Via Buda na Web
30.11.09
A História das Coisas
Bom para inspirar na busca por novos e possíveis modelos de consumo. E, claro, interação com o consumidor.
Via Buda na Web
Via Buda na Web
Floresta Urbana
Os visionários da MAD Architects criaram um projeto de prédio comercial que valoriza a inclusão de vastas áreas verdes. A intenção deles é replicar a irregularidade de regiões de florestas montanhosas. Para isso, desenharam andares quase abstratos, ligeiramente desnivelados, para passar essa impressão.
O mais legal é a tentativa de quebrar a monotonia do concreto com elementos visuais "naturais". Que os clientes aprovem esse projeto, pois é fantástico. É uma outra interpretação na volta da natureza para espaços urbanos, indo até um pouco além do conceito puramente utilitário da agricultura vertical.
A inspiração:

Visualização do projeto:




Via Design Boom.
O mais legal é a tentativa de quebrar a monotonia do concreto com elementos visuais "naturais". Que os clientes aprovem esse projeto, pois é fantástico. É uma outra interpretação na volta da natureza para espaços urbanos, indo até um pouco além do conceito puramente utilitário da agricultura vertical.
A inspiração:

Visualização do projeto:




Via Design Boom.
Tags:
floresta,
natureza,
polis,
urbano,
Urbi Et Orbi,
vai dar certo
1 comentários
29.11.09
Listras na solidão branca






Tinha esquecido numa pasta essas imagens. São fotos de icebergs na Antártica que revelam um universo maravilhoso por trás da brancura onipresente. Padrões de cores e formas surgem no degelo, escondido dentro dos icebergs. Lindo de ver. Pena que não será por muito tempo. Aproveitemos as fotos então.
E não, não são obra de pinguins craques em photoshop, como demonstra o site Hoax-Slayer. São the real thing.
Tags:
antartica,
fim do mundo,
fodeu,
icebergs
0
comentários
28.11.09
Guernica em 3D
Exploração em 3D da obra Guernica, Picasso. Nenhum adjetivo seria suficiente e justo para descrever esse vídeo.
Tags:
3D,
Arte,
breathless,
Guernica,
Picasso
1 comentários
27.11.09
...em tempos de Geyse.
Se no Brasil o caso da menina da Uniban causou comoção, blablablás, piadas e diversas entrevistas da vítima a toda sorte de programas televisivos, na Inglaterra um caso bastante parecido teve um desfecho bem pior. Porém a reação dos atingidos pela intolerância por lá foi a que se pode esperar de quem está, pelo menos, tentando melhorar um pouco o mundo.
Sophie Lancaster se vestia diferente dos demais. Alguns destes acharam que Sophie deveria morrer por isso. A chutes, junto com seu namorado, que sobreviveu ao ataque dos "normais" ofendidos pelas vestes góticas dos dois.
Diante de um quadro de intolerância que desafia a crença na evolução da nossa espécie, os pais de Sophie optaram pelo entendimento, pela educação e principalmente, optaram por não desistir dessa crença. Da fé de que o mundo pode sim, ser melhor.
A The Sophie Lancaster Foundation foi fundada por eles como forma de não deixar a perda sofrida cair no esquecimento ou esvaziada de sentido ou ter sido em vão. A ONG visa o esclarecimento da população em casos de ódio, abusos e qualquer tipo de violência gerada pela intolerância.
Agora, dois anos depois do ocorrido, eles pedem a nossa ajuda para divulgar a causa, arrecadar fundos e espalhar a causa pelo mundo.
A animação acima é um tributo criado pela Propaganda junto com a Illamasqua, a banda Portishead (que liberou os direiros de 'Roads'para a trilha) e Fursy Teyssier, artista francês pelo qual eu já me apaixonei pelos traços. O resultado é uma obra sensível sobre o caso e um recado simples, mas eficiente: ser diferente é normal.
Ah! Eles esperam chegar a um milhão de exibições no YouTube. Para ajudar, basta dar o play ali! :)
25.11.09
Xamanismo e Antropomorfismo
Imagine a cena: um sujeito entra no lugar onde você se encontra, vestido com um terno. Agora imagine que, sobre esse terno, existe a pele de um alce, cuja cabeça coroa esse sujeito, e o cobre até os pés, num arremedo bizarro de lobo em pele de cordeiro. Para completar, ele costuma carregar uma ou duas lebres empalhadas. Às vezes, sem a pele de alce, ele coloca uma dessas lebres na cabeça. Esse é o mundo de Marcus Coates, artista contemporâneo que também se intitula um xamã.

