som de Atmosphere, do Joy Division.


Joy Division Vs Spike Jonze from peèle lemos on Vimeo.

21.3.09

Smarties: a ascenção das drogas DIY?

O mais legal em comportamentos adolescentes é a capacidade que eles têm de reinventar a realidade. Em alguns casos, especialmente, de buscar não uma nova realidade, mas o efeito, o simulacro de realidade. Algo que, depois de um tempo, deixa de ter importância, pois algo novo sempre será buscado e encontrado. 

A nova preocupação das associações de pais e mestres nos EUA são o ato de Smokin' Smarties. Essa nova mania acontece há pelo menos um ano. Crianças e adolescentes pegam uma espécie de bala chamada Smarties, cuja composição faz com que os drops soltem uma espécie de poeira fina, e amassam, até ficar bem pózinho. Daí elas ou colocam em um papel e enrolam para parecer cigarro, ou "fumam" na própria embalagem. O pó é aspirado, fica na boca e então, quando solto, fica idêntico a fumaça de cigarro. Alguns teens vão mais além, e soltam pelas narinas.

Médicos, pedagogos, padres e pais-de-santo já se pronunciam a respeito: é um incentivo ao consumo de cigarro ou, quem sabe, maconha. Tem também a questão dos fungos que essa bala pode criar em mucosas, como as do nariz, além de complicações médicas diversas.

A questão é que, como mostram diversos vídeos no YouTube, fumar smarties já é algo que cool kids fazem. E, na boa, quem percebeu isso, foi bem criativo.

Será que, depois do i-Doser, esse hábito de emular o uso de drogas não vai se tornar mainstream? Talvez, pois Smokin' Smarties está ganhando atenção na mídia. E todos sabemos que quando algo ainda está embrionário, e ganha atenção midiática nacional com o carimbo de NÃO PODE, isso vai atiçar ainda mais a vontade de usar por quem não conhecia. Se isso se alastrar, a culpa será de quem?

Eu acho que podemos chamar isso de DIY (do-it yourself) drugs. Soa mais democrático, menos pedante e infinitamente menos perigoso que designer drugs.




20.3.09

Yo tampoco lo usaba

Às vezes, certas mensagens precisam se reinventar para fazer algum efeito nas pessoas. Questões de segurança no trânsito, por exemplo.

22.2.09

Paredes Paulistanas e o Fim da História do Brás


Acontece um fenômeno muito interessante em bairros mais antigos, próximos ao centro de Sampa. Em especial, no Brás. A antiga arquitetura working class das décadas de 30 e 40 é, aos poucos, substituída por medonhos prédios altos e estreitos. Todos são revestidos por horrorosas pastilhas de cerâmica que, além da homogeneidade, dá a impressão de estarmos em frente a banheiros.

Brás era um bairro com história. Hoje, reduzido a um labirinto desalmado sem arborização nenhuma, é apenas uma torre de babel puramente comercial, cujos habitantes, sem a menor sensibilidade estética, destroem as ruas do bairro, transformando-o quase em um banheiro a céu aberto.

Encontrei esse grafite ontem, numa das ruas da minha infância. Foi a primeira vez em anos que me senti bem por visitar meu antigo bairro. Apesar do humor e da beleza das duas obras, senti com tristeza que gato e o coelho me remetiam a uma Alice que entrou no buraco errado.

Queria que a prefeitura fizesse alguma coisa pelo valor histórico do Brás - e São Paulo, como um todo. E, principalmente, impedir que pessoas sem menor noção estética, de arquitetura e urbanismo, parem de transformar São Paulo em um lugar tão inabitável.

9.2.09

Autópsia urbana

A yellow arrow indica que alguém demarcou o local ou objeto, mandou um SMS para gerar um código único e relacionar um conteúdo.

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Daí eu estou andando pela rua, reconheço a seta, mando um SMS com o tal código único e recebo o poema, a música, o game, foto ou texto (...) que alguém relacionou ao indicado.

É como fazer a cidade virar aqueles livros que quando a gente abre, um cenário é montado. E as setinhas servem para articulá-lo.

Ou as autópsias literárias de Brian Dettmer.

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Pra quê tudo isso?
Just to 'make your lives extraordinary, boys'.