27.9.09

Como vencer um tabu

Na década de 1920, George Hill, presidente da American Tobacco Company, pediu ajuda ao sobrinho de Freud, Edward Bernays, RP em Nova Iorque, e iniciado nas teorias psicanalíticas do tio, para converter a atitude das mulheres perante o tabaco. Na época era inaceitável mulheres fumando em público, e o desafio era mudar essa percepção. Mais que isso, fazer com que mulheres fumantes fossem vistas como atraentes e desejadas socialmente.

Bernays descobriu que cigarros eram um dos símbolos do pênis. O brief de Bernays então foi transformar o ato de fumar pelas mulheres em um ato de contestação ao poder e autoridade masculinos. Se mulheres fumassem, então elas teriam seus próprios pênis, logo, teriam a sensação de poder.

O resultado criativo foi um PR Stunt criado na famosa New York City Parade. No desfile, um grupo de mocinhas ricas de Nova Iorque apareceram fumando em público. Não apenas fumando, mas criou-se uma performance dramática em torno do acendimento do cigarro, como um desfile à parte.

Bernays, usando sua influência junto à imprensa nova-iorquina, cantou a bola sobre o protesto que esse grupo de garotas faria a favor do ato de fumar em público, onde os cigarro acendidos representavam tochas da liberdade. Todos os veículos de comunicação foram lá ver o que era. O "protesto" acabou na primeira página do New York Times. Debates permearam a imprensa e tomaram conta da sociedade americana na época.

Se as mulheres tornaram-se fumantes foi porque o zeitgeist era perfeito. Foi uma época de intensas conquistas para as mulheres. O voto feminino estava dando seus primeiros passos, já que foi institucionalizado no início da década de 1920. Mulheres começavam a entrar como uma força relevante num mercado de trabalho então predominantemente masculino. Mulheres mudaram e queriam mais mudanças. Tudo o que se relacionasse, ou melhor, resolvesse essa tensão, seria altamente lucrativo e convertido em comportamento de massa. Bingo para Bernays, que fez algo melhor que propor um estilo de vida: deu motivos para que as mulheres mudassem e a sociedade aceitasse. Quem questionaria a alma americana: a liberdade, ainda que transformada em ícone por meio de um cigarro?

Depois de tudo isso, em menos de dois anos, a indústria do tabaco norte-americana aumentou seu (já rentável) mercado em 100%.

Isso e muito mais em The Century of the Self:

25.9.09

Palestra CUBOCC: Geração Y

O pessoal da ResultsON, do clã SixPix, convidou a gente pra falar sobre Geração Y, ou Millenials, ou, simplesmente, o jovem brasileiro de 15 a 29 anos. Fizemos um compilado de tendências que reflitam possibilidades factíveis com a realidade do nosso jovem tupiniquim.

Reports gringos são incríveis, sedutores e inspiradores. Mas, quando "tropicalizamos" as promessas de futuro, todos saem frustrados: agência, planners e clientes. O que apresentamos foi nosso aprendizado nesses anos de trabalho intenso com o público jovem. Vale lembrar que esse mesmo jovem que queremos tanto falar - aquele comum, que pega ônibus, não tem muita grana no bolso, se divide em mil, e sonha no presente com um futuro mais real - sempre pode nos surpreender.

17.9.09

Vintage Porn Logos



Dica do chefe.

O viral mais #FAIL de todos os tempos?

O produto já é todo errado: Reckoning Day, um filme britânico de ação tipo B- produzido em 2002 é lançado em vídeo em setembro de 2009. Esperar 7 anos pra lançar alguma coisa é, no mínimo, estranho, mas não para por aí.

É um filme que fala sobre o tráfico de uma nova droga poderosa, e um agente de alguma coisa do tipo CIA/FBI/Whatever tenta deter. Ok, todos já vimos um filme desses, mas a comunicação acabou por criar uma narrativa paralela.

A produtora do filme resolveu criar um "viral" factóide por um meio de um experimento, relacionando o uso de drogas com o filme. Botaram um sujeito pra fumar Salvia Divinorum - uma planta que, se consumida, tem proporciona experiências psicodélicas e te leva para Saturno -, o filmaram, e colocaram no ar. O resultado é agressivo, tanto pela crueza quanto pelo tema:



Os motivos de colocarem as coisas nesse contexto, e seguirem por esse caminho criativo, só Deus sabe. Mas, de qualquer jeito, tem criado muito desconforto no meio publicitário inglês.

