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24.11.09

Shampoos, Xampus e Lady Gaga

Hoje foi minha visita mensal a uma farmácia. Desde que virei planejamento faço isso. É uma forma de entender como o mercado está vendendo o corpo para as pessoas. É bem legal fuçar todas as prateleiras, observando embalagem, formas e conceitos de produtos. É bom, principalmente, para entender o que é obsolescência planejada na prática. Em 6 meses, tudo muda. Mas a melhor parte é poder conversar com o farmacêutico, e perguntar qual o medicamento que mais está vendendo. (Quando você souber qual é, fica fácil descobrir porque as farmácias são essa bagunça de mensagens.)

Mas hoje algo quebrou a rotina. Eis que me deparo com uma linha de xampus gringos, da Herbal Essences, com rótulos no mínimo divertidos:





Não é novo pois várias empresas brincam com nomes engraçadinhos há anos. A Lush, por exemplo. A questão é que esses nomes engraçadinhos eram mais - com o perdão da palavra - alternativos, e não eram encontrados em farmácias. Eram nicho. Uma pena e um alívio estarem em inglês. Não teria muita graça um xampu que se chama Não É Do Seu Friso. Ou então Totalmente Retorcido. Pior ainda seria a tradução do trocadilho com drama queen, que seria Drama Limpo.

Tem coisas que só fazem sentido em inglês. Melhor deixar como estão, inclusive deixar xampu como shampoo. Ou você realmente acha que precisa saber o que a Lady Gaga quer dizer com as músicas dela?

14.10.09

27.9.09

Como vencer um tabu

Na década de 1920, George Hill, presidente da American Tobacco Company, pediu ajuda ao sobrinho de Freud, Edward Bernays, RP em Nova Iorque, e iniciado nas teorias psicanalíticas do tio, para converter a atitude das mulheres perante o tabaco. Na época era inaceitável mulheres fumando em público, e o desafio era mudar essa percepção. Mais que isso, fazer com que mulheres fumantes fossem vistas como atraentes e desejadas socialmente.

Bernays descobriu que cigarros eram um dos símbolos do pênis. O brief de Bernays então foi transformar o ato de fumar pelas mulheres em um ato de contestação ao poder e autoridade masculinos. Se mulheres fumassem, então elas teriam seus próprios pênis, logo, teriam a sensação de poder.

O resultado criativo foi um PR Stunt criado na famosa New York City Parade. No desfile, um grupo de mocinhas ricas de Nova Iorque apareceram fumando em público. Não apenas fumando, mas criou-se uma performance dramática em torno do acendimento do cigarro, como um desfile à parte.

Bernays, usando sua influência junto à imprensa nova-iorquina, cantou a bola sobre o protesto que esse grupo de garotas faria a favor do ato de fumar em público, onde os cigarro acendidos representavam tochas da liberdade. Todos os veículos de comunicação foram lá ver o que era. O "protesto" acabou na primeira página do New York Times. Debates permearam a imprensa e tomaram conta da sociedade americana na época.

Se as mulheres tornaram-se fumantes foi porque o zeitgeist era perfeito. Foi uma época de intensas conquistas para as mulheres. O voto feminino estava dando seus primeiros passos, já que foi institucionalizado no início da década de 1920. Mulheres começavam a entrar como uma força relevante num mercado de trabalho então predominantemente masculino. Mulheres mudaram e queriam mais mudanças. Tudo o que se relacionasse, ou melhor, resolvesse essa tensão, seria altamente lucrativo e convertido em comportamento de massa. Bingo para Bernays, que fez algo melhor que propor um estilo de vida: deu motivos para que as mulheres mudassem e a sociedade aceitasse. Quem questionaria a alma americana: a liberdade, ainda que transformada em ícone por meio de um cigarro?

Depois de tudo isso, em menos de dois anos, a indústria do tabaco norte-americana aumentou seu (já rentável) mercado em 100%.

Isso e muito mais em The Century of the Self:

17.9.09

O viral mais #FAIL de todos os tempos?

O produto já é todo errado: Reckoning Day, um filme britânico de ação tipo B- produzido em 2002 é lançado em vídeo em setembro de 2009. Esperar 7 anos pra lançar alguma coisa é, no mínimo, estranho, mas não para por aí.

É um filme que fala sobre o tráfico de uma nova droga poderosa, e um agente de alguma coisa do tipo CIA/FBI/Whatever tenta deter. Ok, todos já vimos um filme desses, mas a comunicação acabou por criar uma narrativa paralela.

A produtora do filme resolveu criar um "viral" factóide por um meio de um experimento, relacionando o uso de drogas com o filme. Botaram um sujeito pra fumar Salvia Divinorum - uma planta que, se consumida, tem proporciona experiências psicodélicas e te leva para Saturno -, o filmaram, e colocaram no ar. O resultado é agressivo, tanto pela crueza quanto pelo tema:



Os motivos de colocarem as coisas nesse contexto, e seguirem por esse caminho criativo, só Deus sabe. Mas, de qualquer jeito, tem criado muito desconforto no meio publicitário inglês.

E, não, não é daquela agência que criou aquela peça pro WWF.