<3
12.11.09
10.11.09
Desculpaê, Destino
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Keid
Novo comercial de AXE que está sendo (ou será) veiculado na Europa. Brilhante: ritmo incrível, narrativa envolvente e o melhor final de todos os tempos.
Parabéns atodososenvolvidos, Ponce Buenos Aires.
8.11.09
Brincando de Deus em praça pública
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Keid
Inspirado no seriado Terra de Gigantes e no mito de Golias, o designer inglês Chris O'Shea criou o experimento interativo Hand from Above, e resolveu brincar de Deus nas ruas do Reino Unido. Em um telão gigante, uma mão interage com os transeuntes, modificando-os ou perturbando-os de uma maneira bem engraçada.
É como se o vídeo Fuck You da Lily Allen acontecesse em praça pública.
É como se o vídeo Fuck You da Lily Allen acontecesse em praça pública.
7.11.09
A turba da Uniban
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Keid
Coluna de Contardo Calligaris na Folha de S. Paulo, 05.11.09
Na semana passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.
Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.
[/]
Nota minha:
Tudo isso é muito triste. Intuo que não seja apenas um fenômeno brasileiro, mas também global. O mundo todo parece caminhar para isso. Quando Obama foi eleito, imaginei que alguns dogmas teriam sua queda como um efeito em cadeia. Que o fenômeno da austeridade seria um período de reclusão interior das pessoas, em busca de se centralizarem, encontrarem o equilíbrio internamente, sem o desvario do consumo para justificar sua existência. Bobagem minha...
Obama não mudou nada, pois nada muda nunca. O que esse caso Uniban nos mostra é o que realmente passa nas mentes e corações do real consumidor brasileiro jovem. Sim, esse que você insiste em ver como um jovem dinâmico, que gosta de balada, que estuda, que faz mil coisas ao mesmo tempo, que tá na luta, que tá na batalha, que conversa com seus amigos pela internet, que paquera, que quer viver a vida. Sim, eles fazem tudo isso, mas depois desse episódio da Uniban, a partir de uma amostragem de 700 dessa espécie, pudemos finalmente ver do que é feito o imaginário deles: machismo, moralismo, reacionarismo e sexismo. Porém, aqui não vale o fundamentalismo, pois eles não são infringentes de uma maioria. Sabemos agora que eles são a maioria, e a prova de que qualquer sufixo "ismo" caberá aqui como definição de doença. Não existe ética. Só existe um arremedo arcaico de moral.
Amigos publicitários, nada do que acreditamos sobre o consumidor poderá ser encarado da mesma forma. Algo mudou. É necessário regredir. É necessário repensar que, talvez, em nosso amado Brasil, não estamos vivendo em um momento de ruptura graças à tecnologia. O mundo pode até estar evoluindo, mas não cabe aqui no país. Maslow talvez não caiba para explicar o jovem brasileiro. Talvez o papel das marcas tenha que ser um passo anterior, algo mais próximo do papel civilizatório e não desses conceitos gringos bonitos, feitos para gente que já sabe usar papel higiênico.
Acho que, talvez, caberá às empresas e marcas e tal, o papel de ensinar ao jovem brasileiro dessa nova classe média emergente e universitária, conceitos como liberdade, individualidade, privacidade, igualdade, dignidade, e o mais importante: respeito. As empresas e marcas e tal não podem pensar em falar com um consumidor já pronto. Pelo jeito, assim como no início do século XX aqui no Brasil, teremos que criar um consumidor. O ciclo não se fechou, é preciso recomeçar, mais uma vez. Estão preparadas p'ra isso?
Se for verdade aquela máxima "Dê infinitas máquinas de escrever para infinitos macacos e eles eventualmente produzirão todas as obras de Shakespeare", temo que no nosso amado Brasil temos ainda que esperar por pelo menos 60 milhões de anos para evoluir.
Desisto...
PS.: A moça foi expulsa da Uniban.
Na semana passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.
O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.
A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: "Pu-ta, pu-ta, pu-ta".
Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um "justo" protesto contra a "inadequação" da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.
Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre "vendido") de duas maneiras fundamentais: "veados" e "filhos da puta".
Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, "veados" e "filhos da puta" são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.
