30.4.09

O Futuro da Propaganda, de acordo com Dan Wieden

Dan Wieden é o dono da Wieden + Kennedy, a melhor agência do mundo. Em uma recente 4A's, ele saiu de seu paraíso particular em Portland, Oregon, para falar aos demais mortais que trabalham em propaganda, onde está o futuro desse mercado.

Sendo o cara que faz o futuro acontecer, disparou:

One surefire way agencies can foster the next generation of diverse talent is to go grass-roots and support local arts organizations, Wieden & Kennedy co-founder Dan Wieden told attendees at the 4A's Leadership Conference in San Francisco today.

"We need to get these kids that have no idea of what we do in the commercial arts and fine arts and open the doors wide and let them in," Mr. Wieden said. "There are many undiscovered voices out there ... that perhaps one day can change the nature of the marketplace for the better."
Ele e a esposa mantém uma ONG chamada Caldera Arts, que oferece a crianças menos favorecidas economicamente, a oportunidade de terem aulas de arte, que vai de música a edição de vídeo.

Assumindo um mea culpa, ele lamenta que a indústria publicitária não representa a diversidade do mundo, pois as agências estão cheias de "middle-class, white kids making enormous sums of money to target inner-city consumers."

Fica a dica.

Via AdAge.

25.4.09

A Imagética da Libertação

A dinâmica da sociedade de consumo é uma das coisas mais perversas desses tempos hipermodernos. Assim como Danilo Martuccelli, eu acredito na evidência de que os problemas que a sociedade não consegue resolver, as questões que não consegue elucidar, voltam para o indivíduo, e assim ele terá a responsabilidade de responder e solucionar sozinho - sem ajuda, sem repertório e sem tecnologia pra isso.

É algo do tipo:

"Olha só, inventamos um monte de realidades mentirosas e alternativas, e incutimos uma série de idéias em vocês, mas fodeu... Se deu tudo errado, não prevíamos isso, logo, não saberemos resolver. Seremos obrigados a nos eximir de responsabilidade pelos efeitos nocivos, contrários e colaterais. Desculpaê."


Como profissional de planejamento (e co-criação), tenho algumas regras morais muito claras em relação a isso. São diretrizes pessoais e intransferíveis, e estão inseridas no contexto de uma agência challenger e libertária como a CUBOCC, mas me dão tranquilidade de, no final do dia, não foder a psique e a realidade do consumidor com idéias impossíveis. Eu nunca falo o que as pessoas querem ouvir para escapar à dureza da vida, nem as iludo com motivos para preencher lacunas existenciais. O que me proponho a fazer é dar subsídios, por meio de estratégias de comunicação, para as pessoas resolverem criativamente a questões que meus produtos podem ser parte da solução. 50% depende de esforço pessoal, onde o consumidor é agente indispensável para a mudança.

Se criamos imagens e ideários impossíveis para pessoas que buscam fazer parte deles, algo está muito errado. Falar sem ter espaço para o discurso acontecer é patético. Felizmente parece que vários segmentos de indústrias que se baseiam no imagético para existir estão questionando isso. Artistas, estilistas e revistas também estão aderindo a isso, mostrando o poder da diversidade como elemento de questionamento e, consequentemente, de mudança.

Obra Plástica de Camilo Barreto


A belíssima atleta-atriz-modelo Aimee Mullins


Murray Vern para Pure Magazine (2008)


Foto presente na Black Book Magazine (2009)

Helmut Newton retrata a modelo Nadja Auermann na série 'The Empowered Woman' - Vogue (1995).

Obra Plástica de Camilo Barreto (2008)

Foto de Diana Scheunemann (2009)


Romain Kremer & Renata Veras - Primavera/Verão 2009

Foto de Oleksiy Maksymenko (2008)

Audrey Blouse da coleção Wheeliechix Chic (2009)

Catherine McNeil para a Vogue francesa (2008)

Quando surgem iniciativas como Britain's Missing Top Model, temos uma bela oportunidade para questionarmos esses padrões e ideais utópicos que envenenam nossa individualidade e espontaneidade. 8 garotas lindas, mas com o detalhe de serem portadoras de algum tipo de deficiência, estão numa disputa para um ensaio fotográfico e capa para a Marie Claire britânica pelas lentas do mestre Rankim. Kelly Knox foi a vencedora:

Tá mais que na hora de criarmos imagens que nos ajudem na libertação de conceitos nefastos como esses que vivemos atualmente. É possível mudar... é só querer.

Inspirado em post do blog Trend de la Creme.

