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28.6.10
9.5.10
O Trabalho e a Arte de Viver
Há alguns anos tenho desenvolvido uma insônia irritante. Em parte pelo meu amor à cafeína, por outro lado, pelo fato de teimar em ler e/ou ver filmes antes de dormir, já que é o único momento do dia que tenho livre. Porém, há duas semanas, é um humilde livro de bolso de 64 páginas que tem me tirado o sono. E isso me tem feito feliz.
O livro é de um autor que até então me era desconhecido, o australiano Roman Krznaric. Nome estranho, mas um escritor pragmático, com uma prosa muito simpática, que consegue a proeza de ser ao mesmo tempo leve enquanto cutuca feridas. O livrinho em questão chama-se Work and the Art of Living, cuja tradução em português é o título desse artigo. Nele o autor questiona a máxima de Mark Twain, que afirma ser o trabalho um mal necessário a ser evitado. Krznaric afirma, por meio de um mergulho em reflexões culturais, históricas e psicológicas, justamente o contrário – trabalho pode sim ser prazeroso. E mais: pode enriquecer nossa alma.
Ele sabe que não é fácil, mas nos leva à consciência do quanto podemos nos contaminar pela variável “acomodação”, como no seguinte trecho:
O restante desse livrinho ajuda a humanizar o trabalho, e faz refletir sobre questões existenciais maiores, relativas à vida profissional: faço um trabalho que realmente amplia meus horizontes e é grande o suficiente para minha alma? Será que trabalho demais – e será que pelos motivos errados? O que devo buscar por meio do trabalho – dinheiro, status ou uma consciência mais profunda de sentido e significado? Como supero meus medos e desenvolvo minha confiança para mudar?
Não temos mais que perseguir o modelo de vida de nossos pais. Ao contrário deles, o que não nos faltam são opções, mas no fundo, ainda queremos os valores de épocas que não existem mais. Embora o Brasil ainda se apegue a conceitos como estabilidade e segurança, conheci e tive a honra de trabalhar no desenvolvimento da comunicação de um projeto de pessoas que, sem querer, seguem a lógica do livro. A verdade é que eles foram além, e trazem os atributos essenciais do papel de uma empresa contemporânea. Acredito também que esse projeto pode ser um antídoto para a insônia de muita gente.
Falo do AREA, um hub empreendedor que já existe e dá seus primeiros passos em São Paulo, mas que muito em breve vai ser uma outra definição para a palavra mudança. Não são daqueles grupos de investimento tradicionais e míopes, muito pelo contrário. Nas palavras deles, a missão do AREA “é capacitar jovens a transformarem boasidéias em empresas lucrativas e com forte impacto positivo na sociedade, utilizando para isso soluções de conhecimento, tecnologias e conexões para jovens empreendedores alcançarem a realização pessoal e o sucesso de seus negócios.” Do plano de negócios aos investidores, passando por suporte intelectual, o AREA acompanha a realização do sonho.
Isso significa trazer definitivamente para o Brasil a noção de que empresas e suas marcas têm que ir além na relação de consumo. AREA traz uma perspectiva que já é realidade em outros países: o consumidor não quer apenas a troca de seu dinheiro por benefícios emocionais/funcionais de produto – quer saber o que a empresa faz para tornar o mundo um lugar melhor. Isso é impacto positivo, onde todos ganham pois se preservam. Por si mesmo, o AREA é a materialização dessa ideia, e nos ajuda a acreditar que isso é possível.
Sinto que muitos de nós têm medo de abrir mão do que o senso comum chama de conquistas profissionais. Mas olhando bem de perto, parece mais uma realidade miserável e sem criatividade, onde a única recompensa é o salário certo todos os meses (uma indenização por não se fazer o que quer?). O mundo corporativo não foi concebido para dar espaço à sua individualidade, já que empresas pedem por características que caibam em caixinhas predeterminadas. Assim, nesse círculo vicioso, o cinismo paralisa, o medo torna-se a norma, e a alma morre aos poucos.
O fato é que a vida de todos nós é 100% feita de incertezas. Mas acreditar que uma mudança é possível e agir para fazer acontecer, já acena que se tem no mínimo 50% de chance de sucesso. Seja como for, você já ganha muito.
