Mostrando postagens com marcador Comportamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comportamento. Mostrar todas as postagens

28.10.09

Soundscape Sony

A Fallon de Londres traz uma perspectiva diferente para a música. Numa ilhazinha na costa oeste da Islândia, que por si mesma é a definição de solidão, eles instalaram centenas de speakers da nova linha de áudio da Sony, e tocaram música ininterruptamente por 3 dias. O resultado é um mockuvertising, com as reações das pessoas ao som de artistas como Guillemots, Bob Dylan e Toumani Diabaté.



3 dias. Inteiros. Continuamente. Bombardeados por música. Uma avalanche de informações culturais no meio da calma branca. Será que isso é mesmo ducaralhu?

Sim, é uma visão romântica da música. Mais até que da medicina pitagórica, que atribuía à música um poder terapêutico por excelência. Porém, por mais poético que tenha ficado esse short film, sinto uma prepotência bem parecida com Whooper Virgins, do Burger King:



Numa das cenas de Soundscape, um garoto aparece com um celular. É uma quebra na monotonia da solidão ártica, mas também um elemento estranho, que indica contaminação.

Até que ponto a publicidade pode invadir a vida de pessoas que estão involuntária ou paradoxalmente tão longe, mas tão perto do "mundo ocidental"? Será que um simples par de speakers vai mesmo ser o elemento civilizatório que vai inserir essas pessoas involuntariamente isoladas nas maravilhas do capitalismo? Isso é progresso ou perversão? Será que elas realmente precisam desses produtos culturais e tecnológicos para viverem melhor?

17.4.09

O Google é um parasita?

"O Google é um portal para a audiência de massa. Ou você concorda com seus termos ou sente o peso de sua bota na traqueia."

"A despeito de sua aura jovial e heroico empreendedorismo, que milagrosamente consegue conectar toda a internet, o que vemos é um modelo tóxico e ultrapassado de capitalismo - o clássico cartel que destrói indústrias e iniciativas individuais em busca por lucros cada vez maiores. Apesar de sua diversificação, o Google é, em última análise, um parasita que não cria nada, oferecendo simplesmente um método de listagem, agregação e ordenação de informações geradas por pessoas que investiram capital, trabalho e tempo nesse processo."

"As pessoas percebem no Google elementos sociopatas e delinquentes, talvez a personalidade de um atemorizante menino de 11 anos.

Esse menino de 11 anos não conhece nada além do sucesso e não entende os riscos, esforços e fracassos da criação de um conteúdo original, nem os delicados relacionamentos, além de seus desejos e suas experiências. Naturalmente ele não está preparado para entender que o Google Street View não apenas invade a privacidade de milhões e facilita a vida de assaltantes, mas também acaba com os espaços cívicos."
Henry Potter (o tio do Harry?), The Observer 05/04/09

P.S.: Google é a nova Microsoft da era pós-Obama?

16.4.09

Homens que são mulheres

De todas as discriminações sociais, a mais pérfida é a dirigida contra os travestis. Se fosse possível juntar os preconceitos manifestados contra negros, índios, pobres, homossexuais, garotas de programa, mendigos, gordos, anões, judeus, muçulmanos, orientais e outras minorias que a imaginação mais tacanha fosse capaz de repudiar, a somatória não resvalaria os pés do desprezo virulento que a sociedade manifesta pelos travestis.

Quem são esses jovens travestidos de mulheres fatais, que expõem o corpo com ousadia nas esquinas da noite e na beira das estradas?

Apesar da diversidade que os distingue, todos têm em comum a origem: são filhos das camadas mais pobres da população.

A homossexualidade é tão velha quanto a humanidade, sempre existiu uma minoria de homens e mulheres homossexuais em qualquer classe social; caracteristicamente, no entanto, travestis só aparecem nas famílias humildes.

Na infância, foram meninos com jeito afeminado que, se tivessem nascido entre gente culta e com posses, poderiam ser profissionais liberais, artistas plásticos, empresários, costureiros, atores de sucesso. Mas, como tiveram o infortúnio de vir ao mundo no meio da pobreza e da ignorância, experimentaram toda a sorte de abusos: foram xingados nas ruas, ridicularizados na escola, violentados pelos mais velhos, ouviram cochichos e zombarias por onde passaram, apanharam de pais e irmãos envergonhados.

Em ambiente tão hostil poucos conseguem concluir os estudos elementares. Na adolescência, com a autoestima rebaixada, despreparados intelectualmente, saem atrás de trabalho. Quem dá emprego para homossexual pobre?

Se para os mais ricos com diploma universitário não é fácil, imagine para eles. O máximo que conseguem é lugar de cozinheiro em botequim, varredor de salão de beleza na periferia ou atividade semelhante sem carteira assinada.