24.4.09

Prada Transformer

O Transformer criado por Rem Koolhaas and AMO para Prada irá sediar, a partir de março até julho desse ano, quatro eventos em Seul, na Coreia do Sul.

A obra arquitetônica tem lados que podem rotar e virar base.

Para cada evento, uma nova rotação e um novo formato. É um pavilhão que não possui uma única identidade e que muda conforme o conteúdo que abriga em seu interior naquele determinado momento. As noções de espaço mudam, assim como a relação com o tempo.

(Não sei se Keid e Amaral concordam comigo, mas eu diria que é uma construção fundamentada não em cimento, mas em calda).

O projeto:

















Rotando em Seul (a base parece um logo que eu conheço):

20.4.09

Netbook


Em apenas um ano de existência, os netbooks abocanharam 7% do mercado. Até o final de 2009, serão 12% do total das vendas de computadores portáteis no mundo todo.

O que há por trás disso? Menos é mais, pois se não precisamos de tanta tecnologia assim, é por que não sabermos como utiliza-la ainda. O site Trendcentral traz o netbook como símbolo de um movimento anti-high tech.

Uma ínfima parcela dos usuários de laptops realmente utiliza todas as possibilidades de memória e velocidade de processadores. A grande e esmagadora maioria é composta por usuários médios. Alguns utilizam o netbook como um gadget auxiliar, que, pelo tamanho menor, simplifica a vida em viagens ou deslocamentos. Outros são usuários cuja necessidade computacional é muito simples, e não precisam de toda a pirotecnia dos laptops do mercado.

A tendência é que netbooks massifiquem rapidamente nos EUA, já que na Europa as pessoas cada vez mais trocam seus laptops por sua versão mini. Operadoras como AT&T e Verizon vão ajudar nesse processo, pois querem fazer o mesmo esquema do iPhone - descontos gigantescos no (já barato) hardware pelo plano de acesso mínimo de 2 anos.

Aliás, ainda no site trendcentral, são fortes os rumores que a Apple desenvolve protótipo de netbook touchscreen de 10 polegadas.

17.4.09

O Google é um parasita?

"O Google é um portal para a audiência de massa. Ou você concorda com seus termos ou sente o peso de sua bota na traqueia."

"A despeito de sua aura jovial e heroico empreendedorismo, que milagrosamente consegue conectar toda a internet, o que vemos é um modelo tóxico e ultrapassado de capitalismo - o clássico cartel que destrói indústrias e iniciativas individuais em busca por lucros cada vez maiores. Apesar de sua diversificação, o Google é, em última análise, um parasita que não cria nada, oferecendo simplesmente um método de listagem, agregação e ordenação de informações geradas por pessoas que investiram capital, trabalho e tempo nesse processo."

"As pessoas percebem no Google elementos sociopatas e delinquentes, talvez a personalidade de um atemorizante menino de 11 anos.

Esse menino de 11 anos não conhece nada além do sucesso e não entende os riscos, esforços e fracassos da criação de um conteúdo original, nem os delicados relacionamentos, além de seus desejos e suas experiências. Naturalmente ele não está preparado para entender que o Google Street View não apenas invade a privacidade de milhões e facilita a vida de assaltantes, mas também acaba com os espaços cívicos."
Henry Potter (o tio do Harry?), The Observer 05/04/09

P.S.: Google é a nova Microsoft da era pós-Obama?

16.4.09

In The Butt

Hilário projeto de intervenção anarquista open source que prega "Because everything's funnier. In The Butt". Um sticker disponibilizado no tumblr do projeto, te ajuda a participar, recriando mensagens publicitárias.

Subversão inteligente.



Homens que são mulheres

De todas as discriminações sociais, a mais pérfida é a dirigida contra os travestis. Se fosse possível juntar os preconceitos manifestados contra negros, índios, pobres, homossexuais, garotas de programa, mendigos, gordos, anões, judeus, muçulmanos, orientais e outras minorias que a imaginação mais tacanha fosse capaz de repudiar, a somatória não resvalaria os pés do desprezo virulento que a sociedade manifesta pelos travestis.

Quem são esses jovens travestidos de mulheres fatais, que expõem o corpo com ousadia nas esquinas da noite e na beira das estradas?

Apesar da diversidade que os distingue, todos têm em comum a origem: são filhos das camadas mais pobres da população.

A homossexualidade é tão velha quanto a humanidade, sempre existiu uma minoria de homens e mulheres homossexuais em qualquer classe social; caracteristicamente, no entanto, travestis só aparecem nas famílias humildes.