A esfera onde Coates atua é a arte pública, interagindo pessoal e diretamente com o público e construindo seus conceitos artísticos com eles. Antes de ser xamã e artista, ele é também ornitólogo e naturalista, o que o credencia a falar sobre e por meio da natureza.

Ele afirma ter contato com o "lower world" para responder a perguntas específicas como todo bom xamã. Historicamente o xamanismo se propõe a resolver os problemas e dilemas de uma comunidade. Sendo essas figuras de autoridade espiritual, eles se conectam com a natureza para obter as respostas necessárias. Marcus Coates vale-se do antropomorfismo para voltar à natureza, e vai a cidades mundo afora conversando com as pessoas para ajuda-las na solução de seus problemas.

Ele também dá workshops onde coloca as pessoas no lugar dos animais. Isso pode incluir, por exemplo, colocar alguém em cima de uma montanha, e fazê-la imaginar ser uma águia - com sons, bater de asas e tudo o mais - que busca sua presa. Ele sabe que tudo o que faz provoca o riso, mas esse é o maior truque dele. Apesar do ceticismo das pessoas, que podem acha-lo até ingênuo e ridículo, a arte de Marcus Coates cumpre sua função: ele nada mais faz que tirar as pessoas do conhecido, do cotidiano e do convencional, e assim as ajuda a se verem de outra forma, por meio de uma experiência objetiva, porém única.
Afinal, humanos nada mais são que criaturas que tentam negar sua animalidade, submetendo a natureza à sua prepotência.

A esfera onde Coates atua é a arte pública, interagindo pessoal e diretamente com o público e construindo seus conceitos artísticos com eles. Antes de ser xamã e artista, ele é também ornitólogo e naturalista, o que o credencia a falar sobre e por meio da natureza.

Ele afirma ter contato com o "lower world" para responder a perguntas específicas como todo bom xamã. Historicamente o xamanismo se propõe a resolver os problemas e dilemas de uma comunidade. Sendo essas figuras de autoridade espiritual, eles se conectam com a natureza para obter as respostas necessárias. Marcus Coates vale-se do antropomorfismo para voltar à natureza, e vai a cidades mundo afora conversando com as pessoas para ajuda-las na solução de seus problemas.