Vivendo nessa condição, o menino aprende com os parceiros de sina que bastará hormônio feminino, maquiagem para esconder a barba, uma saia mínima com bustiê, sapato alto e um bom ponto na avenida para ganhar numa noite mais do que o salário do mês.

Uma vez na rua, todo travesti é considerado marginal perigoso, sem nenhuma chance de provar o contrário. Pode ser preso a qualquer momento, agredido ou assassinado por algum psicopata, que nenhum transeunte moverá um dedo em sua defesa. "Alguma ele deve ter feito para merecer", pensam todos.

Levado para a delegacia irá parar numa cadeia masculina. Como conseguem sobreviver de sainha e bustiê em celas com 20 ou 30 homens, numa situação em que o mais empedernido machão corre perigo, é para mim um dos mistérios da vida no cárcere, talvez o maior deles.

A condição de saúde dos travestis é precária. Não existe um serviço de saúde com endocrinologistas para orientá-los a respeito dos hormônios femininos que tomam por conta própria.

Muitos injetam silicone na face, nas nádegas, nas coxas, mas sem dinheiro para adquirir o de uso médico, fazem-no com silicone industrial comprado em casa de materiais de construção, injetado por pessoas despreparadas, sem qualquer cuidado de higiene. Com o tempo, esse silicone impróprio escorre entre as fibras musculares dando origem a inflamações dolorosas, desfigurantes, difíceis de debelar.

Ainda os portadores do vírus da Aids encontram algum apoio e assistência médica nos centros especializados, locais em que os funcionários estão mais preparados para aceitar a diversidade sexual. Nos hospitais gerais, entretanto, poucos conseguem passar da portaria, barrados pelo preconceito generalizado, praga que não poupa médicos, enfermeiras e pessoal administrativo.

Os hospitais públicos deveriam ser obrigados a criar pelo menos um posto de atendimento especializado nos problemas médicos mais comuns entre os travestis. Um local em que pudessem ser acolhidos com respeito, para receber orientações sobre uso e complicações de hormônios femininos e silicone industrial, prevenção e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis e práticas de sexo seguro.

A saúde pública não pode continuar dando as costas para essa minoria de homens, só porque eles decidiram adotar a identidade feminina, direito de qualquer um. Quem somos nós para condená-los?

Que autoritarismo preconceituoso é esse que lhes nega acesso à assistência médica, direito mínimo garantido pela Constituição até para o criminoso mais sanguinário?

-- Drauzio Varella
(originalmente publicado na Folha de S. Paulo em 11/04/2009.)

7.4.09

Yuri's Night




O nome da festa é uma homenagem ao Yuri Gagarin e representa a celebração daquilo que um dia já foi o projeto para um futuro voador, tecnológico e espacial.

Mais divertido do que isso é fazer sarro com toda aquela baboseira de corrida espacial e guerra fria que a URSS e o EUA protagonizaram por causa de uma coisa tão inútil para a vida do humano como a conquista do espaço.

Nunca consegui descobrir o que eles tanto queriam (e ainda querem, pelo menos a NASA) revelar sobre as galáxias.

Bonito é ver a China seguir o mesmo script para confirmar o status de grande potência.

21.3.09

Smarties: a ascenção das drogas DIY?

O mais legal em comportamentos adolescentes é a capacidade que eles têm de reinventar a realidade. Em alguns casos, especialmente, de buscar não uma nova realidade, mas o efeito, o simulacro de realidade. Algo que, depois de um tempo, deixa de ter importância, pois algo novo sempre será buscado e encontrado. 

A nova preocupação das associações de pais e mestres nos EUA são o ato de Smokin' Smarties. Essa nova mania acontece há pelo menos um ano. Crianças e adolescentes pegam uma espécie de bala chamada Smarties, cuja composição faz com que os drops soltem uma espécie de poeira fina, e amassam, até ficar bem pózinho. Daí elas ou colocam em um papel e enrolam para parecer cigarro, ou "fumam" na própria embalagem. O pó é aspirado, fica na boca e então, quando solto, fica idêntico a fumaça de cigarro. Alguns teens vão mais além, e soltam pelas narinas.

Médicos, pedagogos, padres e pais-de-santo já se pronunciam a respeito: é um incentivo ao consumo de cigarro ou, quem sabe, maconha. Tem também a questão dos fungos que essa bala pode criar em mucosas, como as do nariz, além de complicações médicas diversas.

A questão é que, como mostram diversos vídeos no YouTube, fumar smarties já é algo que cool kids fazem. E, na boa, quem percebeu isso, foi bem criativo.