Na infância, foram meninos com jeito afeminado que, se tivessem nascido entre gente culta e com posses, poderiam ser profissionais liberais, artistas plásticos, empresários, costureiros, atores de sucesso. Mas, como tiveram o infortúnio de vir ao mundo no meio da pobreza e da ignorância, experimentaram toda a sorte de abusos: foram xingados nas ruas, ridicularizados na escola, violentados pelos mais velhos, ouviram cochichos e zombarias por onde passaram, apanharam de pais e irmãos envergonhados.

Em ambiente tão hostil poucos conseguem concluir os estudos elementares. Na adolescência, com a autoestima rebaixada, despreparados intelectualmente, saem atrás de trabalho. Quem dá emprego para homossexual pobre?

Se para os mais ricos com diploma universitário não é fácil, imagine para eles. O máximo que conseguem é lugar de cozinheiro em botequim, varredor de salão de beleza na periferia ou atividade semelhante sem carteira assinada.

Vivendo nessa condição, o menino aprende com os parceiros de sina que bastará hormônio feminino, maquiagem para esconder a barba, uma saia mínima com bustiê, sapato alto e um bom ponto na avenida para ganhar numa noite mais do que o salário do mês.

Uma vez na rua, todo travesti é considerado marginal perigoso, sem nenhuma chance de provar o contrário. Pode ser preso a qualquer momento, agredido ou assassinado por algum psicopata, que nenhum transeunte moverá um dedo em sua defesa. "Alguma ele deve ter feito para merecer", pensam todos.

Levado para a delegacia irá parar numa cadeia masculina. Como conseguem sobreviver de sainha e bustiê em celas com 20 ou 30 homens, numa situação em que o mais empedernido machão corre perigo, é para mim um dos mistérios da vida no cárcere, talvez o maior deles.

A condição de saúde dos travestis é precária. Não existe um serviço de saúde com endocrinologistas para orientá-los a respeito dos hormônios femininos que tomam por conta própria.

Muitos injetam silicone na face, nas nádegas, nas coxas, mas sem dinheiro para adquirir o de uso médico, fazem-no com silicone industrial comprado em casa de materiais de construção, injetado por pessoas despreparadas, sem qualquer cuidado de higiene. Com o tempo, esse silicone impróprio escorre entre as fibras musculares dando origem a inflamações dolorosas, desfigurantes, difíceis de debelar.

Ainda os portadores do vírus da Aids encontram algum apoio e assistência médica nos centros especializados, locais em que os funcionários estão mais preparados para aceitar a diversidade sexual. Nos hospitais gerais, entretanto, poucos conseguem passar da portaria, barrados pelo preconceito generalizado, praga que não poupa médicos, enfermeiras e pessoal administrativo.

Os hospitais públicos deveriam ser obrigados a criar pelo menos um posto de atendimento especializado nos problemas médicos mais comuns entre os travestis. Um local em que pudessem ser acolhidos com respeito, para receber orientações sobre uso e complicações de hormônios femininos e silicone industrial, prevenção e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis e práticas de sexo seguro.

A saúde pública não pode continuar dando as costas para essa minoria de homens, só porque eles decidiram adotar a identidade feminina, direito de qualquer um. Quem somos nós para condená-los?

Que autoritarismo preconceituoso é esse que lhes nega acesso à assistência médica, direito mínimo garantido pela Constituição até para o criminoso mais sanguinário?

-- Drauzio Varella
(originalmente publicado na Folha de S. Paulo em 11/04/2009.)

14.4.09

Picture Me

Nada que a gente não saiba.

By Sara Ziff (a modelo que tem sua ascensão documentada) & Ole Shell, o documentário mostra os bastidores da indústria da moda.

Linha de montagem, especialização e padronização.
Passarela, segmentação e rostos sem expressão.

As imagens capturadas pelas câmeras oferecidas para as meninas fazem parte do documentário. Isso para dar, definem os organizadores do projeto, voice to those who are often seen, but rarely heard.

Picture Me Trailer

9.4.09

Ou manda um SMS, ora.

"if you really want to touch someone, send them a letter."

7.4.09

Geração de Criminosos



"Ninguém pode deter a tecnologia; o que eles podem é criminalizá-la. Isso nos torna uma geração de criminosos."


Desde o Napster até o recente julgamento do Pirate Bay, a (já velha) briga sobre Direitos Autorais e Pirataria é uma das coisas que mais me fascina quando falamos sobre novas
tecnologias, compartilhamento e o valor das ideias versus consumo.