Ele também dá workshops onde coloca as pessoas no lugar dos animais. Isso pode incluir, por exemplo, colocar alguém em cima de uma montanha, e fazê-la imaginar ser uma águia - com sons, bater de asas e tudo o mais - que busca sua presa. Ele sabe que tudo o que faz provoca o riso, mas esse é o maior truque dele. Apesar do ceticismo das pessoas, que podem acha-lo até ingênuo e ridículo, a arte de Marcus Coates cumpre sua função: ele nada mais faz que tirar as pessoas do conhecido, do cotidiano e do convencional, e assim as ajuda a se verem de outra forma, por meio de uma experiência objetiva, porém única.
Afinal, humanos nada mais são que criaturas que tentam negar sua animalidade, submetendo a natureza à sua prepotência.
24.11.09
PETA destrói feriado americano
Gosto muito de marcas - no caso ONG - como o PETA, que não fazem concessões quanto aquilo que acreditam. Todos os anos, religiosamente, faço minha doação para que eles continuem na luta contra o abuso de animais.
Shampoos, Xampus e Lady Gaga
Hoje foi minha visita mensal a uma farmácia. Desde que virei planejamento faço isso. É uma forma de entender como o mercado está vendendo o corpo para as pessoas. É bem legal fuçar todas as prateleiras, observando embalagem, formas e conceitos de produtos. É bom, principalmente, para entender o que é obsolescência planejada na prática. Em 6 meses, tudo muda. Mas a melhor parte é poder conversar com o farmacêutico, e perguntar qual o medicamento que mais está vendendo. (Quando você souber qual é, fica fácil descobrir porque as farmácias são essa bagunça de mensagens.)
Mas hoje algo quebrou a rotina. Eis que me deparo com uma linha de xampus gringos, da Herbal Essences, com rótulos no mínimo divertidos:
Não é novo pois várias empresas brincam com nomes engraçadinhos há anos. A Lush, por exemplo. A questão é que esses nomes engraçadinhos eram mais - com o perdão da palavra - alternativos, e não eram encontrados em farmácias. Eram nicho. Uma pena e um alívio estarem em inglês. Não teria muita graça um xampu que se chama Não É Do Seu Friso. Ou então Totalmente Retorcido. Pior ainda seria a tradução do trocadilho com drama queen, que seria Drama Limpo.
Tem coisas que só fazem sentido em inglês. Melhor deixar como estão, inclusive deixar xampu como shampoo. Ou você realmente acha que precisa saber o que a Lady Gaga quer dizer com as músicas dela?
Mas hoje algo quebrou a rotina. Eis que me deparo com uma linha de xampus gringos, da Herbal Essences, com rótulos no mínimo divertidos:
Não é novo pois várias empresas brincam com nomes engraçadinhos há anos. A Lush, por exemplo. A questão é que esses nomes engraçadinhos eram mais - com o perdão da palavra - alternativos, e não eram encontrados em farmácias. Eram nicho. Uma pena e um alívio estarem em inglês. Não teria muita graça um xampu que se chama Não É Do Seu Friso. Ou então Totalmente Retorcido. Pior ainda seria a tradução do trocadilho com drama queen, que seria Drama Limpo.
Tem coisas que só fazem sentido em inglês. Melhor deixar como estão, inclusive deixar xampu como shampoo. Ou você realmente acha que precisa saber o que a Lady Gaga quer dizer com as músicas dela?
23.11.09
Estupidez humana
Mother, a agência mais transgressora do mundo, criou um filme (para mim pelo menos pesado demais) para a ONG Plane Stupid. Neles, ursos polares caem do céu, relacionando à quantidade de gases. Cada passageiro presente em voos dentro da Europa é responsável pela emissão de 400 kg de gases que contribuem para o efeito estufa. 4oo kg é o peso médio de um urso polar adulto.
A metáfora:
Levamos pouco mais de 100 anos para destruir milhões de anos de evolução no planeta. Não temos planos de reverter isso - seja pela extensão dos estragos, seja pelas consequencias economicas e financeiras. Tudo o que se fala é em amenizar ou protelar os problemas.
Será que, sinceramente, alguém aqui queira pagar o preço de abrir mão dos confortos que essa destruição trouxe para nossas vidas? Me pergunto o que cada um de nós poderia fazer para mudar isso, mas não encontro respostas.
Aquele urso branco é uma metáfora nossa: todos estamos solitários e impotentes, e sempre à mercê das decisões de outrem. Na verdade, com as evidências do fim do mundo como conhecíamos, é estranha nossa inconsciência ursina - simplesmente ignoramos que estamos acelerando nosso próprio fim.
Como diria Hobbes: Homo homini lupus
Via Comunicadores
A metáfora:
Levamos pouco mais de 100 anos para destruir milhões de anos de evolução no planeta. Não temos planos de reverter isso - seja pela extensão dos estragos, seja pelas consequencias economicas e financeiras. Tudo o que se fala é em amenizar ou protelar os problemas.
Será que, sinceramente, alguém aqui queira pagar o preço de abrir mão dos confortos que essa destruição trouxe para nossas vidas? Me pergunto o que cada um de nós poderia fazer para mudar isso, mas não encontro respostas.
Aquele urso branco é uma metáfora nossa: todos estamos solitários e impotentes, e sempre à mercê das decisões de outrem. Na verdade, com as evidências do fim do mundo como conhecíamos, é estranha nossa inconsciência ursina - simplesmente ignoramos que estamos acelerando nosso próprio fim.
Como diria Hobbes: Homo homini lupus
Via Comunicadores
20.11.09
Newsweek 20/10
Retrospectiva da primeira década do século XXI feita pela Newsweek em parceria com o Facebook.
Site Newseek 20/10
Newsweek 20/10 no Facebook
Site Newseek 20/10
Newsweek 20/10 no Facebook
Wii Pray e os Gamers de Deus
Para promover o jogo Dante's Inferno, foi criado um hoax que falava sobre o lançamento de um Wii cristão.