[Artigo publicado na ResultsOn, em 03.05.2010]
O livro é de um autor que até então me era desconhecido, o australiano Roman Krznaric. Nome estranho, mas um escritor pragmático, com uma prosa muito simpática, que consegue a proeza de ser ao mesmo tempo leve enquanto cutuca feridas. O livrinho em questão chama-se Work and the Art of Living, cuja tradução em português é o título desse artigo. Nele o autor questiona a máxima de Mark Twain, que afirma ser o trabalho um mal necessário a ser evitado. Krznaric afirma, por meio de um mergulho em reflexões culturais, históricas e psicológicas, justamente o contrário – trabalho pode sim ser prazeroso. E mais: pode enriquecer nossa alma.
Ele sabe que não é fácil, mas nos leva à consciência do quanto podemos nos contaminar pela variável “acomodação”, como no seguinte trecho:
“Às vezes pode parecer impossivel mudarmos nossas vidas profissionais, especialmente quando nos sentimos imobilizados por qualificações limitadas e a necessidade de pagarmos nossas contas. Simultaneamente, jogados na turbulência de uma crise econômica global, mudar pode parecer não apenas arriscado, mas até mesmo uma indulgência. Ainda assim, são exatamente nesses momentos de impasse ou crise que novas oportunidades podem surgir – não apenas na sociedade como um todo, mas em nossas próprias vidas”.
O restante desse livrinho ajuda a humanizar o trabalho, e faz refletir sobre questões existenciais maiores, relativas à vida profissional: faço um trabalho que realmente amplia meus horizontes e é grande o suficiente para minha alma? Será que trabalho demais – e será que pelos motivos errados? O que devo buscar por meio do trabalho – dinheiro, status ou uma consciência mais profunda de sentido e significado? Como supero meus medos e desenvolvo minha confiança para mudar?
Não temos mais que perseguir o modelo de vida de nossos pais. Ao contrário deles, o que não nos faltam são opções, mas no fundo, ainda queremos os valores de épocas que não existem mais. Embora o Brasil ainda se apegue a conceitos como estabilidade e segurança, conheci e tive a honra de trabalhar no desenvolvimento da comunicação de um projeto de pessoas que, sem querer, seguem a lógica do livro. A verdade é que eles foram além, e trazem os atributos essenciais do papel de uma empresa contemporânea. Acredito também que esse projeto pode ser um antídoto para a insônia de muita gente.
Falo do AREA, um hub empreendedor que já existe e dá seus primeiros passos em São Paulo, mas que muito em breve vai ser uma outra definição para a palavra mudança. Não são daqueles grupos de investimento tradicionais e míopes, muito pelo contrário. Nas palavras deles, a missão do AREA “é capacitar jovens a transformarem boasidéias em empresas lucrativas e com forte impacto positivo na sociedade, utilizando para isso soluções de conhecimento, tecnologias e conexões para jovens empreendedores alcançarem a realização pessoal e o sucesso de seus negócios.” Do plano de negócios aos investidores, passando por suporte intelectual, o AREA acompanha a realização do sonho.
Isso significa trazer definitivamente para o Brasil a noção de que empresas e suas marcas têm que ir além na relação de consumo. AREA traz uma perspectiva que já é realidade em outros países: o consumidor não quer apenas a troca de seu dinheiro por benefícios emocionais/funcionais de produto – quer saber o que a empresa faz para tornar o mundo um lugar melhor. Isso é impacto positivo, onde todos ganham pois se preservam. Por si mesmo, o AREA é a materialização dessa ideia, e nos ajuda a acreditar que isso é possível.
Sinto que muitos de nós têm medo de abrir mão do que o senso comum chama de conquistas profissionais. Mas olhando bem de perto, parece mais uma realidade miserável e sem criatividade, onde a única recompensa é o salário certo todos os meses (uma indenização por não se fazer o que quer?). O mundo corporativo não foi concebido para dar espaço à sua individualidade, já que empresas pedem por características que caibam em caixinhas predeterminadas. Assim, nesse círculo vicioso, o cinismo paralisa, o medo torna-se a norma, e a alma morre aos poucos.
O fato é que a vida de todos nós é 100% feita de incertezas. Mas acreditar que uma mudança é possível e agir para fazer acontecer, já acena que se tem no mínimo 50% de chance de sucesso. Seja como for, você já ganha muito.