Como ainda não encontrei uma forma legítima de expressá-la sem comprometer a mim ou àqueles que me cercam, fico feliz em ver casos como RIP: a remix manifesto.
Um documentário idealizado por Brett Gaylor em episódios que, além de discutir e sinalizar casos ridículos de processos contra escolas infatis que usam O rato no uniforme,
pede a NOSSA contribuição.

A cada novo capítulo, somos convidados a interferir e remixar o filme. No final, teremos (Brett Gaylor, eu, você...) RIP: a remix manifesto 2.0, uma experiência em opensource incrível.

Today we're going to make a mashup...

Yuri's Night




O nome da festa é uma homenagem ao Yuri Gagarin e representa a celebração daquilo que um dia já foi o projeto para um futuro voador, tecnológico e espacial.

Mais divertido do que isso é fazer sarro com toda aquela baboseira de corrida espacial e guerra fria que a URSS e o EUA protagonizaram por causa de uma coisa tão inútil para a vida do humano como a conquista do espaço.

Nunca consegui descobrir o que eles tanto queriam (e ainda querem, pelo menos a NASA) revelar sobre as galáxias.

Bonito é ver a China seguir o mesmo script para confirmar o status de grande potência.

6.4.09

Sempre a cantar

Why the fuck do you have a kid




























































No Brasil, o Datafolha fez uma pesquisa há 12 meses que dizia: quatro em cada dez filhos brasileiros não foram planejados. Em 56% dos casos, isso acontece entre jovens de 16 a 24 anos de idade.
---

Acontece tudo tão rápido e adiantado pra esses jovens que eles não têm tempo para parar e pensar se querem, se gostam ou se o que fazem está de acordo com o que acham certo.

Tem projeto lá fora abrindo o olhos da moçada sobre harassment nos relacionamentos.

Está te obrigando a tirar fotos sem roupa? Liga demais controlando onde e com quem você está?

That's not Cool

5.4.09

Bruno, o filme

Sinceramente esperamos que Bruno, novo petardo de Sacha Baron Cohen, não seja apenas um trailer bem feito. A Universal Pictures, por outro lado, aposta bastante no criador de Borat para repetir o mesmo fenomeno mercadológico. Borat teve um custo de produção em torno de US$ 18 milhões, arrecadando aproximadamente US$ 261 milhões no mundo todo. Será que Brüno vinga?

Pelo pouco que soubemos - até levando em conta o histórico do moçoilo no Ali G Show - Bruno tem os elementos que fizeram o personagem Borat famoso: uma certa ingenuidade, a total falta de sensibilidade quanto ao relativismo cultural e muita cara de pau do Sacha.

Para Bruno, as armas que Sacha preparou incluem adotar uma criança africana e chamá-la de O.J. - o detalhe é que ela é despachada via aérea em uma caixa de papelão com furinhos para entrar ar; Ir até um desfile em Milão com um paletó feito de velcro, com resultados catastróficos; Ir caçar com um grupo de broncos americanos claramente homofóbicos.

O trailer:



Só nos resta esperar por Bruno.

3.4.09

Insight verdadeiro?

Protestos no G20 dão a resposta:
O que o consumidor pensa sobre o consumo?



Update by Amaral:

Nessa bagunça toda, tem algo que chama bastante atenção: pela primeira vez, o foco mudou dos burocratas para quem é responsável por esvaziar as prateleiras dos "grandes magazines incorporados" (leia-se Fred 04).

Em 1999, em Seattle, os discípulos do Rage Against The Machine instauraram um movimento global contra o capitalismo todo chegado no cyberpunk e no anarquismo. Na reunião do G8 em Gênova, em 2001, a mais sinistra depois de Seattle, onde neguinho apanhou até antes do protesto e a presença dos sindicatos italianos foi decisiva para o mar de sangue que virou o 20 de julho de 2001, a batalha continuou. Depois disso ainda vieram Praga e algumas manifestações no Foro de Davos.

Não é possível chamar isso de evolução. Mas parece que, agora, as pequenas nações e comunidades que foram esquecidas pelo capitalismo (e estão sendo inseridas através de projetos que apostam em cooperativas e pequenos produtores) perderam importância no discurso dos Bové's da vida e o resgate é mesmo pela dignidade humana, aquela que eu, você e todo mundo preserva (pelo menos tenta) na medida do possível.

Afinal, não tínhamos noção do limite quando o assunto era consumo e de quanto os caras que faziam de fato a economia acontecer tinham de dinheiro para colocar na rua. Depois de descobrir que o cofrinho dos grandões havia quebrado fazia alguma milha, só restou preservar a si mesmo.