Cuidado: "veado", nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos "veados", por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser "usados" por seus ofensores. "Veado", nesse insulto, está mais para "bichinha", "mulherzinha" ou, simplesmente, "mulher".
Quanto a "filho da puta", é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. "Puta", nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.
Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino - não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.
O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de "querer"? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.
A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.
Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de "Zorba, o Grego", com redação obrigatória no fim?
Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.
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Nota minha:
Tudo isso é muito triste. Intuo que não seja apenas um fenômeno brasileiro, mas também global. O mundo todo parece caminhar para isso. Quando Obama foi eleito, imaginei que alguns dogmas teriam sua queda como um efeito em cadeia. Que o fenômeno da austeridade seria um período de reclusão interior das pessoas, em busca de se centralizarem, encontrarem o equilíbrio internamente, sem o desvario do consumo para justificar sua existência. Bobagem minha...
Obama não mudou nada, pois nada muda nunca. O que esse caso Uniban nos mostra é o que realmente passa nas mentes e corações do real consumidor brasileiro jovem. Sim, esse que você insiste em ver como um jovem dinâmico, que gosta de balada, que estuda, que faz mil coisas ao mesmo tempo, que tá na luta, que tá na batalha, que conversa com seus amigos pela internet, que paquera, que quer viver a vida. Sim, eles fazem tudo isso, mas depois desse episódio da Uniban, a partir de uma amostragem de 700 dessa espécie, pudemos finalmente ver do que é feito o imaginário deles: machismo, moralismo, reacionarismo e sexismo. Porém, aqui não vale o fundamentalismo, pois eles não são infringentes de uma maioria. Sabemos agora que eles são a maioria, e a prova de que qualquer sufixo "ismo" caberá aqui como definição de doença. Não existe ética. Só existe um arremedo arcaico de moral.
Amigos publicitários, nada do que acreditamos sobre o consumidor poderá ser encarado da mesma forma. Algo mudou. É necessário regredir. É necessário repensar que, talvez, em nosso amado Brasil, não estamos vivendo em um momento de ruptura graças à tecnologia. O mundo pode até estar evoluindo, mas não cabe aqui no país. Maslow talvez não caiba para explicar o jovem brasileiro. Talvez o papel das marcas tenha que ser um passo anterior, algo mais próximo do papel civilizatório e não desses conceitos gringos bonitos, feitos para gente que já sabe usar papel higiênico.
Acho que, talvez, caberá às empresas e marcas e tal, o papel de ensinar ao jovem brasileiro dessa nova classe média emergente e universitária, conceitos como liberdade, individualidade, privacidade, igualdade, dignidade, e o mais importante: respeito. As empresas e marcas e tal não podem pensar em falar com um consumidor já pronto. Pelo jeito, assim como no início do século XX aqui no Brasil, teremos que criar um consumidor. O ciclo não se fechou, é preciso recomeçar, mais uma vez. Estão preparadas p'ra isso?
Se for verdade aquela máxima "Dê infinitas máquinas de escrever para infinitos macacos e eles eventualmente produzirão todas as obras de Shakespeare", temo que no nosso amado Brasil temos ainda que esperar por pelo menos 60 milhões de anos para evoluir.
Desisto...
PS.: A moça foi expulsa da Uniban.
6.11.09
Reinvenção do convencional
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Keid
ChupaChups, a marca de pirulitos, parece que queria lançar - se já não lançou a essa altura - versões adultas para seus produtos. Parece, pois ainda não sabemos se é apenas estudo de conceito de produto que a agência colocou no portfolio, ou se é intenção da marca lançar mesmo no mercado russo (a agência é de lá).
Esse estudo conceitual em questão é de 2008, e é bem legal. A brincadeira começa com a criação de um universo muito peculiar para os pirulitos, saindo do universo infantil, com forte apelo sexual. Como tirar a infância de um produto para torná-lo atraente a adultos? Reinterpretando o convencional: Não é o sabor, que por sinal são default, mas sim a experiência de uso do produto.