Será que, depois do i-Doser, esse hábito de emular o uso de drogas não vai se tornar mainstream? Talvez, pois Smokin' Smarties está ganhando atenção na mídia. E todos sabemos que quando algo ainda está embrionário, e ganha atenção midiática nacional com o carimbo de NÃO PODE, isso vai atiçar ainda mais a vontade de usar por quem não conhecia. Se isso se alastrar, a culpa será de quem?

Eu acho que podemos chamar isso de DIY (do-it yourself) drugs. Soa mais democrático, menos pedante e infinitamente menos perigoso que designer drugs.




20.3.09

Yo tampoco lo usaba

Às vezes, certas mensagens precisam se reinventar para fazer algum efeito nas pessoas. Questões de segurança no trânsito, por exemplo.

6.3.09

The 5 Litres Experiment

O Vinicius, que trampa aqui no concept da CUBOCC, nos enviou um link deveras curioso: The 5 Litres Experiment. É algo como um concurso.

Reza a lenda que 2 estudantes ingleses (Oxford) começaram um desafio que se materializou nesse site. O desafio é ver qual o primeiro homem que consegue encher um garrafão de 5 litros com... esperma.

Pra participar é simples: cadastre-se, receba a garrafa em casa e vá enchendo o garrafão. Quem encher primeiro, além da - digamos - glória, vai ganhar 50 litros de leite durante 1 ano inteiro.


Tem até vídeo explicativo:




Algumas curiosidades:

1) Tem cara, jeito e intenção de viral. Logo, deve ser viral;
2) Aparecem dois endereços que não funcionam no video: Ejaculated Inc. e EAA. Ajudarão a explicar alguma coisa;
3) Tá muito bem produzido para não ser fake, além da lendinha de "começou com dois estudantes...", blablabla...;
4) O site é hospedado na Espanha, e alguns itens no código fonte do site estão em espanhol também;
5) Os videos estão disponiveis em 5 idiomas, incluindo o... romeno. (O_o)

Se for mesmo mais um - urgh - viral, a coisa pega um pouco, pois começa a ficar chato. Não faz mais sentido insistir em teaser numa época em que, cada dia mais, os consumidores assumem postura cinica quanto a esse tipo de estratégia. Se for só um experimento artsy, do genero PostSecret, é uma idéia muito legal.

Vamos ver o que o tempo nos diz.

3.3.09

As Damas de Xochiquetzal

Documentário brilhante da Vice sobre um asilo para prostitutas no México, chamado Casa Xochiquetzal. O doc mostra um pouco das histórias dessas damas da noite velhas de guerra, mas algumas ainda na ativa.

Em 3 partes:





27.2.09

Oi! Eu sou um Furry - q


Se existe algo que eu gostaria de hypar atualmente são os furries. Aos poucos eles já vão se incorporando à cultura pop - eles já apareceram nas séries Entourage, CSI e foram pauta da classuda revista Vanity Fair. Até a Coca-Cola, em seu comercial Avatar, deu espaço para várias dessas manifestações comportamentais:




Mas WTF é um Furry? Podemos defini-los como um grupo de pessoas fãs de Furry Art e colecionadores de artigos ou publicações Furries. Ou, mais especificamente, segundo o site Abando:

"(Furries) são pessoas que participam de uma subcultura focada na natureza e amantes de personagens imaginários dos autores de desenhos animados onde seres das mais variadas raças, mitológicas ou não tomam vida e agem em uma sociedade paralela à humana.

Existem vários tipos de Furries, tal como aqueles que cultuam valores que remetem ao druidismo e reverência ao espírito da natureza, cartoon furries que são os genuínos amantes de desenhos animados até aos antropomorfos e theriantropos cuja sociedade é semelhante à sociedade humana nos vários períodos da história, lembrando muitas vezes, a era vitoriana: só com a diferença de que os avatares (ou fursonas) são humanos com características animais, tais como patas, caudas, cabeça (semelhante aos seres mitológicos de todas as sociedades como o anubis na cultura egípcia, a sereia, capelobo ou ipupiara)."

Existem alguns muitos subgrupos, e cada um mais peculiar que o outro. Nos EUA convenções atraem cerca de 3 mil entusiastas, além de inúmeros sites, foruns e comunidades dedicadas.

No Brasil ainda não se tem notícia de convenções, mas o tema é conversado em diversos foruns, assim como em uma comunidade exclusiva para o assunto: Furry Brasil.

O mais legal disso é a capacidade que algumas pessoas tem de inventar outras realidades, em universos paralelos à vida real. Isso não apenas é possível, mas intuo que até certo ponto, seja saudável: não há nada pior que viver entricheirado em suas fantasias, sem espaço para expressa-las. Furries são o oposto disso.

Hype Já!