[Artigo publicado na ResultsOn, em 03.05.2010]
12.4.10
Mundo em Beta
Vamos fazer diferente dessa vez, e queria começar por esse texto. Por vezes é preciso deixar as teorias, gurus e especialistas de lado. Não sei quanto a vocês, mas estou num momento São Tomé. Preciso de práticas, de exemplos, de pessoas que foram lá e fizeram, e continuam a fazer. Simples assim. O que essas pessoas viram que não vemos? O que move essas pessoas para cairem de cabeça no diferente, no inusitado, criando assim algo singular? Mas já aviso que, dentre esses exemplos, existe uma mensagem: o mundo está definitivamente em beta. A seguir, as empresas que me fascinaram, e estão querendo mudar a ordem das coisas, repensando o que é fazer negócios, a partir de uma atitude que pede, principalmente, aceitar que vão cometer alguns erros.
1) Noko Jeans

Marca de jeans sueca. Noko é diminutivo de North Korea (Coréia do Norte). A mesma Coréia do Norte de Kim Jong-Il, isolada do mundo, e que os EUA atribuem o pesadelo da paz mundial, já que eventualmente testa umas bombas perto da sua irmã, a Coréia do Sul. Mas para que esses suecos dariam a uma marca esse nome? Mas não é só o nome, pois as peças são produzidas lá. O país, e isso eu não sabia, é um profílico e qualificado produtor de jeans. Com essa informação em mãos, e munidos de consciência política, Noko Jeans instiga ativismo por meio do comércio. Seu jeans, de edição limitada, são mais do que produzidos lá. Eles trazem em si a mensagem de que, além do governo, existe uma população calorosa, receptiva, trabalhadora, e que não tem que pagar pela loucura de seu líder supremo. Os fundadores da marca a criaram com o intuito de formar uma conexão emocional positiva com um país cuja imagem até pode ser assustadora, mas sua população, humana como todos nós, está isolada. E essa história pode ser encontrada na flagship da marca em Estocolmo - o Noko Jeans Museum.
>> Noko Jeans
>> Noko Jeans @ Facebook
2) AntiSweden

Outra marca de jeans, só que norueguesa. Eu ri muito com o nome, anti-Suécia, mas depois de conhecê-los entendi os motivos: Noruega foi ofuscada (e perde feio) para Suécia no cenário global, principalmente por essa última ser bem sucedida e uma referência em arquitetura, design e moda. AntiSweden é a resposta fashion norueguesa a isso, porém com um viés tão irônico, que as defesas politicamente corretas vão por água abaixo. Os donos da marca se apropriaram de algo que torna a Noruega particularmente famosa por entre jovens no mundo todo, que é o Black Metal. Toda a imagética da marca gira em torno disso - as estampas, o conceito das coleções e o patrocínio de bandas norueguesas dessa vertente musical que fazem shows pelo mundo. De acordo com o site, a AntiSweden "quer fazer uma marca que crie produtos com edições limitadas e altamente desejados, por meio de artistas e músicos que dividam conosco a mesma visão perturbada e obscura, assim como o amor pelo culto ao Black Metal". O melhor é a ironia, que, por conta da sutileza, não ofende ninguém. Esses noruegueses nos ensinam que existe espaço para práticas de branding mais ficcionais, baseadas numa ironia sofisticada, e que se aprofunde mais em nichos culturais para criar desejos.
>> AntiSweden
3) Civilist

Mais que uma loja, é um hub que concentra o melhor da cultura urbana, bem no centro de Berlim. Os donos são editores da Lodown, uma revista sobre cultura pop e cultura urbana, e o nome é uma referência ao passado recente imposto pelo muro de Berlim. Civilist é uma alusão a Zivilist, o nome que os dirigentes da Alemanha Oriental davam a seus habitantes. Mas uma possível imagem de hierarquia e repressão que esse fato possa trazer, é tudo o que essa loja não é. Civilist é um convite à desobediência das regras sobre o que é fazer varejo. Existe um ponto de venda físico, mas seu espaço interno pode se transformar a qualquer momento. A loja, que concentra as marcas mais desejadas do universo de streetwear, e que normalmente fica logo que se abre a porta, pode mudar para o porão sem nenhum aviso, pois uma exposição de última hora pode ocorrer. Ou uma palestra, workshop, show ou uma instalação, não importa. O que o público DEVE esperar é esse morfismo, pois a loja não quer sobreviver apenas da venda de roupas, mas sim da oportunidade de oferecer ao seu público mais sobre cultura urbana e suas manifestações.