O site Mass We Pray é outro ponto de contato criado para mostrar as delícias de ser um Gamer de Deus:

Kudos para o senso de humor pervertido do pessoal da EA: o game será lançado nas plataformas Xbox e PS, eheheh. Incrível forma de dizer que não é para dummies.
Tags:
absurdinho,
gamers de Deus,
games,
wii
1 comentários
17.11.09
Agora você é um hamster
Nada mais parece permanecer no underground, longe da possibilidade de ser produtizado.
Um hotel em Nantes, na França, oferece a seus hóspedes a oportunidade de viverem um dia como um hamster. Por 99 euros, você terá a oportunidade de ser enjaulado.
De acordo com um dos hóspedes: "The hamster in the world of children is that little cuddly animal. Often, the adults who come here have wanted or did have hamsters when they were small".
Quando li isso, achei impossível não imaginar esse tipo de coisa como uma apropriação da subcultura furry, que escrevemos outras vezes aqui no blog:
Oi! Eu sou um Furry
A hora e a vez dos furries
Não achei criativo... Na verdade achei um tanto débil. Mas é curioso perceber o quanto as pessoas estão desesperadamente em busca de vivência de novas identidades. Nesse caso, é mais que um cospobre - é um arremedo de RPG. Mas um RPG bem #FAIL, vamos combinar.
Um hotel em Nantes, na França, oferece a seus hóspedes a oportunidade de viverem um dia como um hamster. Por 99 euros, você terá a oportunidade de ser enjaulado.
De acordo com um dos hóspedes: "The hamster in the world of children is that little cuddly animal. Often, the adults who come here have wanted or did have hamsters when they were small".
Quando li isso, achei impossível não imaginar esse tipo de coisa como uma apropriação da subcultura furry, que escrevemos outras vezes aqui no blog:
Oi! Eu sou um Furry
A hora e a vez dos furries
Não achei criativo... Na verdade achei um tanto débil. Mas é curioso perceber o quanto as pessoas estão desesperadamente em busca de vivência de novas identidades. Nesse caso, é mais que um cospobre - é um arremedo de RPG. Mas um RPG bem #FAIL, vamos combinar.
12.11.09
10.11.09
Desculpaê, Destino
Novo comercial de AXE que está sendo (ou será) veiculado na Europa. Brilhante: ritmo incrível, narrativa envolvente e o melhor final de todos os tempos.
Parabéns atodososenvolvidos, Ponce Buenos Aires.
Tags:
AXE,
da casa,
magia e sedução,
sucesso
2
comentários
8.11.09
Brincando de Deus em praça pública
Inspirado no seriado Terra de Gigantes e no mito de Golias, o designer inglês Chris O'Shea criou o experimento interativo Hand from Above, e resolveu brincar de Deus nas ruas do Reino Unido. Em um telão gigante, uma mão interage com os transeuntes, modificando-os ou perturbando-os de uma maneira bem engraçada.
É como se o vídeo Fuck You da Lily Allen acontecesse em praça pública.
É como se o vídeo Fuck You da Lily Allen acontecesse em praça pública.
Tags:
Chris O'Shea,
deus,
Hand from Above
0
comentários
7.11.09
A turba da Uniban
Coluna de Contardo Calligaris na Folha de S. Paulo, 05.11.09
Na semana passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.
Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.
[/]
Nota minha:
Tudo isso é muito triste. Intuo que não seja apenas um fenômeno brasileiro, mas também global. O mundo todo parece caminhar para isso. Quando Obama foi eleito, imaginei que alguns dogmas teriam sua queda como um efeito em cadeia. Que o fenômeno da austeridade seria um período de reclusão interior das pessoas, em busca de se centralizarem, encontrarem o equilíbrio internamente, sem o desvario do consumo para justificar sua existência. Bobagem minha...
Obama não mudou nada, pois nada muda nunca. O que esse caso Uniban nos mostra é o que realmente passa nas mentes e corações do real consumidor brasileiro jovem. Sim, esse que você insiste em ver como um jovem dinâmico, que gosta de balada, que estuda, que faz mil coisas ao mesmo tempo, que tá na luta, que tá na batalha, que conversa com seus amigos pela internet, que paquera, que quer viver a vida. Sim, eles fazem tudo isso, mas depois desse episódio da Uniban, a partir de uma amostragem de 700 dessa espécie, pudemos finalmente ver do que é feito o imaginário deles: machismo, moralismo, reacionarismo e sexismo. Porém, aqui não vale o fundamentalismo, pois eles não são infringentes de uma maioria. Sabemos agora que eles são a maioria, e a prova de que qualquer sufixo "ismo" caberá aqui como definição de doença. Não existe ética. Só existe um arremedo arcaico de moral.
Amigos publicitários, nada do que acreditamos sobre o consumidor poderá ser encarado da mesma forma. Algo mudou. É necessário regredir. É necessário repensar que, talvez, em nosso amado Brasil, não estamos vivendo em um momento de ruptura graças à tecnologia. O mundo pode até estar evoluindo, mas não cabe aqui no país. Maslow talvez não caiba para explicar o jovem brasileiro. Talvez o papel das marcas tenha que ser um passo anterior, algo mais próximo do papel civilizatório e não desses conceitos gringos bonitos, feitos para gente que já sabe usar papel higiênico.
Acho que, talvez, caberá às empresas e marcas e tal, o papel de ensinar ao jovem brasileiro dessa nova classe média emergente e universitária, conceitos como liberdade, individualidade, privacidade, igualdade, dignidade, e o mais importante: respeito. As empresas e marcas e tal não podem pensar em falar com um consumidor já pronto. Pelo jeito, assim como no início do século XX aqui no Brasil, teremos que criar um consumidor. O ciclo não se fechou, é preciso recomeçar, mais uma vez. Estão preparadas p'ra isso?
