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29.10.09

A moça e os moralistas imorais



Nesse caso da moça e os estudantes da Uniban, existem algumas coisas que Contardo Calligaris definiu muito bem em outros assuntos, em suas colunas na Folha de S. Paulo, mas que vale para esse. Contardo, como bom observador do humano moderno, tem insights interessantes do ponto de vista psicanalítico. Como opinião de blogueiro não pode valer nesse caso - desculpem-me, mas é questão de estofo intelectual mesmo -, resolvi entender isso à luz da psicanálise. Nesse lamentável episódio, temos duas figuras que ajudam a entender o contexto do alvoroço em torno da moça, em especial o lamentável comportamento dos envolvidos, que gritavam "puta, puta", como se isso sequer fosse algo ruim:

(...)Afinal, depois de um bom século de psicologia e psiquiatria dinâmicas, estamos certos disto: o moralizador e o homem moral são figuras diferentes, se não opostas. 1) O homem moral se impõe padrões de conduta e tenta respeitá-los; 2) O moralizador quer impor ferozmente aos outros os padrões que ele não consegue respeitar.

(...)Quem coloca ruidosamente a caça aos marajás no centro de sua vida está lidando (mal) com sua própria vontade de colocar a mão no pote de marmelada. Quem esbraveja raivosamente contra "veados" e travestis está lidando (mal) com suas fantasias homossexuais. Quem quer apedrejar adúlteros e adúlteras está lidando (mal) com seu desejo de pular a cerca ou (pior) com seu sadismo em relação a seu parceiro ou sua parceira.

O exemplo da adúltera, aliás, serve para lembrar que a psicologia dinâmica, no caso, confirma um legado da mensagem cristã: o apedrejador sempre quer apedrejar sua própria tentação ou sua culpa.

Como toda manifestação passional, o desenrolar das coisas é obscuro. Fala-se em tentativa de estupro por parte de alguns machos de plantão, além dos gritos de puta, por parte de algumas fêmeas. Em alguns casos, ouvimos falar que ela, a moça que ousou demonstrar sua feminilidade de forma mais clara, de certa forma teria que arcar com as consequências de sua libido. Afinal, como qualquer morador de país pobre, somos moralistas e, consequentemente, somos hipócritas. Nos agarramos ao nosso moralismo como forma de controlarmos o que há de mais animalesco em nós. Adjetivamos a moça como puta, por não sabermos o que fazer com nossa liberdade. Somos ovelhinhas nervosas.

A forma da moralidade moderna não é o veredicto, mas a pergunta. Para nós, é moral quem passa constantemente pelos impasses insolúveis de questões morais concretas. E é propriamente imoral o moralista, que declara saber de antemão o que é o bem e o que é o mal. O moralista é imoral porque, julgando o próximo segundo um sistema de regras instituídas, ele evita o rigor da exigência moral moderna. Castigar os outros é, para ele, o melhor jeito de desconhecer seus desejos menos confessáveis. Ou seja, o moralista condena para se absolver.

Hipocrisia sustenta pessoas assim, com vidas sexuais frágeis, que gozam mal e descontam em alguém que ousa ser diferente da manada. A sexualidade do brasileiro, além de hipócrita, é pobre também. Entendem sexualidade como função dos órgãos genitais, deixando de lado o simbólico do que somos feitos. Ainda temos um longo caminho a percorrer.

A distinção entre homem moral e moralizador tem alguns corolários relevantes. Primeiro, o moralizador é um homem moral falido: se soubesse respeitar o padrão moral que ele se impõe, ele não precisaria punir suas imperfeições nos outros. Segundo, é possível e compreensível que um homem moral tenha um espírito missionário: ele pode agir para levar os outros a adotar um padrão parecido com o seu. Mas a imposição forçada de um padrão moral não é nunca o ato de um homem moral, é sempre o ato de um moralizador.
Em geral, as sociedades em que as normas morais ganham força de lei (os Estados confessionais, por exemplo) não são regradas por uma moral comum, nem pelas aspirações de poucos e escolhidos homens exemplares, mas por moralizadores que tentam remir suas próprias falhas morais pela brutalidade do controle que eles exercem sobre os outros. A pior barbárie é isto: um mundo em que todos pagam pelos pecados de hipócritas que não se agüentam.