>> Lodown
>> Civilist
4) Ace Hotels

Ace faz parte da nova geração de hotéis que surgem pelo mundo: mais baratos, porém sem abrir mão do design e de oferecer aos seus hóspedes uma experiência transformadora. A rede Ace tem com cerne de sua existência conceitos como o mundo orgânico, práticas verdes e o cooperativismo para compor o seu negócio. Também se preocupam em entregar a cultura local para quem lá se hospeda. De acordo com seu diretor, Jan Rozenveld, "se sentimos um 'click' em alguém, e percebemos que essa pessoa é apaixonada pelo que faz, damos um jeito de fazê-la ser parte do nosso negócio". Daí é muito comum perceber uma série de pequenas lojas a partir do lobby do hotel, que entregam o que há de mais legal, único, exclusivo e local, relativo à cidade onde se encontra a unidade Ace. Isso vale para restaurantes, cafés e lojas anti-souvenir, como a encontrada na unidade de Nova Iorque, a Project No. 8. Agregando ao seu universo pequenos negócios com personalidade, a rede hoteleira constrói uma imagem única, dando aos seus hóspedes mais que acomodações confortáveis e moderninhas a bom custo - traz a eles um pedaço da história da cidade.
>> Ace Hotel
>> Project No. 8
Essas empresas podem lembrar um pouco as antigas start-ups web dos anos 2000, mas passam bem longe das indústrias relacionadas a tecnologia. Elas têm sua existência baseada no mundo real, porém alimentam projetos que remetem ao caráter desestruturador das antigas start-ups. Elas são, de alguma maneira, a expressão do cansaço à virtualidade, pois todas se baseiam em relações interpessoais, humanas e de negócios concretos para existir.
Elas são agressivas, ousadas, e precisam de um pouco de risco e erro para acontecer. Seus negócios são propositadamente de menor escala, mas com alto valor simbólico. Por serem baseadas em networks, são altamente reativas e estão em desenvolvimento e aprimoramento constantes. Levam em consideração a flexibilidade e entendem negócios como algo mais experimental e humano, menos linear e lógico. Existe apelo mais libertador e criativo para esses tempos imprevisíveis e voláteis em que vivemos do que ser beta?
[Artigo publicado na ResultsOn, em 12.04.10]
1) Noko Jeans
Marca de jeans sueca. Noko é diminutivo de North Korea (Coréia do Norte). A mesma Coréia do Norte de Kim Jong-Il, isolada do mundo, e que os EUA atribuem o pesadelo da paz mundial, já que eventualmente testa umas bombas perto da sua irmã, a Coréia do Sul. Mas para que esses suecos dariam a uma marca esse nome? Mas não é só o nome, pois as peças são produzidas lá. O país, e isso eu não sabia, é um profílico e qualificado produtor de jeans. Com essa informação em mãos, e munidos de consciência política, Noko Jeans instiga ativismo por meio do comércio. Seu jeans, de edição limitada, são mais do que produzidos lá. Eles trazem em si a mensagem de que, além do governo, existe uma população calorosa, receptiva, trabalhadora, e que não tem que pagar pela loucura de seu líder supremo. Os fundadores da marca a criaram com o intuito de formar uma conexão emocional positiva com um país cuja imagem até pode ser assustadora, mas sua população, humana como todos nós, está isolada. E essa história pode ser encontrada na flagship da marca em Estocolmo - o Noko Jeans Museum.