Se for verdade aquela máxima "Dê infinitas máquinas de escrever para infinitos macacos e eles eventualmente produzirão todas as obras de Shakespeare", temo que no nosso amado Brasil temos ainda que esperar por pelo menos 60 milhões de anos para evoluir.
Desisto...
PS.: A moça foi expulsa da Uniban.
Na semana passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.
O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.
A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: "Pu-ta, pu-ta, pu-ta".
Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um "justo" protesto contra a "inadequação" da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.
Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre "vendido") de duas maneiras fundamentais: "veados" e "filhos da puta".
Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, "veados" e "filhos da puta" são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.
Cuidado: "veado", nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos "veados", por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser "usados" por seus ofensores. "Veado", nesse insulto, está mais para "bichinha", "mulherzinha" ou, simplesmente, "mulher".
Quanto a "filho da puta", é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. "Puta", nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.
Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino - não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.
O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de "querer"? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.
A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.
Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de "Zorba, o Grego", com redação obrigatória no fim?
Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.
[/]
Nota minha:
Tudo isso é muito triste. Intuo que não seja apenas um fenômeno brasileiro, mas também global. O mundo todo parece caminhar para isso. Quando Obama foi eleito, imaginei que alguns dogmas teriam sua queda como um efeito em cadeia. Que o fenômeno da austeridade seria um período de reclusão interior das pessoas, em busca de se centralizarem, encontrarem o equilíbrio internamente, sem o desvario do consumo para justificar sua existência. Bobagem minha...
Obama não mudou nada, pois nada muda nunca. O que esse caso Uniban nos mostra é o que realmente passa nas mentes e corações do real consumidor brasileiro jovem. Sim, esse que você insiste em ver como um jovem dinâmico, que gosta de balada, que estuda, que faz mil coisas ao mesmo tempo, que tá na luta, que tá na batalha, que conversa com seus amigos pela internet, que paquera, que quer viver a vida. Sim, eles fazem tudo isso, mas depois desse episódio da Uniban, a partir de uma amostragem de 700 dessa espécie, pudemos finalmente ver do que é feito o imaginário deles: machismo, moralismo, reacionarismo e sexismo. Porém, aqui não vale o fundamentalismo, pois eles não são infringentes de uma maioria. Sabemos agora que eles são a maioria, e a prova de que qualquer sufixo "ismo" caberá aqui como definição de doença. Não existe ética. Só existe um arremedo arcaico de moral.
Amigos publicitários, nada do que acreditamos sobre o consumidor poderá ser encarado da mesma forma. Algo mudou. É necessário regredir. É necessário repensar que, talvez, em nosso amado Brasil, não estamos vivendo em um momento de ruptura graças à tecnologia. O mundo pode até estar evoluindo, mas não cabe aqui no país. Maslow talvez não caiba para explicar o jovem brasileiro. Talvez o papel das marcas tenha que ser um passo anterior, algo mais próximo do papel civilizatório e não desses conceitos gringos bonitos, feitos para gente que já sabe usar papel higiênico.
Acho que, talvez, caberá às empresas e marcas e tal, o papel de ensinar ao jovem brasileiro dessa nova classe média emergente e universitária, conceitos como liberdade, individualidade, privacidade, igualdade, dignidade, e o mais importante: respeito. As empresas e marcas e tal não podem pensar em falar com um consumidor já pronto. Pelo jeito, assim como no início do século XX aqui no Brasil, teremos que criar um consumidor. O ciclo não se fechou, é preciso recomeçar, mais uma vez. Estão preparadas p'ra isso?
Se for verdade aquela máxima "Dê infinitas máquinas de escrever para infinitos macacos e eles eventualmente produzirão todas as obras de Shakespeare", temo que no nosso amado Brasil temos ainda que esperar por pelo menos 60 milhões de anos para evoluir.
Desisto...
PS.: A moça foi expulsa da Uniban.
Tags:
Brasil-il-il,
desisto,
fodeu,
uniban
4
comentários
6.11.09
Reinvenção do convencional
ChupaChups, a marca de pirulitos, parece que queria lançar - se já não lançou a essa altura - versões adultas para seus produtos. Parece, pois ainda não sabemos se é apenas estudo de conceito de produto que a agência colocou no portfolio, ou se é intenção da marca lançar mesmo no mercado russo (a agência é de lá).
Esse estudo conceitual em questão é de 2008, e é bem legal. A brincadeira começa com a criação de um universo muito peculiar para os pirulitos, saindo do universo infantil, com forte apelo sexual. Como tirar a infância de um produto para torná-lo atraente a adultos? Reinterpretando o convencional: Não é o sabor, que por sinal são default, mas sim a experiência de uso do produto.