Intuo que essas universidades deveriam ter jaulas, e todos os alunos deveriam ser adestrados ou arrebanhados, como boas ovelhas moralistas que são. Cara, recomeça tudo, pois vai ser daqui pra pior... Que merda.

21.10.09

Neo-hedonismo mostra a cara

Uma das coisas que percebemos entre o consumidor jovem aqui na CUBOCC, e dissemos na palestra sobre Geração Y no ResultsON Day, parece que está para se materializar em forma de produto cultural.

A Giu já tinha falado conosco a respeito, mas o Lucio Ribeiro deu mais detalhes no blog dele. (Bom, sem querer ser chato, mas eu editei o texto do blog. Olha, gosto do conteúdo do PopLoad, mas às vezes erram a mão no queerism. Calma, galere. Desculpem-me os jornalistas, ou até o próprio Lucio, mas aquele accent pajubá estava insuportável. Gente, não precisa disso, pois não é essa afetação camp que faz algo moderno. No máximo parece uma conversa entre travestis quarentonas old school em fim de noite na Rego Freitas.) Enfim, mas vamos às infos:

"420": São Paulo ganha seu seriado baseado em fatos reais

São Paulo recebe a partir de novembro as primeiras transmissões virtuais de "420": , um seriado sobre amizade, loucuras, gente legal e muita música. Idéia do videomaker Felipe Dall’Anese, "420"será uma coleção de curtas de uns 8 minutos cada que serão postados semanalmente em um site a ser divulgado.

Partindo da idéia de que “a vida dos meus amigos daria um seriado”, o diretor juntou um cast de 10 pessoas amigas, não atores, não amigos e atores para montar personagens que de certa forma representem o lifestyle de quem sai para clubes, shows, festinhas em casa, passeios, encontros, exposições em São Paulo. O que for, desde que reúna uma boa historinha que mereça ser enquadrado de modo estiloso dentro de um vídeo de oito minutos.

"420" conta com uma galera atuante de SP, em sua maioria, mas que se relaciona com amigos de BH, Porto Alegre, Londres. No Twitter, já rolou uma ação de divulgação, um viral em stopmotion e trilha legal mostrando o que vem por aí.



O seriado confirma nossas suspeitas e observações sobre o Neo-Hedonismo, que você pode ver aqui.

Mas não é nem isso que nos anima, e sim a possibilidade de uma visão mais realista e menos romantica sobre o Brasil que nos cerca. E mais, conteúdo brasileiro, falado em português sem o cabecismo acadêmico do cinema nacional, numa linguagem mais urbana. Isso é muito legal.

Parabéns, Felipe, pela coragem de investir nisso. Eu pelo menos estou ansioso para as cenas dos próximos capítulos.

15.7.09

Kodak: naïf, simples e encantador. Mas nos anos 60.

Nos anos 60, quando ainda tínhamos a ilusão de previsibilidade em várias áreas de nossas vidas, creio que a Kodak teve um pensamento muito simples. A pessoa que cuidava de comunicação deve ter feito a seguinte pergunta para a agência:

Como posso dar ao meu consumidor novos motivos para ele usar o meu produto?

O resultado provável: Kodak Poster Pak.

Hoje em dia provavelmente a resposta é que guiaria a pergunta: isso é engagement? isso é branding? isso é activation? isso é btl/atl? é 360?

Bring it back to simple, assholes.

Update:

Esqueci de uma: isso é transmedia?











6.4.09

Sempre a cantar

Why the fuck do you have a kid




























































No Brasil, o Datafolha fez uma pesquisa há 12 meses que dizia: quatro em cada dez filhos brasileiros não foram planejados. Em 56% dos casos, isso acontece entre jovens de 16 a 24 anos de idade.
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Acontece tudo tão rápido e adiantado pra esses jovens que eles não têm tempo para parar e pensar se querem, se gostam ou se o que fazem está de acordo com o que acham certo.

Tem projeto lá fora abrindo o olhos da moçada sobre harassment nos relacionamentos.

Está te obrigando a tirar fotos sem roupa? Liga demais controlando onde e com quem você está?

That's not Cool