Pelo menos é o que andam dizendo por aí:

"For Generation Y the crisis has hit harder than September 11. This is the first financial trauma of their lives, and they have been led to believe that access to capital and spending is limitless. Many of them are just completely over their heads. They have no idea of budgeting."

O capitalismo e seus filhos recalcados. Esse trauma eu quero ver Freud explicar.

Em detalhes


A gente gosta de infográficos.

2.4.09

Em um mundo perfeito



...seria assim:
McDonald's faz edição especial do McLanche Feliz com toy do Bruno Aleixo.

Só isso


"O que verdadeiramente importa é a aptidão para captar o abstrato; a possibilidade de um pensamento sem imagem (...)"

1.4.09

New York I Love You


Por que um é símbolo. E o outro sabe das coisas.

É importante


Ontem Yentl.CC citou o picho acima. Hoje ela surgiu em um, dois, três blogs. Entre pensar a motivação do autor e a reação da sua audiência, eu prefiro somente acreditar. Acreditar que é importante.


E que nem ele nem eu somos os únicos a achar.

Irã: Uma nação de blogueiros



"Em qualquer país, blogueiros podem te dar uma boa idéia sobre o que a juventudade está pensando – e no Irã, onde 70% da população pode ser considerada muito jovem, a blogosfera se torna muito importante".

"Eles representam uma geração de jovens da classe média urbana, para quem a internet é o território da liberdade, ou pelo menos o lugar onde melhor se pode exercê-la".

"Eles têm um papel político maior do que no Brasil, pois no Irã não há tantos atores explícitos na sociedade civil quanto em meu país (liberdade de imprensa, fortes ONGs, muitos partidos políticos, etc.) Os blogs iranianos podem funcionar como boas pesquisas de opinião, ou termômetros sobre o que pensa grande parte do Irã urbano".

Raul Lores, chefe do escritório da Folha de S. Paulo em Pequim.

Um exemplo bem interessante da experiência que o Raul teve em sua viagem ao Irã:

Vodkas e minissaias em Teerã

Algo me diz que não podemos comparar com a blogosfera brasileira. Pois, afinal, no Brasil, diferentemente da opressão iraniana, somos livres. Logo, nossos blogueiros não têm inimigos pra lutar contra, né? Ou não?

Nação CUBOCC

CUBOCC não é uma agência.

É uma outra maneira para definir desconstrução - de olhares, metodologias, práticas, verdades e status quo. É aqui, nessa pequena Pasárgada de comunicação, onde o sonho pela diferença se materializa. Junto com o rei, aliás.

Aqui não se tem complexo de vira-latas. Sorry, Nelson Rodrigues. Aqui não seguimos regras de mercado, não sonhamos dublado ao vermos cases internacionais, não questionamos o futuro da comunicação, muito menos a relação das pessoas com o consumo e marcas. A gente simplesmente faz. Não temos a alma recalcada pela inserção na criatividade global. Pra que olhar pra fora quando tem tanta coisa incrível para fazer aqui?

É inútil pra gente questionar o zeitgeist da publicidade interplanetária, já que somos parte da solução. Isso é uma conversa muito metafísica, uma vez que nossa missão é fazer as coisas acontecerem. Aliás, já tem gente demais no mundo com opiniões excessivas sobre tudo, que falam exaustivamente, mas simplesmente não conseguem propor um caminho novo ou melhor. Por acaso somos brasileiros que caíram de cabeça no caos global. Nosso idioma é a criatividade. Sem ufanismos, sem deslumbres, pois sabemos muito bem que temos que vender produto, construir marca e gerar resultado. It's business, babes. Não somos naïfs nesse sentido. E, na real, não dá tempo pra onanismos sobre o futuro, já que passamos boa parte do nosso tempo fazendo a diferença por meio dos nossos jobs. O presente é lugar tão incrível.

Não acreditamos em pessoas que se escondem por trás de chavões e clichês publicitários. Deve ser por isso que temos muito poucos publicitários trabalhando aqui na cubocc. Contratamos pessoas e com elas suas histórias, seus repertórios, suas experiências. Não contratamos cargos, isso não funciona pra gente.

Mas no fundo a gente ama o viralatismo. A questão é que para amá-lo não significa ser igual a ele, muito menos viver o complexo de vira-latas. Ama-se a diferença, afinal de contas. Se a gente escolher ser vira-lata, é pela simpatia, pela resistência e, principalmente, pela liberdade de poder ser quem se é.

O novo pede dúvida, erro e caos, muito caos.

O novo só acontece quando abre-se mão de certezas.