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20.4.09

Netbook


Em apenas um ano de existência, os netbooks abocanharam 7% do mercado. Até o final de 2009, serão 12% do total das vendas de computadores portáteis no mundo todo.

O que há por trás disso? Menos é mais, pois se não precisamos de tanta tecnologia assim, é por que não sabermos como utiliza-la ainda. O site Trendcentral traz o netbook como símbolo de um movimento anti-high tech.

Uma ínfima parcela dos usuários de laptops realmente utiliza todas as possibilidades de memória e velocidade de processadores. A grande e esmagadora maioria é composta por usuários médios. Alguns utilizam o netbook como um gadget auxiliar, que, pelo tamanho menor, simplifica a vida em viagens ou deslocamentos. Outros são usuários cuja necessidade computacional é muito simples, e não precisam de toda a pirotecnia dos laptops do mercado.

A tendência é que netbooks massifiquem rapidamente nos EUA, já que na Europa as pessoas cada vez mais trocam seus laptops por sua versão mini. Operadoras como AT&T e Verizon vão ajudar nesse processo, pois querem fazer o mesmo esquema do iPhone - descontos gigantescos no (já barato) hardware pelo plano de acesso mínimo de 2 anos.

Aliás, ainda no site trendcentral, são fortes os rumores que a Apple desenvolve protótipo de netbook touchscreen de 10 polegadas.

3.4.09

Insight verdadeiro?

Protestos no G20 dão a resposta:
O que o consumidor pensa sobre o consumo?



Update by Amaral:

Nessa bagunça toda, tem algo que chama bastante atenção: pela primeira vez, o foco mudou dos burocratas para quem é responsável por esvaziar as prateleiras dos "grandes magazines incorporados" (leia-se Fred 04).

Em 1999, em Seattle, os discípulos do Rage Against The Machine instauraram um movimento global contra o capitalismo todo chegado no cyberpunk e no anarquismo. Na reunião do G8 em Gênova, em 2001, a mais sinistra depois de Seattle, onde neguinho apanhou até antes do protesto e a presença dos sindicatos italianos foi decisiva para o mar de sangue que virou o 20 de julho de 2001, a batalha continuou. Depois disso ainda vieram Praga e algumas manifestações no Foro de Davos.

Não é possível chamar isso de evolução. Mas parece que, agora, as pequenas nações e comunidades que foram esquecidas pelo capitalismo (e estão sendo inseridas através de projetos que apostam em cooperativas e pequenos produtores) perderam importância no discurso dos Bové's da vida e o resgate é mesmo pela dignidade humana, aquela que eu, você e todo mundo preserva (pelo menos tenta) na medida do possível.

Afinal, não tínhamos noção do limite quando o assunto era consumo e de quanto os caras que faziam de fato a economia acontecer tinham de dinheiro para colocar na rua. Depois de descobrir que o cofrinho dos grandões havia quebrado fazia alguma milha, só restou preservar a si mesmo.

Pelo menos é o que andam dizendo por aí:

"For Generation Y the crisis has hit harder than September 11. This is the first financial trauma of their lives, and they have been led to believe that access to capital and spending is limitless. Many of them are just completely over their heads. They have no idea of budgeting."

O capitalismo e seus filhos recalcados. Esse trauma eu quero ver Freud explicar.

21.3.09

Beleza austera

A marca de cosméticos de origem grega Korres, reduziu os excessos 'brilhantes' tão comuns a produtos de beleza, e agora aposta em design mais rough, inacabado e sério para sua linha:



Com fontes simples ocupando pouco espaço nas embalagens, a marca aposta em texturas e cores para atrair olhares.

Outra que aposta na simplicidade e em um discurso mais direto é a Nivea, principalmente em sua linha masculina. O novo design, que tem o azul Nivea como base, usa códigos de cor em pontos focais para distinguir entre as linhas.

Informação rápida, direta, que não faz o consumidor perder tempo desconstruindo mensagens, e ao mesmo tempo reafirma o valor do que há dentro da embalagem.