BDSM:
Pirulitos com formato especial para aqueles que gostam de temperar o desejo com um pouco de dor

Fetish:
Para aqueles que gostam de uma conotação sexual nos objetos

Toys:
Para aqueles que gostam de acessórios que ajudem a quebrar a monotonia.

Ia ser bem legal se esse projeto se concretizasse e aportasse por aqui.
Via Trendwatching e Firma.
Esse estudo conceitual em questão é de 2008, e é bem legal. A brincadeira começa com a criação de um universo muito peculiar para os pirulitos, saindo do universo infantil, com forte apelo sexual. Como tirar a infância de um produto para torná-lo atraente a adultos? Reinterpretando o convencional: Não é o sabor, que por sinal são default, mas sim a experiência de uso do produto.

BDSM:
Pirulitos com formato especial para aqueles que gostam de temperar o desejo com um pouco de dor

Fetish:
Para aqueles que gostam de uma conotação sexual nos objetos

Toys:
Para aqueles que gostam de acessórios que ajudem a quebrar a monotonia.

Ia ser bem legal se esse projeto se concretizasse e aportasse por aqui.
Via Trendwatching e Firma.
Tags:
chupachups,
pirulito,
Reboot,
reinvenção,
sexo
0
comentários
2.11.09
iCobertor
Ann Oren é uma artista israelense baseada em Nova Iorque que, durante um intenso dia de inverno no bairro do Brooklyn, resolveu usar a tecnologia que a cercava para se aquecer. Para se manter aquecida, ela colocou um macbook em seu colo e um projetor próximo, para se aproveitar do calor que emanava dele. Segundo ela o resultado foi "absurdamente acolhedor".
Nasceu a partir disso o projeto iBlanket, em tradução applês, iCobertor. No site, Ann Oren descreve o projeto:
iBlanket é um projeto de arte pública. O conceito de iBlanket foi inspirado tanto pela nossa dependência da tecnologia quanto pelo fato de que os computadores laptop fornecerm calor físico quando eles estão em uso. Esta combinação é tomada pelo conceito iBlanket em uma esfera absurda com um anúncio para este produto impraticável. Gostaria de contactar com o público e abrir uma discussão sobre esta imagem problemática, liderado por qualquer um que tenha uma visão sobre o conceito. Por conseguinte, os cartazes serão penduradas nas ruas de Tel-Aviv, Paris, Nova York e Berlim. Os pôsteres convidam o público para ir a este local e iniciar uma discussão ou simplesmente comentar.
- iBlanket em Tel-Aviv:
- iBlanket em Nova Iorque, tapando uma obra do superexposto Shepard Fairey :
iBlanket é ao mesmo tempo uma crítica à onipresença do gênero "i" começado pela Apple, correlacionado à situação dos sem-teto em Nova Iorque nessa época de outono/inverno. Mas acredito que, com o passar do tempo, se o projeto ficar famoso, fãs da maçã talvez não venham a gostar muito. Afinal, não é todo mundo que gosta de ver suas indulgências criticadas. Muito menos a maçonaria Apple.
iBlanket pode ser seguido no Facebook:
http://www.facebook.com/pages/iBlanket/130407008036
e no Twitter:
http://www.twitter.com/iblanket/
Tags:
Ann Oren,
apple,
crítica,
iBlanket,
urbano,
Urbi Et Orbi
0
comentários
Assinar:
Postagens (Atom)