E, não, não é daquela agência que criou aquela peça pro WWF.

Enquanto isso em São Paulo...


Essa plantinha na traseira do carro pode ser um lembrete do valor positivo do inesperado na vida da gente, ainda que no meio do caos de São Paulo. Eu dei meu melhor sorriso ao ver essa cena, e tive a sorte de conseguir registrá-la. Achei linda e subversiva.

Dinah Might



Quando já se exibiu tudo o que tem para ser mostrado, é cobrindo com penas a ameaça de não ter mais acesso que reconstruímos o nosso imaginário, as fantasias que embasam o desejo, a tensão.

14.9.09

A hora e a vez dos Furries

A gente já tinha cantado a bola em fevereiro e maio. E reforçamos de novo agora em setembro. Furries são, definitivamente, uma realidade que requer um segundo olhar e alguma consideração.

Acaba de ser lançado o vídeo do Pull Tiger Tail para a música Even Good Kids Make Bad Sports, e nele um casal de furries passeia por Londres em busca de algo que deixou a moça fantasiada de zebra bem triste.



Mais uma vez reforçamos: as pessoas estão fragmentadas. Isso não é um sintoma esquizóide, mas sim uma característica contemporânea. A alma humana não se restringe a ser UMA, pois somos VÁRIAS coisas ao mesmo tempo. Só nos resta abraçar a diversidade humana em todas as suas complexidades e incoerências. Como diria Truman Capote, "quem é coerentemente coerente tem cabeça de batata".

Como fechei no post anterior:

O mais legal disso é a capacidade que algumas pessoas tem de inventar outras realidades, em universos paralelos à vida real. Isso não apenas é possível, mas intuo que até certo ponto, seja saudável: não há nada pior que viver entricheirado em suas fantasias, sem espaço para expressa-las. Furries são o oposto disso.

12.9.09

O que sobrou do corpo



The Final Inch é um documentário sobre os esforços mais recentes de ONGs e seus voluntários no combate a poliomelite em diversas partes do mundo.

(Tão incomum quanto o tema, é o perfil de quem apoia o lançamento, que rola semana que vem nos EUA: Google, Karmaloop e Antenna Mag. Os dois últimos, um e-shop fashionzinho e uma revista de cultura urbana e tendências).

Mais interessante ainda é que esse documentário não é o primeiro a abordar uma doença e o que implica sua causa. Em janeiro, o XDR-TB veio ao mundo através das lentes de alguns fotógrafos para mostrar o surto silencioso e esquecido de tuberculose. Uma doença que, a princípio, está controlada e não incomoda ninguém.



Os argumentos desses filmes chamam mais atenção do que os patrocinadores e as próprias doenças. O da polio, por exemplo: a vacina contra a polio foi criada há 50 anos, mas ainda hoje existem pessoas que não tem acesso ao antídoto e muitos governos argumentam que as campanhas de vacinação são impedidas por "conflitos locais", como guerras civis e confrontos entre etnias, o que não passa de uma grande mentira e uma desculpa absurda para fazer nada.

Vejo que o boom científico dos anos 70, 80 e 90, que trouxe a descoberta de doenças e a cura para tantas outras, agora, não faz mais sentido se o acesso é limitado. Com os custos de produção mais baixos e a qualificação das redes de distribuição, não tem sentido a inexistência de uma empresa com o espírito "free" na indústria farmacêutica para contornar esse cenário. Talvez seja essa a mensagem. Talvez seja esse o propósito a ser levado adiante. (Mesmo que enfrentar a proteção de patentes seja uma guerra quase impossível de ser vencida e o tenham perseverado com os medicamentos para tratamento da Aids).

Nos últimos 10 anos criaram a ilusão de que o acesso à informação transformaria a realidade de muitas comunidades. A última campanha do Criança Esperança abordou o assunto com muita força e as últimas edições do Globo Repórter sobre Amazônia desconhecida desvelaram que a ocorrência de PCs na floresta tropical é tão grande quanto a de araras, onças e sucuris. O barulho em cima dos princípios de aldeia global que a internet fez ressuscitar sufocou o invisível.