>> Noko Jeans
>> Noko Jeans @ Facebook
2) AntiSweden
Outra marca de jeans, só que norueguesa. Eu ri muito com o nome, anti-Suécia, mas depois de conhecê-los entendi os motivos: Noruega foi ofuscada (e perde feio) para Suécia no cenário global, principalmente por essa última ser bem sucedida e uma referência em arquitetura, design e moda. AntiSweden é a resposta fashion norueguesa a isso, porém com um viés tão irônico, que as defesas politicamente corretas vão por água abaixo. Os donos da marca se apropriaram de algo que torna a Noruega particularmente famosa por entre jovens no mundo todo, que é o Black Metal. Toda a imagética da marca gira em torno disso - as estampas, o conceito das coleções e o patrocínio de bandas norueguesas dessa vertente musical que fazem shows pelo mundo. De acordo com o site, a AntiSweden "quer fazer uma marca que crie produtos com edições limitadas e altamente desejados, por meio de artistas e músicos que dividam conosco a mesma visão perturbada e obscura, assim como o amor pelo culto ao Black Metal". O melhor é a ironia, que, por conta da sutileza, não ofende ninguém. Esses noruegueses nos ensinam que existe espaço para práticas de branding mais ficcionais, baseadas numa ironia sofisticada, e que se aprofunde mais em nichos culturais para criar desejos.
>> AntiSweden
3) Civilist
Mais que uma loja, é um hub que concentra o melhor da cultura urbana, bem no centro de Berlim. Os donos são editores da Lodown, uma revista sobre cultura pop e cultura urbana, e o nome é uma referência ao passado recente imposto pelo muro de Berlim. Civilist é uma alusão a Zivilist, o nome que os dirigentes da Alemanha Oriental davam a seus habitantes. Mas uma possível imagem de hierarquia e repressão que esse fato possa trazer, é tudo o que essa loja não é. Civilist é um convite à desobediência das regras sobre o que é fazer varejo. Existe um ponto de venda físico, mas seu espaço interno pode se transformar a qualquer momento. A loja, que concentra as marcas mais desejadas do universo de streetwear, e que normalmente fica logo que se abre a porta, pode mudar para o porão sem nenhum aviso, pois uma exposição de última hora pode ocorrer. Ou uma palestra, workshop, show ou uma instalação, não importa. O que o público DEVE esperar é esse morfismo, pois a loja não quer sobreviver apenas da venda de roupas, mas sim da oportunidade de oferecer ao seu público mais sobre cultura urbana e suas manifestações.
>> Lodown
>> Civilist
4) Ace Hotels
Ace faz parte da nova geração de hotéis que surgem pelo mundo: mais baratos, porém sem abrir mão do design e de oferecer aos seus hóspedes uma experiência transformadora. A rede Ace tem com cerne de sua existência conceitos como o mundo orgânico, práticas verdes e o cooperativismo para compor o seu negócio. Também se preocupam em entregar a cultura local para quem lá se hospeda. De acordo com seu diretor, Jan Rozenveld, "se sentimos um 'click' em alguém, e percebemos que essa pessoa é apaixonada pelo que faz, damos um jeito de fazê-la ser parte do nosso negócio". Daí é muito comum perceber uma série de pequenas lojas a partir do lobby do hotel, que entregam o que há de mais legal, único, exclusivo e local, relativo à cidade onde se encontra a unidade Ace. Isso vale para restaurantes, cafés e lojas anti-souvenir, como a encontrada na unidade de Nova Iorque, a Project No. 8. Agregando ao seu universo pequenos negócios com personalidade, a rede hoteleira constrói uma imagem única, dando aos seus hóspedes mais que acomodações confortáveis e moderninhas a bom custo - traz a eles um pedaço da história da cidade.
>> Ace Hotel
>> Project No. 8
Essas empresas podem lembrar um pouco as antigas start-ups web dos anos 2000, mas passam bem longe das indústrias relacionadas a tecnologia. Elas têm sua existência baseada no mundo real, porém alimentam projetos que remetem ao caráter desestruturador das antigas start-ups. Elas são, de alguma maneira, a expressão do cansaço à virtualidade, pois todas se baseiam em relações interpessoais, humanas e de negócios concretos para existir.
Elas são agressivas, ousadas, e precisam de um pouco de risco e erro para acontecer. Seus negócios são propositadamente de menor escala, mas com alto valor simbólico. Por serem baseadas em networks, são altamente reativas e estão em desenvolvimento e aprimoramento constantes. Levam em consideração a flexibilidade e entendem negócios como algo mais experimental e humano, menos linear e lógico. Existe apelo mais libertador e criativo para esses tempos imprevisíveis e voláteis em que vivemos do que ser beta?
[Artigo publicado na ResultsOn, em 12.04.10]
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