BDSM:
Pirulitos com formato especial para aqueles que gostam de temperar o desejo com um pouco de dor

Fetish:
Para aqueles que gostam de uma conotação sexual nos objetos

Toys:
Para aqueles que gostam de acessórios que ajudem a quebrar a monotonia.

Ia ser bem legal se esse projeto se concretizasse e aportasse por aqui.
Via Trendwatching e Firma.
Esse estudo conceitual em questão é de 2008, e é bem legal. A brincadeira começa com a criação de um universo muito peculiar para os pirulitos, saindo do universo infantil, com forte apelo sexual. Como tirar a infância de um produto para torná-lo atraente a adultos? Reinterpretando o convencional: Não é o sabor, que por sinal são default, mas sim a experiência de uso do produto.

BDSM:
Pirulitos com formato especial para aqueles que gostam de temperar o desejo com um pouco de dor

Fetish:
Para aqueles que gostam de uma conotação sexual nos objetos

Toys:
Para aqueles que gostam de acessórios que ajudem a quebrar a monotonia.

Ia ser bem legal se esse projeto se concretizasse e aportasse por aqui.
Via Trendwatching e Firma.
2.11.09
iCobertor
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Keid
Ann Oren é uma artista israelense baseada em Nova Iorque que, durante um intenso dia de inverno no bairro do Brooklyn, resolveu usar a tecnologia que a cercava para se aquecer. Para se manter aquecida, ela colocou um macbook em seu colo e um projetor próximo, para se aproveitar do calor que emanava dele. Segundo ela o resultado foi "absurdamente acolhedor".
Nasceu a partir disso o projeto iBlanket, em tradução applês, iCobertor. No site, Ann Oren descreve o projeto:
iBlanket é um projeto de arte pública. O conceito de iBlanket foi inspirado tanto pela nossa dependência da tecnologia quanto pelo fato de que os computadores laptop fornecerm calor físico quando eles estão em uso. Esta combinação é tomada pelo conceito iBlanket em uma esfera absurda com um anúncio para este produto impraticável. Gostaria de contactar com o público e abrir uma discussão sobre esta imagem problemática, liderado por qualquer um que tenha uma visão sobre o conceito. Por conseguinte, os cartazes serão penduradas nas ruas de Tel-Aviv, Paris, Nova York e Berlim. Os pôsteres convidam o público para ir a este local e iniciar uma discussão ou simplesmente comentar.
- iBlanket em Tel-Aviv:
- iBlanket em Nova Iorque, tapando uma obra do superexposto Shepard Fairey :
iBlanket é ao mesmo tempo uma crítica à onipresença do gênero "i" começado pela Apple, correlacionado à situação dos sem-teto em Nova Iorque nessa época de outono/inverno. Mas acredito que, com o passar do tempo, se o projeto ficar famoso, fãs da maçã talvez não venham a gostar muito. Afinal, não é todo mundo que gosta de ver suas indulgências criticadas. Muito menos a maçonaria Apple.
iBlanket pode ser seguido no Facebook:
http://www.facebook.com/pages/iBlanket/130407008036
e no Twitter:
http://www.twitter.com/iblanket/
29.10.09
A moça e os moralistas imorais
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Keid
Nesse caso da moça e os estudantes da Uniban, existem algumas coisas que Contardo Calligaris definiu muito bem em outros assuntos, em suas colunas na Folha de S. Paulo, mas que vale para esse. Contardo, como bom observador do humano moderno, tem insights interessantes do ponto de vista psicanalítico. Como opinião de blogueiro não pode valer nesse caso - desculpem-me, mas é questão de estofo intelectual mesmo -, resolvi entender isso à luz da psicanálise. Nesse lamentável episódio, temos duas figuras que ajudam a entender o contexto do alvoroço em torno da moça, em especial o lamentável comportamento dos envolvidos, que gritavam "puta, puta", como se isso sequer fosse algo ruim:
(...)Afinal, depois de um bom século de psicologia e psiquiatria dinâmicas, estamos certos disto: o moralizador e o homem moral são figuras diferentes, se não opostas. 1) O homem moral se impõe padrões de conduta e tenta respeitá-los; 2) O moralizador quer impor ferozmente aos outros os padrões que ele não consegue respeitar.
(...)Quem coloca ruidosamente a caça aos marajás no centro de sua vida está lidando (mal) com sua própria vontade de colocar a mão no pote de marmelada. Quem esbraveja raivosamente contra "veados" e travestis está lidando (mal) com suas fantasias homossexuais. Quem quer apedrejar adúlteros e adúlteras está lidando (mal) com seu desejo de pular a cerca ou (pior) com seu sadismo em relação a seu parceiro ou sua parceira.
O exemplo da adúltera, aliás, serve para lembrar que a psicologia dinâmica, no caso, confirma um legado da mensagem cristã: o apedrejador sempre quer apedrejar sua própria tentação ou sua culpa.
Como toda manifestação passional, o desenrolar das coisas é obscuro. Fala-se em tentativa de estupro por parte de alguns machos de plantão, além dos gritos de puta, por parte de algumas fêmeas. Em alguns casos, ouvimos falar que ela, a moça que ousou demonstrar sua feminilidade de forma mais clara, de certa forma teria que arcar com as consequências de sua libido. Afinal, como qualquer morador de país pobre, somos moralistas e, consequentemente, somos hipócritas. Nos agarramos ao nosso moralismo como forma de controlarmos o que há de mais animalesco em nós. Adjetivamos a moça como puta, por não sabermos o que fazer com nossa liberdade. Somos ovelhinhas nervosas.
A forma da moralidade moderna não é o veredicto, mas a pergunta. Para nós, é moral quem passa constantemente pelos impasses insolúveis de questões morais concretas. E é propriamente imoral o moralista, que declara saber de antemão o que é o bem e o que é o mal. O moralista é imoral porque, julgando o próximo segundo um sistema de regras instituídas, ele evita o rigor da exigência moral moderna. Castigar os outros é, para ele, o melhor jeito de desconhecer seus desejos menos confessáveis. Ou seja, o moralista condena para se absolver.
Hipocrisia sustenta pessoas assim, com vidas sexuais frágeis, que gozam mal e descontam em alguém que ousa ser diferente da manada. A sexualidade do brasileiro, além de hipócrita, é pobre também. Entendem sexualidade como função dos órgãos genitais, deixando de lado o simbólico do que somos feitos. Ainda temos um longo caminho a percorrer.
A distinção entre homem moral e moralizador tem alguns corolários relevantes. Primeiro, o moralizador é um homem moral falido: se soubesse respeitar o padrão moral que ele se impõe, ele não precisaria punir suas imperfeições nos outros. Segundo, é possível e compreensível que um homem moral tenha um espírito missionário: ele pode agir para levar os outros a adotar um padrão parecido com o seu. Mas a imposição forçada de um padrão moral não é nunca o ato de um homem moral, é sempre o ato de um moralizador.
Em geral, as sociedades em que as normas morais ganham força de lei (os Estados confessionais, por exemplo) não são regradas por uma moral comum, nem pelas aspirações de poucos e escolhidos homens exemplares, mas por moralizadores que tentam remir suas próprias falhas morais pela brutalidade do controle que eles exercem sobre os outros. A pior barbárie é isto: um mundo em que todos pagam pelos pecados de hipócritas que não se agüentam.
Intuo que essas universidades deveriam ter jaulas, e todos os alunos deveriam ser adestrados ou arrebanhados, como boas ovelhas moralistas que são. Cara, recomeça tudo, pois vai ser daqui pra pior... Que merda.