Os reports decretam a morte do corpo. Mas enquanto que os gadgets transformam cabeça, tronco e membros em paisagem, a gripe suína, a polio, a tuberculose, a febre amarela e a dengue (só para dar exemplos mais próximos) mostram que ele está bem vivo.

Há espanto quando crianças chegam de volta das férias e não beijam o rosto uma da outra por causa do invisível.

A invisibilidade é uma desculpa para fazer nada.

Talvez seja essa a reflexão que deva ser desencadeada, bem antes de qualquer propósito ser levado adiante.

11.9.09

Choppcc

Hoje é dia de chopp aqui na CUBOCC.

PPTk: PowerPoint Karaoke 2009



PPTk é uma variação dos famosos karaokês, mas com uma diferença: você não canta, você apresenta slides de ppt mostrados aleatoriamente. A brincadeira pede que o participante crie um discurso "lógico" para esse aparente caos.

Imagine que, num slide tenha a imagem de um gráfico de vendas, seguido por outro com um cachorrinho fofo com gifs animados, e logo depois uma imagem de uma praia com uma frase qualquer. Tem coerência? nopes, e a graça é essa. O resultado, obviamente, será caótico.

A Imation está patrocinando atualmente um tour de PPTk em 2009. Imation era aquela empresa que fazia zips e memórias em geral, e que agora está expandindo seus produtos para utilidades periféricas ao PC.

No caso do PPTk 2009 todos os projetores e periféricos são deles. Bela oportunidade para se apropriar de fenômenos criados pelas pessoas com timing perfeito: PPTk ainda não é mainstream, mas já saiu da obscuridade. Parabéns para eles.

NEOsitrin



dica do Átila Meireles

7.9.09

E Deus lhe disse: desce e arrasa!

Geralmente não colocamos imagens, escrevemos textos ou mencionamos coisas relacionadas a cultos ou expressões religiosas aqui. É algo extremamente pessoal, mexe com brios que não cabe a mais ninguém além daquele que crê.

Mas, ao ver o que foi enviado pelo Pedro no Twitter, tive que dividir um breve pensamento a respeito do Pastor Pilão.



(Preacher in a Tutu)

É raro vermos um vídeo como esse, onde o absurdo da cena entrega o quanto nossa estrutura psíquica é quase, digamos, primitiva, rudimentar mesmo. Arthur Ramos, um dos maiores antropólogos brasileiros, chamaria isso de "inconsciente cultural", uma ponte entre o inconsciente coletivo e o inconsciente individual de Jung, e que estabelece a ligação do brasileiro com o espiritual. E, pelo que vi, esse inconsciente, da forma como se expressa, demonstra que tá cheio de nada.

Não vale aqui falarmos sobre o caráter de espetacularização da fé, coisa que esse vídeo claramente retrata: sentimentos superlativos, exagero gestual, a tentativa de uma língua ininteligível, uma caricatura ritualística para materializar aquilo que essa igreja, que não soube identificar, se propõe a curar ou minimizar por entre seus crentes. O que nos aflige, o que nos maltrata, o que nos faz sofrer não pode ser simplesmente deixado no abstrato. Precisa de uma mensagem demonstrável, algo que possa ser culturalmente entendido, mas sobretudo fisicamente expressado por um pastor rodopiante.

E essa mensagem se resume a Satanás. Satanás é a palavra proferida. Satanás é a palavra que condensa o semantismo do mal: as faltas, as privações, as vicissitudes da vida de quem crê, pois, claro, a culpa do nosso fracasso é sempre de alguém. Satanás é o meme mais poderoso de todos os tempos. E todos precisamos de um bailarino desengonçado pra nos salvar.

Que merda.

PS: os comentários que aparecem durante o vídeo são sensacionais.

4.9.09

Comerciais de games japoneses

Desde 1993, tem um pouco de tudo: Crayon Shinchan, Dragonball Z Gaiden, Dragon Quest V, Duck Dream Adventurers, Legend of the Holy Sword 2, NBA Basketball, Vampire, Super Dragonball Z, etc...