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21.10.09

Neo-hedonismo mostra a cara

Uma das coisas que percebemos entre o consumidor jovem aqui na CUBOCC, e dissemos na palestra sobre Geração Y no ResultsON Day, parece que está para se materializar em forma de produto cultural.

A Giu já tinha falado conosco a respeito, mas o Lucio Ribeiro deu mais detalhes no blog dele. (Bom, sem querer ser chato, mas eu editei o texto do blog. Olha, gosto do conteúdo do PopLoad, mas às vezes erram a mão no queerism. Calma, galere. Desculpem-me os jornalistas, ou até o próprio Lucio, mas aquele accent pajubá estava insuportável. Gente, não precisa disso, pois não é essa afetação camp que faz algo moderno. No máximo parece uma conversa entre travestis quarentonas old school em fim de noite na Rego Freitas.) Enfim, mas vamos às infos:

"420": São Paulo ganha seu seriado baseado em fatos reais

São Paulo recebe a partir de novembro as primeiras transmissões virtuais de "420": , um seriado sobre amizade, loucuras, gente legal e muita música. Idéia do videomaker Felipe Dall’Anese, "420"será uma coleção de curtas de uns 8 minutos cada que serão postados semanalmente em um site a ser divulgado.

Partindo da idéia de que “a vida dos meus amigos daria um seriado”, o diretor juntou um cast de 10 pessoas amigas, não atores, não amigos e atores para montar personagens que de certa forma representem o lifestyle de quem sai para clubes, shows, festinhas em casa, passeios, encontros, exposições em São Paulo. O que for, desde que reúna uma boa historinha que mereça ser enquadrado de modo estiloso dentro de um vídeo de oito minutos.

"420" conta com uma galera atuante de SP, em sua maioria, mas que se relaciona com amigos de BH, Porto Alegre, Londres. No Twitter, já rolou uma ação de divulgação, um viral em stopmotion e trilha legal mostrando o que vem por aí.



O seriado confirma nossas suspeitas e observações sobre o Neo-Hedonismo, que você pode ver aqui.

Mas não é nem isso que nos anima, e sim a possibilidade de uma visão mais realista e menos romantica sobre o Brasil que nos cerca. E mais, conteúdo brasileiro, falado em português sem o cabecismo acadêmico do cinema nacional, numa linguagem mais urbana. Isso é muito legal.

Parabéns, Felipe, pela coragem de investir nisso. Eu pelo menos estou ansioso para as cenas dos próximos capítulos.

17.9.09

Enquanto isso em São Paulo...


Essa plantinha na traseira do carro pode ser um lembrete do valor positivo do inesperado na vida da gente, ainda que no meio do caos de São Paulo. Eu dei meu melhor sorriso ao ver essa cena, e tive a sorte de conseguir registrá-la. Achei linda e subversiva.

22.2.09

Paredes Paulistanas e o Fim da História do Brás


Acontece um fenômeno muito interessante em bairros mais antigos, próximos ao centro de Sampa. Em especial, no Brás. A antiga arquitetura working class das décadas de 30 e 40 é, aos poucos, substituída por medonhos prédios altos e estreitos. Todos são revestidos por horrorosas pastilhas de cerâmica que, além da homogeneidade, dá a impressão de estarmos em frente a banheiros.

Brás era um bairro com história. Hoje, reduzido a um labirinto desalmado sem arborização nenhuma, é apenas uma torre de babel puramente comercial, cujos habitantes, sem a menor sensibilidade estética, destroem as ruas do bairro, transformando-o quase em um banheiro a céu aberto.

Encontrei esse grafite ontem, numa das ruas da minha infância. Foi a primeira vez em anos que me senti bem por visitar meu antigo bairro. Apesar do humor e da beleza das duas obras, senti com tristeza que gato e o coelho me remetiam a uma Alice que entrou no buraco errado.

Queria que a prefeitura fizesse alguma coisa pelo valor histórico do Brás - e São Paulo, como um todo. E, principalmente, impedir que pessoas sem menor noção estética, de arquitetura e urbanismo, parem de transformar São Paulo em um lugar tão inabitável.