Redefinindo o luxo

Um dos muitos sinais de que Austeridade aos poucos muda o conceito de consumo de luxo está na arquitetura também. Quando esteve no Brasil, Gilles Lipovetsky deixou bem claro que, em arquitetura, em especial de lojas de marcas de luxo, o melhor caminho é ser edgy e proporcionar experiência, não materializar o status. Algo bem diferente da Daslu, que, como o próprio Lipovetsky notou na revista Cult:
Daslu é algo mais escandaloso...Pode-se chegar lá de helicóptero...Há favelas em volta...É chocante. Daslu é quase uma provocação. Mas, nas cidades, quando as marcas de luxo constroem grandes prédios, fazem belas lojas etc., as pessoas entram, vão ver, pois os espaços são abertos a todo mundo. Trata-se de um luxo acessível, relativamente democrático. O outro luxo, voltado para milionários, não me interessa. Esse é um universo que eu não conheço. Numa palavra, o que me interessa é o fenômeno da democratização do luxo.
Daslu é a coisa mais cafona que existe no Brasil, pois a elite brasileira é, também, cafona. Depois de mais de 500 anos de descobrimento, eles ainda se apegam aos simbolos medievais de nobreza, hierarquia social, riqueza e luxo. Olhe qualquer revista e perceba a decoração das casas dos muito ricos brasileiros: veludo, estampas florais, mármore, muito mármore, e muita tapeçaria.

Agora, já que não podemos confiar no Brasil para falar sobre sofisticação (isso não existe aqui), em tempos de austeridade, quais os caminhos possíveis para o luxo?

A loja da estilista Julie Sohn em Barcelona nos dá a pista. Em uma palavra, a renovação de espaços pode ser algo interessante para marcas, em especial aquelas que querem agregar um outro sentido de luxo ao seu equity.

Criada em no espaço térreo de um prédio residencial do início da primeira década do século XX, o interior da nova loja mistura o novo com o antigo, sem tirar as características da centenária arquitetura original. É de uma beleza crua.


Tijolos aparentes, o que, na Daslu, seria coberto com rococós de gesso e placas de mármore, estão deliberadamente expostos com piso de concreto, sob um teto geométrico tridimensional.



O novo luxo não agrega status, pois ajuda ao consumidor a perceber valor de uma maneira diferente, mais próximo à subjetividade da experiência, e não por meio de bling-bling.

20.3.09

Austeridade


A festa acabou e a ressaca começou. Em todas as economias ocidentais o fantasma da crise agora faz com que executivos e donas de casa tenham o mesmo tipo de preocupação: repensar suas atitudes em relação a carreira, status, valores e hábitos de compra. 

A boa e velha cultura do crédito, que permitiu a milhões de pessoas no mundo todo, inclusive no Brasil, a terem acesso a sonhos transformados em produtos acabou. Por ora, e sem previsão de volta.

Com o efeito dominó da economia, as pessoas começam a perceber que todas as coisas entendidas como certas e sólidas eram apenas efeito de realidade. Até mesmo aqueles que tem dinheiro em mãos começam a equacionar o valor daquilo que compram, pois afinal o zeitgeist é poupar.

O consumo de luxo ainda existe, mas torna-se discreto. Prada, Chanel, Hermès e Tiffany continuam vendendo, só que, agora, seus compradores olham mais racionalmente para os produtos, e buscam as opções mais discretas - menos logos que identifiquem a marca.

De acordo com a empresa de pesquisa americana Luxury Institute, isso se dá não por vergonha, mas por um senso de decência e solidariedade, pois ninguém está livre de tragédias financeiras causadas por demissões, falências ou moratórias.

Novos valores pessoais, morais e éticos também emergem a partir desse tsunami econômico. A rede de supermercado inglesa Tesco declara que, apesar de ver aumentado os casos de roubo de produtos nas lojas em 36% desde setembro de 2008, a mudança está no tipo de produto: comida, em especial comida infantil. Deus está em alta como pilar espiritual, substituindo a fé no emprego e carreira. Família e amigos começam a ser tornar prioridade, graças a busca por proteção e identidade devido às perdas recentes.

Será que um novo tipo de sociedade vai surgir depois da crise? Que tipo de sinal o consumidor e o mercado nos dá para entendermos onde está a inovação?

A gente gosta muito desse conceito de austeridade.

7.3.09

Quando a arte ajuda o comércio?

Exemplo inspirador que acontece no Reino Unido. Com o boom de lojas vazias no centro comercial de Stroud, a duas horas de Londres, as vitrines agora servem como galerias, onde artistas expõem seus trabalhos.

Em constante renovação, as ruas do centro comercial da cidade atraem mais pessoas, que invariavelmente ajudam o comércio local comprando alguma coisa, que mantém empregos, que mantém a economia da cidade aquecida, num ciclo virtuoso criativamente mantido pela arte.